Cortez credita vitória no Gre-Nal a Renato e rebate críticas: “Não caí no Grêmio de paraquedas”

Lateral-esquerdo fala sobre titularidade no clássico e projeta briga com Diogo Barbosa

25 de setembro de 2020 - Às 08:03

Bruno Cortez atende o telefone, aciona o viva-voz no seu carro e dirige em direção ao CT Luiz Carvalho. O papo de quase 20 minutos com a reportagem do ge no início da tarde de quinta-feira ocorre menos de 24 horas após mais uma vitória do Grêmio em Gre-Nais. Além do clássico, o lateral falou sobre as más atuações recentes do time, rebateu críticas e exaltou o técnico Renato Portaluppi.

Afinal: se havia cobranças e presão, tudo isso ficou no passado – ao menos por ora – na última quarta-feira. O clássico no Beira-Rio foi quase protocolar para Cortez. Ele foi titular na vitória por 1 a 0 do Grêmio, pela 4ª rodada do Grupo E da Libertadores. O 10º Gre-nal de invencibilidade gremista, e o quinto no ano.

Não caí no Grêmio de paraquedas, não vim porque sou amigo do Renato, do presidente. Todo ano tenho que provar que sou merecedor de estar num grupo maravilhoso. Independente se chegar outro lateral, vou mostrar que tenho condição de honrar essa camisa (Bruno Cortez)

Cortez, Marcos Guilherme, Inter x Grêmio — Foto: REUTERS/Diego Vara

Cortez, Marcos Guilherme, Inter x Grêmio — Foto: REUTERS/Diego Vara

O tom de voz leve de Cortez quando conversa sobre a vitória no Gre-Nal ganha contornos mais sérios ao falar da turbulência. Principalmente no Brasileirão, em que o time é 12º colocado, com sete empates, uma vitória e uma derrota.

Cortez admite a confiança elevada após vencer o clássico, mas que o trabalho do grupo gremista é sempre com pés no chão. Ele também respondeu as críticas e a pressão que tem a cada lateral-esquerdo que chega ao Grêmio. O mais novo companheiro e concorrente é Diogo Barbosa.

Com ou sem Cortez, o certo é que o Grêmio terá mais um confronto complicado pela frente. No próximo sábado enfrenta o líder do Brasileirão Atlético-MG, no Mineirão. Na terça seguinte o Tricolor recebe a Universidad Católica na Arena, pela 5ª rodada da fase de grupos da Libertadores. Tudo isso, nas linhas a seguir.

Confira a íntegra da entrevista:

gePrimeiramente, parabéns pela vitória. Mas me conta: qual o segredo para seguir vencendo Gre-Nais?

Bruno Cortez: (risos)…Não tem segredo. O que faz a diferença é a confiança que o nosso treinador passa para o grupo e a motivação que temos nessa rivalidade. Sabemos que o Gre-Nal não são apenas três pontos. É uma briga com a liderança, buscando a classificação na Libertadores. Sabíamos da importância do jogo. Todo momento o Renato passou confiança, ele fala que tem um grupo, não só 11 jogadores. Todas vezes que jogamos Gre-Nal ou outros jogos, entramos focados, em busca sempre da vitória. Nem sempre é como queremos. Mas o segredo do Grêmio é jogar do mesmo estilo que jogamos contra o Inter, muita raça e entrega. Isso os torcedores têm cobrado muito da gente.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

O presidente Romildo disse que a sequência de Palmeiras, Inter e Galo era para “mudar a página”. Já foram dois jogos. Vocês estão no caminho? Afastando essa crise?

Aqui no Grêmio vivemos jogos após jogos. Vamos nos preparar para um jogo difícil agora, contra o líder do campeonato, o Atlético-MG. Cada jogo temos uma história diferente. Colocamos um ritmo de jogo para sempre brigar lá em cima. É normal a torcida e as pessoas cobrarem. A gente sabe disso, que tem que dar um pouco mais. A comissão sabe que todos jogadores devem dar um pouco mais. Temos que colocar o Grêmio onde ele nunca devia ter saído, que é lá de cima. Fazemos de tudo para voltar ao padrão.

Por onde passou a vitória no clássico?

Acho que a vitória passou pelo Renato, a confiança que ele deu, o nosso presidente disse que confia na gente. Os torcedores, mesmo na pandemia, estiveram na nossa saída para o estádio, fizeram uma festa linda. Isso motiva. Mostra a confiança que os torcedores têm na gente, que acreditam no nosso grupo. Isso passa tranquilidade.

“Temos um jeito de jogar que não muda há quatro anos. O Grêmio não é copeiro à toa, está acostumado a jogos decisivos, jogos que pedem alta concentração. É o que falamos: se nosso time entrar focado, determinado, é muito difícil do adversário ganhar da gente”.

São 10 Gre-Nais sem perder, Inter não marca há gol há vários clássicos…Tudo isso mexe com o psicológico do torcedor. Mas isso entra em campo?

