Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Diego Souza precisou de apenas um minuto para resolver o problema da falta de gols do Grêmio na Série B. A primeira vitória na competição após três jogos foi toda do centroavante, que construiu com seus pés – e a cabeça – o 3 a 1 sobre o Guarani na tarde de quinta-feira, na Arena.

Além de dar fim ao jejum do ataque em seu retorno depois de um mês afastado por lesão, o veterano alcançou marcas históricas. Virou artilheiro da Arena, com 46 gols, e ultrapassou o ídolo Renato Portaluppi entre os goleadores do clube – 76 contra 74.

Diego abriu a contagem a partir de uma roubada de bola de Gabriel Teixeira, uma das atrações da quinta-feira, e depois serviu o Camisa 29. Na grande área, teve tranquilidade para dominar e chutar cruzado para balançar a rede no primeiro minuto de jogo.

O Guarani empatou e devolveu o sentimento de desconfiança à Arena. Mas, na reta final da primeira da etapa, o maior “garçom” da equipe também mostrou arrojo. Nicolas recebeu na esquerda, olhou para a área e cruzou na marca do pênalti. Diego Souza se posicionou e testou a bola para marcar.

O hat-trick veio no segundo tempo. Após cobrança de escanteio do lateral-esquerdo, o centroavante subiu mais alto que todo mundo e fechou a conta. Após a partida, Roger falou sobre a capacidade de Diego para balançar a rede e afirmou que a experiência joga a favor em comparação com os mais jovens.

Gol nunca é fácil de fazer, o goleiro está ali para defender. É o batimento cardíaco. O experiente já viveu 250 vezes, vai ter a tranquilidade para escolher o melhor gesto para colocar a bola que o mais jovem. A juventude faz isso, coração vai acelerar, às vezes anuviar os olhos. Por vezes, demanda mais tempo corrigir isso. Além da tranquilidade, o coração desacelera na cara do gol – comentou.

A situação ficou clara quando Elias, que recém havia entrado, nos primeiros minutos do segundo recebeu um passe de Gabriel Teixeira, ficou cara a cara com o goleiro e perdeu.

Cuidado especial

A competência de Diego Souza para colocar a bola na rede e o acréscimo de qualidade técnica que dá ao ataque impõe ao Grêmio uma atenção particular. Tanto dentro de campo como no dia a dia de treinamento.

Aos 36 anos, o centroavante já não tem mais a mesma intensidade e condição física que em temporadas passadas. A qualidade, entretanto, ainda se sobrepõe. Portanto, Roger precisa usar um esquema que se molde a Diego.

O modelo com três volantes também está apoiado na figura do Diego, para que consiga permitir que ele fique descansado. Alguém tem que se sacrificar por ele, e não tem nada errado nisso. Se desobrigo o centroavante, preciso que alguém compense por ele. Não tem a velocidade de outros momentos, mas a velocidade que a bola sai da cabeça dele é suficiente para passar do goleiro – analisou o treinador.

Diego Souza desde 2020

  • 115 jogos
  • 60 gols
  • Média de 0,52 gol por partida
  • 14 assistências

O atacante tem uma média de 0,52 gol por partida desde que retornou ao clube, em 2020. Além disso, foi o quinto hat-trick da carreira – o segundo pelo Tricolor. Artilheiro da Arena, Diego Souza chegou a 76 gols pelo Grêmio e passou Renato Portaluppi.

Para tê-lo em mais partidas, a comissão técnica também pode poupá-lo de alguns treinos. A hipótese foi levantada pelo próprio comandante durante a entrevista coletiva. Quando Elkeson estiver liberado, os dois devem revezar durante os jogos.

Reaproximação com a torcida

Foi o segundo jogo seguido do Grêmio em casa pela Série B. A última lembrança não era boa. Contra a Chapecoense, a equipe saiu de campo derrotada e sob vaias da torcida. Nesta quinta, foram os gols de Diego que amenizaram o clima entre torcida e jogadores.

Quando o Guarani empatou a partida, o ambiente que era de festa virou cobrança. A cada passe ou domínio errado de um atleta, ouviam-se apupos e xingamentos da arquibancada.

Campaz, em lance ainda no primeiro tempo, carregou a bola e saiu pela lateral. A torcida esbravejou. No intervalo, o colombiano saiu para a entrada de Elias. Como a partida terminou com vitória, a situação amenizou. Mas Roger voltou a falar sobre a atuação dos fãs na Arena.

– Somos nós que vamos gerar energia que vamos passar para o torcedor devolver para o campo. O torcedor está machucado pelo rebaixamento. A maior parte do tempo o torcedor vai estar do nosso lado, mas em alguns momentos vamos ter que saber lidar com impaciência, com cobrança e ter convicção – ressaltou.

Com a vitória, o Grêmio sai da zona de rebaixamento e dorme no G-4 da Série B, em terceiro lugar. Nesta sexta-feira, os jogadores se reapresentam no CT Luiz Carvalho para começar a preparação para a próxima partida, na quarta, contra o Operário, em Ponta Grossa.



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