Lucas Uebel / Grêmio FBPA

A noite de terça-feira (23) foi a melhor do Grêmio na Libertadores 2019: vitória por 2 a 0 sobre o Libertad, no Paraguai, e a garantia de que depende apenas das próprias forças para seguir na competição. Mas, também é verdade, não foram só notícias boas: a suspensão de Matheus Henrique, pelo terceiro cartão amarelo, pode ter impacto nas forças que o time de Renato tem para o jogo decisivo do dia 8 de maio, na Arena, quando receberá a Universidad Católica no jogo mais importante da temporada.

Sem a jovem revelação, a tendência é que o treinador volte a usar a dupla de volantes que começou o ano como titular: Maicon e Michel. E há duas formas de analisar esta condição: a boa é que o Grêmio teve 71,4% de aproveitamento nos jogos em que eles jogaram juntos, com direito a 21 gols marcados e apenas dois gols sofridos. A ruim é que, na Libertadores, o time perdeu as duas partidas em que teve os dois, para o Libertad, na Arena, e para a própria Universidad Católica, no Chile.

— Em 2017, o Michel recebeu a Bola de Prata jogando ao lado do Maicon. Só que, neste momento, ele não é nem sombra daquele jogador. A perda de mobilidade e dinâmica sem o Matheus Henrique, que hoje é o mais titular do meio-campo do Grêmio, é enorme. O Jean Pyerre vai ter de compensar a agilidade que o Grêmio perde com o Michel — analisa Diogo Olivier, colunista de GaúchaZH.

O problema de Maicon tem sido uma tendinite no joelho. Por conta dela, o volante foi substituído exatamente por Michel nos dois Gre-Nais da final do Gauchão e na vitória sobre o Libertad. Na semana passada, Maicon admitiu a limitação física pela qual passa — e que possivelmente fará com que ele não enfrente o Santos, no domingo, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro.

— Carro velho precisa de manutenção. Eu venho há mais ou menos um mês e pouco com dores no joelho, que vêm me atrapalhando — revelou.

Depois do jogo contra os paraguaios, Maicon disse que preferiu sair mo intervalo para evitar um prejuízo ao time no segundo tempo:

— Senti algumas fisgadas e achamos que o melhor era sair e dar lugar a alguém com mais condições físicas. Vou fazer um exame para saber se não tive nada. O campo estava muito pesado e me dava pontadas. Estamos com uma sequência de jogos, foram cinco, seis. Isso pesa um pouco.

No Gauchão, a dupla de Maicon e Michel foi altamente eficiente. Eles formaram o setor defensivo em quatro partidas: 3 a 0 no Juventude, 4 a 0 no São Luiz, 6 a 0 no Avenida e 2 a 0 no Veranópolis. Além disso, estiveram ao mesmo tempo em campo na goleada por 6 a 0 sobre o Juventude nas quartas de final, mas Michel atuou improvisado na zaga – Thaciano jogou no meio-campo ao lado de Maicon. Ou seja: foram 21 gols marcados e nenhum sofrido em cinco jogos. A situação é totalmente oposta na Libertadores: nenhum gol feito e dois sofridos, com duas derrotas em dois jogos.

— O Grêmio tem dois jogadores que sabem o que fazer com a bola. Tanto o Maicon quanto o Matheus. É normal que, quando você perde um jogador com essas características, você perde um pouco de qualidade na saída de bola. Mas, por outro lado, entra outro com outras qualidades. É normal que você mude a maneira de jogar. Mas não temos todos jogadores da posição que fazem isso. Uns têm algumas qualidades, outros têm outras. Eu tenho um grupo. Nem sempre todos vão jogar. É normal perder uma qualidade de um lado, mas ganha de outro — ponderou Renato Portaluppi, na coletiva após o jogo no Defensores del Chaco.

As opções do Grêmio para a posição são limitadas na Libertadores. Só Matheus Henrique, Maicon, Michel, Thaciano e Rômulo estão inscritos — o jovem Darlan, escalado no Estadual, ficou fora da lista. Walter Montoya, que é preferencialmente utilizado na extrema direita, também poderia ser colocado no setor em uma eventualidade. E, para o colunista de GaúchaZH Leonardo Oliveira, o argentino pode se tornar a melhor alternativa.

— O retrospecto recente da dupla Maicon e Michel não é bom. Foi com eles que o time teve as duas piores atuações no ano, nas derrotas para Libertad e Universidad Católica. Prefiro ver Montoya ao lado de Maicon. Quem sabe ele não possa ganhar ritmo já a partir do Brasileirão — avaliou.

Antes de pegar a Católica, o time titular do Grêmio será usado duas vezes no Brasileirão, contra Santos e Avaí — a tendência é pela escalação de reservas contra o Fluminense, dia 5 de maio, por causa da proximidade em relação ao compromisso pela Libertadores. Uma dupla provável para o jogo de estreia é com Matheus Henrique, que tem condições legais de jogo para o Brasileirão, e Michel.



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