Foto: Lucas Uebel

Um gol nos minutos finais deu a vantagem ao Grêmio na final do Gauchão. No Colosso da Lagoa absolutamente lotado, Lucas Silva marcou aos 47 do segundo tempo, de pênalti, e encaminhou o pentacampeonato estadual ao Tricolor. Agora, o time de Roger pode até empatar na Arena, no sábado que vem, que levantará o troféu. Ao Ypiranga, servem vitórias por mais de dois gols para mudar o cenário no tempo normal. Se ganhar por um, leva aos pênaltis.

A promessa de não mudar o jeito de jogar foi cumprida por Luizinho Vieira, ao menos na escalação. Para o lugar do suspenso meia pela direita Matheusinho, o escolhido foi Luiz Felipe e não John Lennon, lateral de origem. A ideia era, ao menos antes, repetir o estilo que o levou até a final. No Grêmio, o cartão amarelo recebido por Villasanti no jogo do Paraguai pelas Eliminatórias lhe garantiu em campo. O volante voltou ao time titular, em um trio com Lucas Silva e Bitello, tendo à frente deles Elias, Diego Souza e Campaz. Na lateral esquerda, na vaga de Nicolas, lesionado, Diogo Barbosa entrou naturalmente.

O jogo começou em um ritmo mais morno do que o entusiasmo do entorno anunciava. O Ypiranga iniciou trocando passes, especialmente entre os zagueiros, tentando avançar na base da posse de bola. O Grêmio esperava e pressionava na hora para encontrar o erro que lhe daria chance.

Assim, demorou sete minutos para que houvesse uma chance. Mas que chance… Campaz foi lançado na direita, trouxe para o pé esquerdo e cruzou. Diego Souza não alcançou, mas Elias, sim. Ele dominou, bola quicando na área, e chutou. O goleiro Edson saiu e fez uma grande defesa.

Aos 10, outra oportunidade clara. De novo pela direita, de novo Campaz. Ele ganhou na velocidade do lateral e viu o goleiro abandonando a meta. Encobriu, de pé esquerdo, e a bola explodiu na quina entre o travessão e a trave.

A terceira chegada, aos 16, foi mais uma vez do Grêmio. E com Campaz. Diego Souza recebeu no comando do ataque e escorou para o colombiano, que bateu mal, para fora.

Elias, aos 23, esteve perto de fazer. De costas, ele girou em cima do zagueiro e chutou. Edson saltou para o lado e espalmou para escanteio.

A torcida da casa só vibrou de verdade aos 34. Não foi gol, não foi pênalti, não foi nem sequer chute. Foi um drible. Gedeílson partiu para cima de Diogo Barbosa e aplicou-lhe uma lambreta espetacular. O lance não deu em nada, Bitello conseguiu recuperar e dar um carrinho. Mas a vinheta está pronta.

Foi o Grêmio quem esteve perto de marcar. Villasanti roubou a bola em mais uma saída errada do Ypiranga. O paraguaio avançou e foi desarmado, mas o corte foi parcial e Campaz pegou a sobra. Da esquerda, ele cruzou na cabeça do paraguaio, que, sozinho, desviou para fora.

A polêmica do primeiro tempo ocorreu aos 41. Diogo Barbosa ficou desmarcado e entregou para Campaz. O chute saiu meio desengonçado, de bico. Mas encobriu Edson. Deu na trave de cima, na do lado, quicou sobre a linha e voltou para as mãos do goleiro. O estádio parou na aflição. O árbitro Anderson Daronco não assinalou gol. O VAR lhe deu razão.

Por isso mesmo, o Ypiranga voltou modificado do vestiário. Robson e Cesinha entraram nos lugares de Luiz Felipe e Lorran.

Os minutos iniciais foram como reprise do que tinha sido visto no primeiro tempo. O Ypiranga trocando passes entre os zagueiros enquanto o Grêmio jogando no erro. Levou seis minutos para que ocorresse uma conclusão. Elias foi acionado por Bitello, girou e arriscou. Edson pegou, largou e pegou de novo.

A repetição do cenário, porém, foi apenas no começo. O Ypiranga diminuiu a quantidade de passes laterais e resolveu ser mais vertical. Levo quase uma hora para chutar, é verdade. Mas quando fez, esteve muito, muito próximo do gol. Aos 16, Falcão dominou na intermediária e, com liberdade, encheu o pé. A bola explodiu no travessão de Brenno. Além da sorte, o goleiro teve competência, porque o rebote sobrou para Hugo Almeida, que concluiu do jeito que deu, e Brenno teve agilidade para defender.

Roger mudou seu time. Janderson e Gabriel Silva foram chamados para as vagas de Campaz e Elias. Trocas de extremas para dar mais vida ao ataque.

Imediatamente, Janderson foi acionado. Lançado às costas da defesa, o atacante entrou pela direita e bateu cruzado, para fora.

O Ypiranga respondeu em nova tabela de Falcão e Hugo Almeida. O centroavante escorou, o meia bateu, mas longe da meta.

Com a temperatura menor na partida, Roger fez mais duas substituições. Churín e Vini Paulista ingressaram, saíram Diego Souza e Bitello. No Ypiranga, o exausto Gedeílson deu lugar a Guilherme Amorim. Luizinho ainda colocou Jefferson na vaga de Marcelinho.

Aos 42, o Grêmio chegou pela direita. Lucas Silva cruzou rasteiro, Churín se atrapalhou com a bola na hora da conclusão. O lance seguiu e o Ypiranga atacou. Quando Cesinha chutou para fora, Daronco foi acionado pelo VAR. Ele foi à cabine, revisou o lance e marcou o pênalti. Lucas Silva bateu no canto direito, para onde pulou Edson, mas a cobrança era indefensável. Grêmio 1 a 0, e festa de 50% do estádio. Os outros 50% ecoavam “Vergonha”. Houve reclamações contra o presidente da FGF, presente no estádio.

Roger está cada vez mais próximo de cumprir sua promessa. O Grêmio tem uma mão na taça.



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