Foto: Marcos Ribolli

O apito final após o empate contra o Corinthians soou como uma sentença para o Grêmio. Ainda que não definitiva, mas o Tricolor depende muito pouco de si para permanecer na Série A do Brasileirão. E os jogadores entenderam esse contexto. O abatimento foi imediato e visto no gramado da Neo Química Arena, assim como as cobranças surgiram no vestiário.

A revelação foi feita pelo técnico Vagner Mancini na entrevista coletiva. Ao ser perguntado sobre o tempo entre o fim do jogo e o início da entrevista, o treinador revelou que houve uma conversa mais forte no vestiário e disse que o normal nesses momentos é que haja mesmo discussões.

– Primeiro lugar a gente quase se pega no vestiário. Todo mundo tem brio. Sabe que tomar um gol quase aos 40 do segundo tempo não estava no script de nenhum de nós. Obviamente a gente fala muito sobre isso – disse o técnico.

Mas Mancini garantiu que não houve relação com as conversas com a demora para a entrevista — que aliás nem foi tão diferente de outras entrevistas recentes.

Conforme ouviu o ge, houve um problema na placa de vídeo para ajustar a coletiva on-line. O técnico do Corinthians, Sylvinho, também apareceu no local justamente no momento que tudo estava pronto, e os dois conversaram sem pressa até as perguntas iniciarem.

Em campo, foi possível ver o abatimento imediato de Vanderson, Villasanti, Sarará, Diogo Barbosa e Ruan no gramado. Foram os jogadores que aparentaram sentir mais o resultado. Uns se agacharam no gramado enquanto outros levaram a camisa ao rosto em desespero.

O empate foi quase uma derrota nesse aspecto emocional. Alguns atletas saíram rapidamente do campo, casos de Borja e depois Ferreira. Kannemann foi ainda reclamar com a arbitragem mais uns minutos. Churín, Diego Souza e Rafinha entraram no gramado para reerguer os companheiros.

Nas principais jogadas de perigo do Corinthians, os gremistas se cobravam muito em campo. Na bola na trave colocada por Willian no primeiro tempo, Diogo Barbosa deu uma bronca em Jhonata Robert, que não pressionou o rival.

Quando o camisa 10 corintiano obrigou Gabriel Grando a boa defesa na etapa final, novamente o cenário se repetiu. Desta vez foi Geromel a cobrar o lateral-esquerdo por não acompanhar o atacante.

Foi a maneira encontrada para manter o time ligado o tempo todo. Depois do gol sofrido, Kannemann foi quem conversou com Villasanti, que errou na marcação e deixou Renato Augusto para chutar de fora da área e acertar o ângulo de Gabriel. Obviamente já não adiantava mais, mas foi outro exemplo que os jogadores estavam atuantes neste ponto.

Muito antes do empate do Corinthians, o gol marcado por Diego Souza havia dado esperança de vitória aos gremistas. O centroavante teve uma vibração acima do tom ao empurrar a bola de carrinho para as redes e saiu batendo no peito em direção à torcida gremista. Foi até uma câmera atrás do gol de Cássio e gritou:

– Eu nunca estive morto.

O Grêmio também mudou a logística para deixar o estádio direto para o aeroporto por conta da possível presença de corintianos no hotel da delegação, em Garulhos. Na madrugada de domingo, torcedores estiveram no local para soltar foguetes e deixaram flores e um caixão com os cores do clube em provocação pelo iminente rebaixamento.



Veja também