O Grêmio inicia a busca por sua nona final de Copa do Brasil a partir das 21h30 desta quarta-feira contra o São Paulo, na Arena, pela o jogo de ida das semifinais. O Tricolor vem de uma eliminação dolorida na Libertadores diante do Santos e colocará à prova mais uma vez sua competência em torneios eliminatórias.

A derrota na Vila Belmiro deixou algumas lições para o time de Renato Portaluppi, que o ge lista abaixo. Da vibração até o resgate da identidade do time, o Tricolor precisa de uma resposta melhor em campo no duelo desta noite para não ir para a decisão da vaga no Morumbi em desvantagem. O discurso, ao menos, é de confiança.

– Caímos em uma quartas de final para uma grande equipe e estamos em uma semi de Copa do Brasil para enfrentar uma grande equipe. Disputando tudo esse ano e parece que as coisas estão erradas aqui dentro. Ninguém vai colocar na minha cabeça que tudo o que a gente vem sofrendo e trabalhando está errado – defende Diego Souza.

Grêmio tem intenção de retomar melhores dias na Arena — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Grêmio tem intenção de retomar melhores dias na Arena — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Vibração

A falta de vibração nos dois duelos contra o Santos foi diagnosticada internamente no clube. Dirigentes ouvidos pelo ge citaram uma falta de espírito de mata-mata tanto na Arena quando na Vila Belmiro, algo que era considerado já internalizado ao elenco tricolor nos últimos anos. E essa foi uma cobrança para a qual se espera uma resposta diante do São Paulo.

Vale lembrar que o Grêmio saiu atrás no placar do segundo jogo das quartas da Libertadores aos 11 segundos de partida, em um erro de passe de Jean Pyerre. A concentração durante os 90 minutos é exigida em duelos desta natureza.

Internamente, há entendimento de que o confronto “vale o trabalho”, ou seja, é preciso provar que tudo o que foi feito em 2020 está correto. A Copa do Brasil é considerado o principal caminho para título na temporada pela diferença à ponta no Brasileirão — o São Paulo é o líder 11 pontos à frente, mas com um jogo a mais.

Voltar a criar

O centroavante Diego Souza, 21 gols na temporada, prometeu um Grêmio conectado à identidade do clube, com modelo de jogo bem definido nos quatro anos com Renato Portaluppi no comando. Isso significa tentar sobrepor o São Paulo, também um time propositivo, na posse de bola.

– Vamos jogar a nossa identidade, o jeito da gente jogar, forma de encarar jogos decisivos. Um outro jogo, outra oportunidade, que a gente possa fazer muito melhor porque a equipe do São Paulo é grande e temos que superá-los – destacou o atacante.

Nos jogos com o Santos e também contra o Sport, o Grêmio não conseguiu ter poder de fogo. Apesar de ficar com a bola, não tinha rapidez para chegar ao gol adversário nem criava espaços para tirar proveito quando o rival estava posicionado.

Jean Pyerre é o centro criativo do time — Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

Jean Pyerre é o centro criativo do time — Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

Um dos pontos, portanto, é retomar a agressividade ofensiva, algo presente na série de 18 jogos invictos na temporada. O exemplo mais recente é a goleada por 4 a 0 sobre o Vasco, no início do mês. Além do número de gols marcados, o volume de chances criadas é algo a ser perseguido, com a ressalva da diferença de qualidade entre os adversários.

Recomposição defensiva

Nos últimos dois jogos, o Grêmio levou gols em contra-ataques rápidos. Em ambas situações, estava no campo ofensivo e, após perder a posse, não conseguiu remontar a defesa para se proteger.

Os volantes Darlan e Matheus Henrique têm a missão de resguardar melhor os zagueiros e atrasar a transição do adversário. Os laterais também são forçados a, em situação como essa, fechar mais rapidamente a linha da defesa.

Além disso, a reação ao perder a bola pode ajudar a diminuir a velocidade do adversário. O São Paulo não é exatamente um time focado em contra-atacar, mas deve usar os defeitos gremistas recentes a seu favor.

Adaptar-se ao jogo

Os quatro tempos dos confrontos com o Santos mostraram tônica semelhante, com uma marcação forte do Peixe no meio-campo do Grêmio. Mesmo assim, em 180 minutos, o Tricolor não encontrou soluções para superá-la.

Faltou leitura e readaptação ao que mostrou o jogo dentro de campo para sair do que foi proposto pelo adversário. Com o atenuante que o gol no início complicou qualquer cenário para aquele duelo da Vila Belmiro.

– Já com 12 segundos a gente levou o gol. Mas não adianta ficar lembrando, já passou. Não podemos ficar com a cabeça enterrada. Levamos erros de lição para não repetir no próximo jogo. Sabemos do nosso potencial. Até semana passada, estávamos em três competições e falavam que éramos isso e aquilo. Não vai ser por uma eliminação que aqui ninguém presta – destacou Matheus Henrique.



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