Com a nova diretoria, o Grêmio terá também um outro diretor executivo no futebol. Após cerca de um ano e meio em Porto Alegre, Diego Cerri fez um balanço da sua passagem, apontou legados deixados no clube e afirmou que não há definição sobre seu futuro – o Santos já mostrou interesse. O principal alvo de Alberto Guerra é Rodrigo Caetano, atualmente no Atlético-MG.

Cerri passa seus últimos dias na capital gaúcha e atendeu ao ge no CT Luiz Carvalho. O dirigente aproveitou o período para fechar o seu ciclo com relatórios que passará para a nova diretoria. Começou, por exemplo, conversas com o Fluminense para manter Biel.

Nessa transição, Diego Cerri mostrará para a equipe de Alberto Guerra, por exemplo, sugestões de prospecções no mercado e avaliações de atletas da base que podem ganhar oportunidades. Além disso, em conversa com ge, disse que deixa dois principais “legados”: a saúde financeira e a estruturação interna dos departamentos no CT Luiz Carvalho.

– Eu falei para eles (jogadores): “eu vou ser o chato do negócio. Vocês podem não gostar, mas no final isso vai contribuir para atingirmos os objetivos” – destacou sobre as novidades internas.

Diego Cerri, diretor executivo do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Diego Cerri, diretor executivo do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

O diretor executivo chegou no Grêmio em junho de 2021, quando Tiago Nunes era o técnico e o clube vivia uma reestruturação após o título do Gauchão e início do Brasileiro. Uma de suas primeiras demandas quando pisou no CT foi reduzir o grupo de jogadores.

– Vendemos ou emprestamos jogadores coadjuvantes, que não estavam nem jogando. Foi algo que me pediram quando eu cheguei aqui. O Grêmio cometeu um erro, que depois da saída do Renato (em 2021), a diretoria resolveu colocar vários garotos novos no principal que nunca tinham jogado e poucos preparados para atuar naquele momento – contou Cerri.

No ano do rebaixamento, o clube passou por constantes mudanças, principalmente de treinadores. Mas teve trocas também no departamento de futebol, como a saída de Marcos Herrmann e a chegada de Dênis Abrahão na posição de vice-presidente de futebol.

As trocas, aliadas aos maus resultados, minaram o vestiário, que não soube lidar com as mudanças. Mas também influenciaram negativamente na busca de reforços. O Tricolor contratou Villasanti, Campaz e Borja, mas outros nomes poderiam ter chegado naquela janela de transferência.

Nomes como o de Michael, Jailson, ex-goleiro do Palmeiras, Nikão, Gilberto, ex-centroavante do Bahia, e Moisés, atacante que está no Fortaleza, estiveram na pauta, mas não foram aprovados.

O clube acabou rebaixado com uma folha salarial de R$ 15 milhões. Com isso, a principal demanda de Diego Cerri passou a ser diminuir os gastos, até porque o Grêmio sofreu também com a queda de receitas.

– Trabalhamos desportivamente com essas metas de conquistar o estadual e subir para a Série A. Depois era reduzir o número de jogadores no elenco, que era muito grande e difícil de gerir, porque você reduz a folha e por conta da gestão interna, reduz o número de pessoas que não participam efetivamente – conta o diretor.

Diego Cerri junto com Felipão em passagem no Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Diego Cerri junto com Felipão em passagem no Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Para 2022, o Tricolor buscou liberar jogadores e contratar outros que se encaixaram na nova realidade do clube. O custo mensal com os atletas foi em média de R$ 10 milhões durante a Série B, embora a meta fosse reduzir mais.

Na autoavaliação, Diego Cerri ressaltou algumas mudanças estruturais implementadas neste ano. Por exemplo, foi instalado no CT Luiz Carvalho processos pré-treino em que os jogadores respondiam questionários em totens e as informações chegavam em todos os departamentos on-line.

– Fiz a minha palestra e depois cada um fez dentro da sua área, dizendo como seria, o que o jogadores precisavam cumprir, a chegada deles, o pré-treino que colocamos. Implementamos os televisores com programação de treinos, os objetivos da semana, cargas, o quanto tinham corrido no treino e no jogo anterior. Eu falei pra eles: “eu vou ser o chato do negócio. Vocês podem não gostar, mas no final isso vai contribuir para atingirmos os objetivos” – revelou.

Diego Cerri, diretor executivo do Grêmio, durante pré-temporada — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Diego Cerri, diretor executivo do Grêmio, durante pré-temporada — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Com isso, a comissão técnica pôde acompanhar a condição física dos atletas e suas avaliações em telões, também implementados para essa temporada. Mesmo com a chegada de Renato, a rotina não foi alterada.

Segundo Cerri, foram realizadas algumas mudanças no departamento de mercado do Grêmio. Foi adotado um novo sistema de observação de jogadores, em que avaliadores do clube assistem jogos e selecionam os destaques, depois cruzam as anotações e levantam as avaliações.

Foi assim que o diretor executivo montou um relatório com possíveis jogadores que podem ser buscados no mercado, que contém vídeos, estatísticas e informações dos agentes. Esse documento será entregue para Alberto Guerra.

Gosto de mapear América do Sul, brasileiros no exterior e campeonatos locais.

— Diego Cerri, diretor executivo

Diego Cerri (esq.), novo diretor executivo do Grêmio, ao lado de Amodeo e Hermann — Foto: Lucas Bubols/ge.globo

Diego Cerri (esq.), novo diretor executivo do Grêmio, ao lado de Amodeo e Hermann — Foto: Lucas Bubols/ge.globo

A ideia de Cerri era contratar, pelo menos, mais dois profissionais para o departamento de mercado e fazer melhorias no espaço físico deste setor. Além de alvos no mercado, tem também sugestões de jogadores da transição que podem receber oportunidades no profissional. O principal nome é o lateral-esquerdo Cuiabano.

Exemplos de nomes que também estão na lista são os laterais Fernando, da Chapecoense, e Wendell, ex-Grêmio e atualmente no Porto, de Portugal. Recentemente o Tricolor passou a integrar uma nova plataforma online, que busca facilitar a integração de dirigentes, o Transfer Room.

Diego Cerri foi procurado para se transferir para o Santos. No entanto, o executivo não tem a intenção de assumir um trabalho colado no outro neste momento. Sua ideia inicial é ter um descanso com a família para depois encarar um novo desafio.



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