A nossa equipe tem um jeito de jogar. O Renato passa para gente, tudo mastigado. Ele fala do ponto forte e fraco do adversário. Fala também do psicológico da equipe deles. Ele dá tranquilidade, entrar no clássico solto, leve, mas com responsabilidade. Todos sabemos da importância de um jogo desses, sabemos o que devemos fazer, o que queremos. Mostramos isso, que queríamos vencer. Conseguimos.

Vocês têm um psicológico forte, isso?

Temos um psicológico muito forte. Temos um jeito de jogar que não muda há quatro anos. O Grêmio não é copeiro à toa, está acostumado a jogos decisivos, jogos que pedem alta concentração. É o que falamos: se nosso time entrar focado, determinado, é muito difícil do adversário ganhar da gente. Agora, tem vezes que a gente pode entrar desfocado e nos complicamos nos jogos. Mas todas vezes que entramos focados e determinados, a gente sempre espera um resultado positivo.

A invencibilidade de 10 jogos é uma das maiores da história do clássico. Como você vê essa marca atingida?

Claro que é importante para os torcedores, para gente também. Dá tranquilidade para trabalhar e estar focado. Não conquistamos nada. Estamos com os pés no chão, nosso grupo é muito humilde. Sabemos que temos que melhorar cada vez mais. A vitória veio para incentivar, motivar mais o nosso trabalho, grupo, blindar mais os jogadores, para continuarmos buscando algo grande esse ano.

Cortez Grêmio x Caxias — Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

Cortez Grêmio x Caxias — Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

Você se consideram um “homem Gre-Nal”? Aliás, você tem 11 clássicos disputados: duas derrotas, três empates e seis vitórias.

Não, não. Ainda tem muita coisa para conquistar ainda, muita coisa para mostrar com a camisa do Grêmio. Esse Gre-Nal que vencemos, passou. Temos que pensar no próximo jogo, o Atlético-MG, depois a Católica. O que vai carimbar essa conquista no Gre-Nal serão os próximos jogos. Agora a gente tem que manter esse nível que mostramos. Não pode jogar um jogo com muita qualidade num Gre-Nal e depois deixar escapar os outros jogos.

Com todo esse retrospecto positivo em Gre-Nal, será que não sai um ‘golzinho’?

Está tendo chuva de Gre-Nal esse ano. Fico feliz. Gre-Nal é um clássico diferente, é o maior que já disputei na minha vida. Quem sabe num próximo Gre-Nal fazer um gol, dar uma assistência. Minha última assistência em Gre-Nal foi para o Luan lá no Beira-Rio. Sempre quando temos a oportunidade de fazer gol ou dar assistência, honra muito nosso trabalho. Mas é sempre importante o coletivo, o grupo sair vencedor, não dar brecha lá atrás.

“É só você pegar a camisa do Grêmio, a história, um clube grande, que me proporciona jogar Libertadores. Não tem motivação maior que essa”.

O que acontece contigo em jogos decisivos? Parece que você cresce, quase um capitão sem a braçadeira.

Esses jogos decisivos motivam qualquer jogador. É só você pegar a camisa do Grêmio, a história, um clube grande, que me proporciona jogar Libertadores. Não tem motivação maior que essa. Todas as vezes que o Renato dá oportunidade para jogar, ainda mais jogos desses, mostra a confiança dele e do grupo em mim. Sempre dou meu máximo, para sempre conseguir sair vitorioso. Sei que não só os torcedores, mas a minha família está apoiando, incentivando e acredita em mim.

Como você lida com a pressão da torcida, da imprensa, quando te questionam a cada novo lateral-esquerdo que o Grêmio contrata? Teve com Caio Henrique recentemente.

Lido super bem. Estou em um clube muito grande, campeão do mundo, da Libertadores. Então, isso é normal. O torcedor quer ver o grupo forte. Chegou agora o Diogo Barbosa, excelente jogador. Independente se ele jogar, eu jogar, quem ganha é o Grêmio. Não caí no Grêmio de paraquedas, não vim para o Grêmio porque sou amigo do Renato, amigo do presidente.

Eu tenho que mostrar dentro de campo que mereço. Independente se chegar outro lateral ou não, vou mostrar que tenho condição de estar num grupo desses, de honrar essa camisa. Tem jogos que não vou jogar bem, mas tem outros que vou arrebentar. Na minha vida, sempre vivi com muita pressão e dificuldade, mas nunca recuei. Sempre trabalhei, dediquei.

Como é essa disputa com Diogo Barbosa agora? O Grêmio pagou um valor alto nele, a torcida tem uma expectativa alta também.

Crescem muito tanto ele quanto eu. É uma concorrência sadia. Um respeita o outro. Conversamos muito. Minha briga não é eu e o Diogo, nossa briga é colocar o Grêmio onde ele merece. Se o Diogo jogar, vou incentivar ele, se eu jogar, ele me vai me incentivar. Se eu cair, ele cai também. Se eu subir, ele sobe também. Nesse barco, todos temos que estar na mesma direção. Por isso o grupo é vitorioso, independente de quem jogar vai dar conta do recado.



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