Montagem sobre fotos de Lucas Uebel / Grêmio/Divulgação

Ao longo dos 288 dias que já se passaram neste ano, o Grêmio iniciou seus jogos com 13 duplas de volantes diferentes. A que mais foi a campo é a considerada titular e mais cotada para iniciar a partida contra o Bahia, na noite desta quarta-feira (16), e também o duelo decisivo da próxima quarta-feira, diante do Flamengo, no Maracanã, pela volta da semifinal da Libertadores: Maicon e Matheus Henrique.

No empate em 1 a 1 com os cariocas na partida de ida, na Arena, em 2 de outubro, o técnico Renato Portaluppi escalou Michel e Matheus Henrique. Naquele momento, havia dois argumentos a serem levados em conta. O experiente Maicon, 34 anos, recém voltava de uma lesão na panturrilha que o afastou dos gramados por mais de um mês. Além disso, imaginava-se que a dupla escalada daria mais sustentação ao meio-campo, com marcação forte sobre o bom sistema ofensivo do Flamengo. Em campo, porém, o time não teve o desempenho esperado.

— Não dá para colocar a culpa na dupla de volantes. Cada jogo tem uma história. E, de modo geral, toda equipe do Grêmio não esteve bem naquele empate com o Flamengo — ressalta o ex-volante Eduardo Costa, campeão da Copa do Brasil em 2001 e finalista da Libertadores de 2007 pelo clube.

É praticamente unânime a ideia de que, para buscar um resultado favorável no Rio de Janeiro no dia 23, o Grêmio terá de ter o domínio da bola e atacar o Flamengo. Para impor esse conceito, as presenças de Maicon e Matheus Henrique se fazem necessárias.

— Creio que o Renato vá colocar a equipe para propor o jogo, colocando Maicon ao lado do Matheus. O estilo da equipe, de posse de bola, depende muito desses dois jogadores. Mas, como são dois times que têm esse modelo, será um jogo aberto — avalia o ex-volante Pingo, campeão da Copa do Brasil de 1994 pelo Grêmio e atual técnico do Tubarão, de Santa Catarina.

Em alta e bem fisicamente, Matheus Henrique é presença certa na equipe que iniciará o jogo da próxima quarta-feira. A dúvida entre Maicon e Michel está praticamente definida, em favor do antigo capitão. Mas, se recorrermos aos números, Michel tem retrospecto positivo quando atua como volante. Ao lado de Matheus Henrique, foram cinco jogos, com quatro vitórias e um empate. Como companheiro de Maicon — dupla que iniciou a temporada como titular — são 11 partidas, com nove vitórias e duas derrotas. Já Maicon e Matheus Henrique têm, juntos, 18 jogos, oito vitórias, sete empates e três derrotas em 2019, aproveitamento inferior às outras formações.

É preciso levar em conta que essa dupla não atuou na fase inicial do Gauchão, quando os resultados foram bastante favoráveis ao Grêmio. Também deve ser ressaltado que Michel e Maicon têm bons números atuando juntos, mas foram mal nos jogos da fase de grupos da Libertadores e viram a parceria ser desfeita pelo treinador.

Ainda que Maicon e Matheus Henrique não sejam exímios marcadores, os ex-volantes tricolores consultados pela reportagem entendem que não haverá prejuízo defensivo com os dois em campo.

— O Renato não é bobo, sabe que não pode ir para Maracanã apenas para se defender. Um dos grandes trunfos do Grêmio, com certeza, será ter a bola e fazer o Flamengo sofrer — avalia Eduardo Costa.

Para Pingo, a proteção da defesa depende mais do posicionamento dos atletas do que das peças que serão utilizadas:

— Às vezes, você joga com três volantes e é envolvido. O Flamengo não joga com nenhum volante de marcação, todos saem para o jogo. Então, são times que gostam de atacar e não há prejuízo defensivo por isso.

A última chance para tirar qualquer dúvida será na noite desta quarta, quando o Grêmio recebe o Bahia na Arena, às 19h15min. Esse será o último teste dos titulares antes do confronto com o Flamengo, já que no fim de semana a equipe será reserva no jogo contra o Fortaleza, no Castelão.



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