Um dos principais assuntos do Grêmio depois das duas rodadas sem vitória na Série B diz respeito à característica do meio-campo. O jejum de gols na principal competição do ano gera questionamentos sobre o tripé utilizado por Roger Machado e a possibilidade de colocar um jogador mais ofensivo na formação.

Atualmente, o técnico não tem uma opção semelhante ao volante Bitello, daqueles meio-campistas que marcam e atacam na mesma medida. Mas o pedido por mudança ganhou coro até do presidente Romildo Bolzan Júnior, que afirmou ter conversado sobre o tema com Roger.

O treinador é o Roger, ele tem uma lucidez enorme do que tem na mão. Tem reiterado nas suas entrevistas que o time que está jogando é capaz de ser criativo. Tem certeza que há mecanismo de jogo, e o detalhe é a finalização. Acho que precisamos de alternativas mais leves e criativas, de jogadores diferentes do estilo que ele tem originalmente escalado – destacou o dirigente em entrevista coletiva na segunda-feira.

Benítez, Gabriel Silva, Gabriel Teixeira são jogadores diferentes. Colocar o Campaz por dentro…Ele (Roger) sabe o que dispõe.
— Romildo Bolzan Júnior

Conforme apurou o ge, a manifestação pública do presidente foi de apoio ao treinador e não uma “luz alta”. Ainda assim, Romildo afirmou que o Grêmio “não tem tempo” e cobrou uma reação já contra o Guarani, na quinta-feira, na Arena. Afinal, o Tricolor tem um ponto e está no Z-4 da Série B.

Abaixo, o ge mostra as opções que Roger tem para montar um meio-campo mais ofensivo em relação ao atual, seja para começar as partidas ou virar alternativa no segundo tempo.

Gabriel Silva

O jovem tem sido a primeira alternativa quando Roger muda o meio-campo. Na derrota para a Chapecoense, entrou aos 21 minutos do segundo tempo.

Meia nas categorias de base, atua pelo lado esquerdo do tripé formado pelo treinador no dia a dia de trabalhos com a equipe reserva – atualmente, Bitello é o titular no setor. Neste caso, a parte tática seria mantida.

Chegou a ser usado pelos lados nas primeiras chances no profissional, com Vagner Mancini. Aos 19 anos, pulou direto da Copa São Paulo para a equipe principal na temporada.

Bitello e Gabriel Silva em treino do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Bitello e Gabriel Silva em treino do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Benítez

O argentino tem sido pouco utilizado desde a chegada de Roger por opção técnica. Na última vez, na vitória sobre o Ypiranga na final do Gauchão, ainda antes do início da Série B, entrou em campo nos acréscimos.

O técnico “encontrou” a formação com três jogadores de mais marcação no meio e atacantes abertos. Mas o camisa 8 segue com bom cartaz e tem treinado no tripé do time reserva pela meia direita.

O presidente Romildo Bolzan Júnior, inclusive, citou nominalmente o jogador em sua entrevista na segunda-feira. Se utilizado, Benítez poderia estar tanto em uma equipe com o trio de meio-campo quanto no esquema 4-2-3-1.

– O Benítez tem uma característica, e o Roger está se preparando. Criar um esquema alternativo, não vai fazer um time de monopólio. Todo mundo reconhece que o Benítez tem enorme qualidade para mudança de partida. O treinador vai saber – citou Romildo.

Fernando Henrique e Benítez em treino do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Fernando Henrique e Benítez em treino do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Gabriel Teixeira

O reforço contratado por R$ 500 mil do Fluminense é opção tanto pelos lados quanto por dentro. Ou seja, é alternativa para variar também o esquema. Pode ser o meia pela direita, com Bitello à esquerda, ou então o homem central, com Bitello ao lado de Villasanti.

O fato de poder atuar em mais de uma função foi determinante para a comissão técnica indicar a contratação do jovem. E Roger tem nele uma possibilidade real para o centro do campo.

Campaz pelo centro

Gabriel Teixeira e Campaz em treino do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Gabriel Teixeira e Campaz em treino do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

O camisa 7 gremista foi adaptado por Roger como ponta direita. Apesar da dedicação tática, o colombiano fica mais longe do gol nesta formação, o que significa chances menores de finalizar, o seu ponto forte.

O treinador tem a opção de retirar um dos volantes – o mais cotado a sair seria Lucas Silva – e modificar o formato do meio-campo.

Assim, Villasanti e mais um jogador estariam alinhados. Um ponta entraria do lado direito, com Campaz pelo centro. Elias, Janderson e Gabriel Teixeira são as alternativas, já que o retorno de Diego Souza é certo no comando do ataque contra o Guarani.



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