Foto: Rudy Trindade/Grêmio

Os jogadores se preparam diariamente, há estudo, há ciência… Mas também há acaso. E foi dessa forma que o Grêmio construiu a virada de 3 a 1 sobre o Vasco em São Januário, na noite de quarta-feira. A reação à eliminação dolorida na Libertadores começa a fazer efeito no Brasileirão. Dentro do G-6, a dois pontos do G-4.

Tudo aconteceu na metade do primeiro tempo do duelo no Rio de Janeiro. Michel levantou demais a perna no meio-campo e acertou Pikachu. Recebeu cartão amarelo e, poucos minutos depois, estava no banco de reservas. Desta forma, Renato Gaúcho corrigiu o próprio erro na escalação a partir da temeridade de ficar com um jogador a menos em campo.

Renato escolheu Michel e Rômulo para compor a dupla de volantes diante do Vasco. É sabido: o técnico segue uma hierarquia bem delimitada dentro do elenco para fazer suas escolhas. Os dois jogadores têm características semelhantes, mais marcadores e menos construtores. Mas estão à frente de Darlan, que entraria mais tarde.

Isso engessou o Tricolor na primeira parte. Soma-se a um gol sofrido absolutamente evitável por Paulo Victor em cobrança de falta de Guarín. Atrás no placar, faltavam soluções técnicas para o time criar.

Pepê entra, os gols saem

Então, Renato retirou Michel aos 29 minutos. Recuou Thaciano e Pepê entrou no jogo. Na sequência, Luciano perdeu oportunidade dentro da área. A nova chance não foi desperdiçada. Aos 32, o jovem que recém havia deixado o banco de reservas empatou o jogo, no seu terceiro gol marcado sobre o Vasco neste Brasileirão.

— Sem dúvida (teve dedo do Renato). O Renato é um cara que trabalha todo mundo. Fala para a gente estar pronto e aproveitar a oportunidade quando aparecer. Pude entrar e ajudar meus companheiros a sair com a vitória. Ele pediu para atacar mais, a gente estava tendo espaço pelos lados. Foi o que fiz — destacou Pepê.

Dali em diante, o Grêmio tomou as rédeas da partida. Embora eventualmente tenha sido pressionado pelo Vasco, quase não sofreu riscos reais. Teve paciência e qualidade para virar o jogo em uma pressão exercida por Darlan, outra substituição de Renato, esta por necessidade após lesão de Thaciano.

Depois do desarme, a bola caiu nos pés certos. Everton arrancou para colocar os gaúchos à frente do placar. O gol de Luciano, de pênalti, foi a cereja do bolo.

— Em uma jogada individual com o Pepê, fizemos o primeiro gol. