David Braz “veste a camisa”, vira protagonista em primeiros atos no Grêmio e começa a “pagar conta”

Zagueiro recorda gol marcado pelo Flamengo contra o Tricolor que tirou título do Inter em 2009; atuação contra o Libertad mostra total integração ao clube

28 de julho de 2019 - Às 17:37
Foto: Matheus Beck

A torcida do Grêmio quase pôs a Arena abaixo quando David Braz marcou o gol que sacramentou o 2 a 0 sobre o Libertad na última quinta-feira, na partida de ida das oitavas de final da Libertadores.

Não apenas pelo motivo evidente da vantagem ser ampliada, mas porque o protagonista do lance foi um recém-contratado que teve a missão de substituir nada mais nada menos que Pedro Geromel. Os primeiros passos do zagueiro em Porto Alegre já evidenciam uma rápida identificação com a camisa tricolor.

A tarefa na última quinta foi cumprida com tal excelência que, além de impedir o adversário de se aproximar da meta gremista, Braz ainda mostrou seu lado atacante. Na próxima semana, basta repetir o entrosamento com Kannemann para agradar novamente.

O defensor pode estar em campo nesta segunda, contra o CSA, pela 12ª rodada do Brasileirão. Na quinta-feira seguinte, será titular na decisão da vaga às quartas de final da Libertadores, diante do Libertad, no Paraguai. Expulso no primeiro jogo, Geromel está fora da partida.

– Já tinha o desafio de honrar esta camisa, que tem um peso muito grande, pela sua história de conquistas e glórias. Agora mais ainda por ter jogadores de qualidade na defesa, um treinador que tem história. É um desafio que aceitei e estamos trabalhando da melhor maneira possível para ajudar o Grêmio – diz o defensor

Aos 32 anos, David Braz já marcou 30 gols na carreira. No Grêmio, precisou de apenas três jogos e 213 minutos para fazer o primeiro. No entanto, ainda faltam dois para equilibrar uma conta que é vantajosa ao jogador, mas desfavorável ao clube: foram três gols marcados por Santos e Flamengo sobre o Tricolor.

– Destes três gols, um o torcedor do Grêmio não está bravo comigo (risos). Foi aquele em 2009, quando atuava pelo Flamengo. Se não fizesse aquele gol, o Inter seria campeão. O torcedor gremista ficou bastante feliz, acredito. Estou devendo só mais um – brinca.

Braz também deu mostras de ter “vestido a camisa” do clube. No lance do gol de Diego Tardelli, que abriu o placar contra o time paraguaio, é ele quem pede o apoio da torcida antes da cobrança de escanteio de Alisson. Faz o conhecido gesto com as mãos para os tricolores levantarem e cantarem.

“Quando eu chamo assim a torcida é porque a gente sabe o quanto motiva. Foi o que aconteceu. Empurrou a gente e logo em seguida saiu o gol. É esse clima que a gente tem que buscar aqui na Arena” (Braz, após a vitória sobre o Libertad)

David Braz quer fazer parte de um panteão vivo que integra o grupo neste momento. É treinado por Renato Portaluppi, a lenda transformada em estátua que é seu comandante direto, e precisará substituir Pedro Geromel, capitão do último título da Libertadores e que deixará seus pés na calçada da fama do clube.

Dos títulos em disputa pelo Grêmio nesta temporada, o único que o grupo atual ainda não tem é o do Brasileirão. Poucos atletas do plantel, aliás, o possuem. Léo Moura, Galhardo e Paulo Victor estiveram com David Braz na última conquista do Flamengo, há 10 anos. Alisson ganhou pelo Cruzeiro, Diego Tardelli pelo São Paulo, Paulo Miranda conquistou um campeonato austríaco.

– Importante a gente estar sempre fortalecendo, dando confiança para todos os jogadores. O professor Renato tem dado estas oportunidades. Temos que mostrar a força do grupo e ir trabalhando para conseguir, quem sabe, conquistar os títulos que temos pela frente – destaca o zagueiro.

Em Maceió desde o final da tarde de sábado, o Grêmio treina pela manhã neste domingo e encara o CSA às 20h de segunda. Na terça, viaja no início da tarde para Assunção, no Paraguai, local da partida de volta das oitavas de final com o Libertad. Até mesmo uma derrota por um gol de diferença classifica o Tricolor para a próxima fase.



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