São dois meses apenas. Mas 60 dias na realidade paralela do futebol pode ser tempo até demais. Foi tempo suficiente para Rafinha assumir a vaga de titular, levar a faixa de capitão, ser expulso em final e levantar a primeira taça pelo Grêmio logo em um Gre-Nal.

Tudo isso é um resumo da presença do lateral-direito em Porto Alegre. Mas o papel de Rafinha vai além. Prestes a completar 36 anos, se consolidou como liderança dentro do elenco rapidamente, impressionou a diretoria com sua importância e foi protagonista até na comemoração do título.

A roda de samba, uma das marcas do lateral, teve a presença de vários jovens, como Vanderson, Jhonata Robert, Léo Pereira, Ricardinho e Darlan, além do também experiente Diego Souza. Simboliza muito o que faz diariamente o atleta.

— É um cara vencedor, com bagagem enorme e tem tudo para nos ajudar no futuro — disse Ferreira, em entrevista recente ao ge.

Rafinha deixa o campo da Arena do Grêmio com tantã — Foto: Eduardo Moura

Rafinha deixa o campo da Arena do Grêmio com tantã — Foto: Eduardo Moura

Os relatos internos são de um atleta que “cola cada dia em um jogador da base diferente”. Depois do treino, conversas e resenhas das mais variadas. Rafinha já trilhou o caminho que vários querem seguir. E exerce o fascínio sobre os jovens em busca do estrelato.

Isso não de agora, claro. Desde sua chegada, mas mais acentuado após as fases decisivas do Gauchão. Nas semifinais com o Caxias, por exemplo, a diretoria relatava em conversas informais o tamanho da importância do atleta internamente.

— O Vanderson aprende com o Rafinha detalhes importantes da posição. Encorajamos o que ele tem de melhor, que é a vitalidade, força física, chegada ao ataque. O Rafinha é diferenciado e tem maturidade para entender os espaços — comentou Tiago Nunes após o primeiro jogo contra o Caxias.

As constantes orientações e a postura no dia a dia o colocaram rapidamente entre as lideranças do elenco. Um grupo formado por Geromel, Kannemann, Maicon, Cortez e que ganhou Rafinha e Douglas Costa. O tom agregador do lateral era uma das razões para sua contratação ser defendida pelo técnico Renato Portaluppi antes da saída.

Líder também da zoeira

Rafinha levou a braçadeira de capitão já na vitória sobre a La Equidad, pela Sul-Americana, dia 22 de abril, ainda antes da estreia de Tiago Nunes. Isso mesmo com Cortez e Diego Souza em campo, duas referências já dentro do elenco também.

Junto disso também está a zoeira. Na comemoração do Gauchão no vestiário da Arena, no ritmo do inseparável cavaquinho, o lateral abusou do “partido alto” e compôs de improviso versos com provocações ao rival. Os pontos com a torcida, que nem precisavam ser ganhos, já caíram para o lateral.

Em campo, o perfil mais físico e combativo aparece para jogos mais importantes. Casa com o modelo do técnico Tiago Nunes, que pede sempre uma equipe que “ganhe duelos”.

Prestes a iniciar mais um Brasileirão, Rafinha e os principais jogadores do Grêmio não viajam para o Equador para o duelo com a La Equidad, pela Sul-Americana. No fim de semana, o compromisso é contra o Ceará.



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