A expulsão de Diego Tardelli na derrota do Grêmio para o Athletico, na última quarta-feira, dá tons de melancolia a uma temporada marcada por altos e baixos do atacante. Em nove meses – quase 300 dias –, o camisa 9 coleciona decepções, polêmicas e algumas alegrias em Porto Alegre.

Principal contratação do ano, Tardelli foi anunciado no Grêmio em fevereiro e estreou um mês depois. De lá pra cá, teve mais baixos do que altos. O jogador de 34 anos tem sete gols marcados em 45 partidas. Nas principais decisões, as semifinais de Copa do Brasil e Libertadores, ficou no banco em três das quatro partidas.

— O Tardelli teve altos e baixos. Vinha se recuperando, nos ajudou muito nos últimos jogos, teve atuações boas, gols. Teve uma atuação mais abaixo (contra o Athletico), uma expulsão infantil. Ele mesmo se desculpou no vestiário. Mas isso é algo que a gente vai avaliar depois de que a gente alcançar nosso objetivo — destacou o diretor de futebol Alberto Guerra.

Relembre abaixo os principais episódios do atacante no Grêmio:

Recepção calorosa, posição duvidosa

Diego Tardelli na chegada ao Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Divulgação/Grêmio

Diego Tardelli na chegada ao Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Divulgação/Grêmio

Desde sua recepção com festa pela torcida, Tardelli teve pouco mais de três semanas para se preparar fisicamente até a estreia, com cronograma específico. A primeira vez pelo Grêmio, em 9 de março, foi na vitória de 3 a 0 diante do São José, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho.

Desde o início, a posição na qual o atacante seria escalado se tornou centro de debate. Tardelli disse que preferia não atuar centralizado no ataque e tinha preferência por jogar pelas pontas e flutuar no setor ofensivo. Renato, por sua vez, preferiu o jogador mais próximo à grande área.

Mas foi como centroavante que Tardelli teve seu melhor momento no Grêmio. Depois da eliminação na Copa do Brasil para o Athletico, o treinador fixou o camisa 9 como titular. A partir dali, rendeu melhor e anotou três gols no Brasileirão.

Problemas físicos

Após quatro anos no futebol chinês, Tardelli precisou de tempo para se readaptar ao calendário brasileiro.Consequência disso, teve problema no músculo posterior da coxa direita em maio. Recuperou-se cerca de 20 dias depois. Em agosto, sentiu dores nos tendões, mas ficou apenas quatro dias parado.

Renato Gaúcho conversa com Diego Tardelli em treino — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Renato Gaúcho conversa com Diego Tardelli em treino — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Desde sua chegada, Renato Gaúcho bate na tecla da dificuldade física do atacante pela carga de trabalho diferente no Brasil em relação ao país asiático. Enquanto isso, Tardelli admitia rendimento abaixo durante o primeiro semestre. Naquela época, ainda negou um possível interesse do Atlético-MG em sua contratação.

Problemas com a diretoria

O momento mais crítico ocorreu logo após a parada para a Copa América. No retorno às competições, Tardelli ficou fora dos jogos com Bahia e Vasco. Depois da vitória sobre os cariocas, o presidente Romildo Bolzan Júnior deu um ultimato público ao jogador:

— Estamos chegando a um ponto em que está na hora de decidir. O jogador tem que dar a resposta, tem que dizer se quer ficar ou não quer ficar. E como quer ficar. Se não quiser, não é problema nenhum. Só nos avisa.

Logo depois da entrevista, o atacante se manifestou nas redes sociais e afirmou que permaneceria no clube. Um time chinês havia procurado Tardelli para retornar ao Oriente, e a possibilidade mexeu com a cabeça do atacante, incomodado com algumas práticas no futebol brasileiro.

 — Foto: Reprodução / Twitter

— Foto: Reprodução / Twitter

Houve até mesmo uma mensagem contundente do diretor jurídico Nestor Hein ao atleta. Ainda que o camisa 9 tivesse tirado a direção do sério, o grupo abraçou o companheiro.

Depois da vitória sobre o Libertad, pela Libertadores, no final de julho, quando marcou um dos gols do Grêmio, Tardelli falou pela primeira vez sobre o episódio. Disse ter passado por um momento “depressivo”.

— Passei por um período um pouco turbulento. Muita gente não sabe o que aconteceu. Aconteceram muitas coisas particulares, um momento depressivo. Muita coisa se falou, que quando cheguei o grupo rachou, que não me dava com o Renato, que não me dava com o Luan. Tudo mentira — disse à época.

Vai pra onde?

A mais recente polêmica ocorreu na última semana. O atacante respondeu a um torcedor no Instagram e afirmou que os gremistas só precisariam aguentá-lo por mais 18 dias, ou seja, até o fim do Brasileirão. Deu a entender que sairia do clube, embora a diretoria não confirme proposta alguma pelo atacante.

 — Foto: Reprodução

— Foto: Reprodução

— Ele é jogador do Grêmio, tem contrato com o Grêmio, está dentro dos nossos objetivos de alcançar a vaga no G-4. Quando ultrapassado esse objetivo, a gente vai ver se há propostas por qualquer jogador do Grêmio. Se for o caso dele sair, ou de outros jogadores saírem, anunciaremos para vocês — acrescentou Alberto Guerra.

A expulsão na Arena da Baixada é o último looping da montanha-russa de Diego Tardelli em 2019. E os acontecimentos recentes causaram insatisfação interna, atrelada também ao rendimento do atacante.

Em um momento de incerteza sobre o futuro da principal contratação do ano, o Grêmio trabalha para confirmar a vaga na fase de grupos da Libertadores do ano que vem. Sem Tardelli, suspenso, enfrenta o São Paulo no próximo domingo, às 19h, na Arena. O Tricolor é o quarto colocado na tabela, com 59 pontos.



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