A pandemia do novo coronavírus forçou a paralisação de competições e o atraso de outras. Clubes, federações e entidades querem, em um primeiro momento, disputá-las. Esse cenário de calendário apertado fez com que o Grêmio mudasse o planejamento do seu time sub-23 para dar maior suporte aos profissionais. E isso pode fazer a diferença na temporada.

A ideia é que o grupo de transição sirva – ainda mais – para fornecer jogadores ao elenco principal. Mas não somente nos treinos. Garotos que ainda não estrearam profissionalmente ou que já estiveram no time de cima poucas vezes deverão ser mais utilizados com a retomada do futebol.

O clube trabalha com a possibilidade de ter três jogos em sete dias em algumas semanas caso permaneçam as fórmulas de Campeonato Gaúcho, Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores. Por enquanto, todas as competições estão mantidas.

Para suportar a carga excessiva de jogos que se vislumbra, 26 garotos da equipe de transição serão parte de um grande grupo de 59atletasao total – 33destes já estão no profissional. O Grêmio entende que os jovens irão suprir, pontualmente, algumas baixas por desgaste físico, lesões, suspensões ou até por preservação.

Equipe sub-23 é comandada pelo técnico Thiago Gomes — Foto: Rodrigo Fatturi/Grêmio

Equipe sub-23 é comandada pelo técnico Thiago Gomes — Foto: Rodrigo Fatturi/Grêmio

De acordo com uma pesquisa feita em 2019 pelo Observatório do Futebol do Centro Internacional de Estudos de Esportes (CIES), cada clube participante do Brasileirão usa mais de 35 jogadores por temporada. Ou seja, elevar o plantel contribui para diminuir o desgaste da equipe.

Olho neles

O suporte mais próximo no caso do Grêmio pode acelerar alguns processos. O clube entende que o jovem precisa ser lapidado até seus 21 ou 22 anos, para então ganhar mais chances no profissional – casos de Everton, Jean Pyerre e Pepê.

Recentemente, o zagueiro Ruan e o volante Lucas Araújo foram alçados ao grupo principal. O volante Diego Rosa, o meia Rildo e o atacante Elias são bem avaliados internamente. Mas serão aproveitados em caráter emergencial, já que são considerados ainda em fase de lapidação.

Diego Rosa foi o destaque do Grêmio na Copa São Paulo — Foto: Guilherme Rodrigues/GR Press

Diego Rosa foi o destaque do Grêmio na Copa São Paulo — Foto: Guilherme Rodrigues/GR Press

Dos garotos, há quem já tenha experiência entre os profissionais, como o goleiro Phelipe Megiolaro, o lateral Guilherme Guedes e os atacantes Guilherme Azevedo Ferreira. Com exceção do último, que está afastado do profissional por impasses contratuais, os demais devem ter chances na retomada.

O do grupo de transição do Grêmio

  • Goleiros: Phelipe Megiolaro, Gabriel Chapecó, Vinícius Garcia e Vinícius Machado
  • Laterais-direitos: Felipe, Vanderson, Ericson e Kevin
  • Laterais-esquerdos: Matheus Nunes, Guilherme Guedes e Jefferson
  • Zagueiros: Rafael Costa, Emanuel, Heitore João Guilherme
  • Volantes: Jhonata Varela, Victor Bobsin, Fernando Henriquee Diego Rosa
  • Meias: Rildoe Rafinha
  • Atacantes: Fabrício, Guilherme Azevedo, Ferreira, Hernandes e Elias

Assim como o elenco profissional, a transição gremista está de férias até a próxima quinta-feira. A tendência é que retome as atividades em contraturno dos profissionais: se o principal treina pela manhã, os jovens vão à tarde, e vice-versa.

Exemplos no Brasil

Junto do Grêmio, outros sete clubes do Brasileirão possuem uma equipe sub-23: Athletico-PR, Atlético-MG, Bragantino, Corinthians, Fluminense, Goiás e Santos. O Bahia e o Internacional se desfizeram dos seus times nas últimas semanas. Ceará e Fortaleza interromperam a construção do grupo de garotos por causa da suspensão do futebol.

A garotada tem ajudado esses clubes, como no caso do Furacão, que venceu o estadual em 2019 e manteve a estratégia neste ano. O Bragantino utiliza o time RB Brasil para disputar a Série A2 do Paulistão – nenhum jovem tem 23 anos ou mais.

A equipe de Aspirantes do Peixe é comandada pela comissão técnica dos profissionais, auxiliando no processo de transição dos jovens.



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