Com problemas no ataque admitidos pelo próprio Felipão, o Grêmio espera amenizar a falta de gols com a contratação de Miguel Borja, do Palmeiras. E os números indicam que são boas as chances de sucesso. O colombiano chega ao Tricolor com média superior a um gol a cada dois jogos disputados em 18 meses no Junior de Barranquilla.

O centroavante desembarca na Arena com banca de titular do time, até por já ter trabalhado com Felipão em 2018 e 2019 no clube paulista. Inclusive, pode ser utilizado de maneira imediata, já na segunda-feira, contra a Chapecoense, pelo Brasileirão, a depender de sua regularização.

Miguel Borja comemora gol pelo Junior de Barranquilla — Foto: Conmebol

Miguel Borja comemora gol pelo Junior de Barranquilla — Foto: Conmebol

No Grêmio, o colombiano contará com a concorrência de Diego Souza, atualmente machucado, artilheiro do futebol brasileiro na temporada 2020, e também de Churín, outro que se recupera de lesão, além do jovem Ricardinho.

Borja está em atividade e disputou a última partida no dia 9 de julho, quando a Colômbia venceu o Peru por 3 a 2 e ficou com o terceiro lugar na Copa América disputada no Brasil. Esse é um dos pontos valorizados pelo Grêmio, que precisava de um reforço pronto para atuar.

Borja no Junior Barranquilla

  • 2020: 21 gols em 37 partidas
  • 2021: 14 gols em 22 partidas
  • Total: 35 gols em 59 partidas

A passagem pelo futebol bolombiano referenda a aposta do Grêmio. Foram 35 gols em 59 partidas disputadas durante o empréstimo ao Junior. Uma média de 0,59 gols por jogo, um pouco superior a de Diego Souza, que tem 15 gols em 28 jogos, 0,53 de média.

Em Barranquilla, pode vestir a camisa do clube do coração dele e da família. No período, disputou duas Libertadores, uma Sul-Americana, duas ligas da Colômbia, uma Superliga e uma Copa Colômbia. Foi o goleador do clube nas duas ligas nacionais disputadas e acabou como artilheiro da competição de 2020. Além de ser o atual goleador da Libertadores com 6 gols junto a Gabigol, Hulk e Rony.

– Em todas as apresentações do Borja apareceu seu poder goleador e de protagonista, com grande presença na área rival. Borja é um jogador decisivo, temível na área, com olfato de gol, muito bom cabeceador e, sobretudo, com uma técnica tremenda para associação de jogo. É um atacante muito completo. O ano no Junior serviu não só para cumprir o sonho de voltar para a seleção colombiana, mas também valeu para jogar no clube do coração, ser referência e orgulho dos torcedores – diz o comentarista Richard Martínez, do programa “El gol que se Vive”.Borja é um jogador decisivo, temível na área, com olfato de gol, muito bom cabeceador e, sobretudo, com uma técnica tremenda para associação de jogo. É um atacante muito completo”— Richard Martínez, comentarista colombiano

Martínez também cita a surpresa com o fato do Palmeiras não utilizar o jogador após o bom momento vivido no seu país natal. Para o jornalista, Borja poderia inclusive estar em mercados europeus a partir do seu rendimento no clube colombiano.

Além disso, as características do centroavante são de velocidade em diagonais curtas para dar profundidade ao time e também de muita força física. E, claro, o jogo pelo alto, reconhecido como uma especialidade.

– Miguel Borja em sua passagem por Junior de Barranquila se destacou muito. Basicamente porque é um jogador que define muito bem na área, é muito forte no jogo aéreo e rápido na zona ofensiva. A diretoria fez o impossível para estender por mais seis meses a opção de compra que tinham, mas não foi possível. Esperamos que o jogador colombiano possa ter uma boa participação no Brasil em sua chegada ao clube dirigido por Luiz Felipe Scolari – opina Andrés Felipe Muñoz, da rádio Sonora 1500 AM.

No Palmeiras, Borja alternou momentos de destaque e outros de ostracismo. Chegou com o carimbo de maior contratação feita pelo clube e teve seu melhor momento em 2018, quando anotou 20 gols em 44 partidas disputadas. É o segundo maior artilheiro do Verdão na Libertadores, com 11 gols na competição.

No retorno ao clube, o colombiano era elogiado pelo rendimento nos treinamentos e estava solto e feliz no dia a dia palmeirense. A decisão da diretoria do Palmeiras de liberar o atacante foi por conta da sobreposição de jogadores para a mesma função e pela necessidade de equacionar valores do negócio com a Crefisa, que bancou a contratação.

Confira a análise do setorista do Palmeiras no ge, Felipe Zito:

A primeira passagem de Miguel Borja pelo Palmeiras foi de altos e baixos. Depois da euforia causada pelo maior investimento feito pelo clube em um atleta, o atacante viveu entre críticas e gols.

Em 2017, o colombiano foi comandado por Eduardo Baptista, Cuca e Alberto Valentim e teve passagem pelo banco de reservas com todos eles, o que foi repetido nos anos seguintes com Roger Machado, Felipão e Mano Menezes.

Por não ter a consolidação do colombiano no setor, o Verdão trabalhou no mercado por reforços e aumentou a concorrência entre os atacantes. Foi nesse cenário que chegaram atletas como Deyverson, Ricardo Goulart e Luiz Adriano.

Borja e Luiz Adriano em sua reapresentação ao Palmeiras — Foto: Cesar Greco

Borja e Luiz Adriano em sua reapresentação ao Palmeiras — Foto: Cesar Greco

Mas Borja também teve números expressivos com a camisa alviverde. Ele é o segundo maior artilheiro do clube na Libertadores, com 11 gols marcados em três edições

Artilheiro do torneio sul-americano em 2018, o atacante viveu boa fase, com 20 gols em 44 partidas, e disputou a Copa do Mundo da Rússia pela seleção colombiana.

No início de 2020, o Verdão priorizou a reformulação do elenco e trabalhou pela saída de alguns atletas. Borja foi para o Junior Barranquilla e teve bom desempenho na avaliação até das pessoas do clube palmeirense. Esteve na mira do Boca, mas a negociação não evoluiu.



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