Foto: Jefferson Botega

O Gre-Nal da Má Fase, que encontrou o Grêmio em último e o Inter nas proximidades da zona de rebaixamento do Brasileirão, pela 11ª rodada, terminou como muita gente imaginou: 0 a 0. Nem a estreia de Felipão fez os tricolores terem vantagem, e nem a má fase do adversário fez o Inter quebrar uma seca de sete anos sem vitória na Arena. Para efeitos de tabela, o resultado do clássico 433 contou pouco, com ambos ameaçados.

Felipão não teve pudores em mexer no time. Fernando Henrique, antigo pedido da torcida, ganhou chance para seu primeiro Gre-Nal como titular, formando dupla com outro estreante, Victor Bobsin. À frente deles, devolveu Alisson à direita, manteve Douglas Costa centralizado e Ferreirinha na esquerda. Diego Souza como centroavante. Outro retorno foi o de Cortez à lateral. Sem Brenno, na seleção olímpica, Gabriel Chapecó foi para o gol.

Aguirre também mudou a equipe. Aproveitou todos os recuperados e mandou Taison a campo desde o começo, 24 dias depois de se lesionar, contra o Atlético-MG. Moisés, que sentiu dores musculares no aquecimento contra o Ceará (em 20 de junho), também retornou. Após cumprirem suspensão, Cuesta e Edenilson voltaram. O parceiro do argentino na zaga foi o uruguaio Bruno Méndez. Nas duas pontas, Caio Vidal e Patrick, e como centroavante o escolhido foi Yuri Alberto.

O Inter teve a primeira chance do clássico. Aos três minutos, Yuri Alberto pegou a bola no meio-campo e arrancou. Da entrada da área, pela esquerda, ele mandou de canhota, no cantinho, e Chapecó fez grande defesa. De novo, os colorados chegaram em ataque veloz. Cortez perdeu a bola na esquerda, Edenilson passou a Caio Vidal, que devolveu. Edenilson cruzou, Yuri ajeitou, Patrick bateu de primeira, desequilibrado, e o goleiro gremista pegou sem problemas.

A primeira conclusão gremista ocorreu aos 12 minutos. Após cobrança de escanteio, Daniel saiu no bolo e afastou. Ferreira pegou a sobra, conduziu da esquerda para a direita e chutou, nas mãos do goleiro colorado.

Até a metade do primeiro tempo, o Inter era melhor. Em um contra-ataque, esteve perto de ficar cara a cara com Chapecó, mas Edenilson errou o último passe já quase na área. Aos 25, Yuri Alberto tentou novamente. Ele se livrou de Geromel, bateu, a bola desviou e quase enganou o goleiro, mas saiu ao lado da trave.

O Grêmio também teve seu iminente contra-ataque atrapalhado por um passe errado. Taison foi desarmado no meio do campo, Douglas Costa correu pelo meio. Tinha Diego Souza indo para a direita e Ferreira pela esquerda. Demorou e, quando foi passar, acabou desarmado por Bruno Méndez.

A melhor oportunidade foi colorada, aos 35. Patrick levou a bola, trouxe para o meio e deu um passe perfeito para Taison, que ia entrando na área. De pé esquerdo, ele chutou quase à queima-roupa, e Chapecó fez uma grande defesa, abafando a conclusão.

Pouco antes do final, Ferreira, que já vinha acusando dores no joelho, caiu definitivamente depois de tentar chutar. Ficou deitado e não retornou até o intervalo.

Aliás, nem voltou para o segundo tempo. Léo Pereira entrou em seu lugar. No Inter também houve troca, com a saída de Taison e o ingresso de Boschilia.

A etapa final começou com o Inter pressionando. Antes dos quatro minutos, já tinha concluído duas vezes, ambas defendidas com segurança por Chapecó. O Grêmio tentava em contragolpes. Em um, Cuesta conseguiu interceptar e a bola sobrou para Daniel. No segundo, aos 10, Diego Souza recebeu, conseguiu abrir espaço e tentou encobrir o goleiro, mas jogou alto.

Oito minutos mais tarde, o Inter voltou a chutar. E duas vezes. Ambas conclusões do lado direito, uma de Yuri Alberto, outra de Caio Vidal, e ambas defendidas por Chapecó.

Foi, aliás, a última participação de Caio Vidal. O ponteiro saiu para a entrada de Galhardo. A outra troca foi pontual: Moisés deixou o campo, entrou Paulo Victor.

No Grêmio, Felipão também alterou. Tirou Douglas Costa e Diego Souza para colocar Jean Pyerre e Ricardinho. Jean Pyerre foi responsável pela primeira defesa que Daniel precisou fazer. Não se tratou de um chute perigoso, pelo contrário, e o goleiro segurou.

Os dois times, praticamente ao mesmo tempo, antes de meia hora, fizeram mais trocas, as duas por esgotamento e dores. No Inter, saiu Edenilson e entrou Johnny; no Grêmio, ingressou Vanderson para a saída de Rafinha.

O ritmo diminuiu bastante na metade final do clássico. Com a bola voando pelo meio-campo, ficavam cada vez mais raras as oportunidades. Por isso, o lance seguinte foi um chute de fora da área, de Fernando Henrique, que assustou Daniel, mas passou ao lado da trave.

Nos últimos minutos, o Inter teve duas chances para ganhar. Aos 41, Yuri Alberto ganhou no pivô, Patrick escorou e Yuri emendou de esquerda. Chapecó fez um milagre e salvou o Grêmio. Aos 45, Yuri superou Cortez em velocidade, cruzou para trás, Dourado bateu de primeira, a bola explodiu na defesa e voltou para Patrick, que também chutou. Chapecó operou outro milagre.

Era para ser 0 a 0 o clássico mesmo.



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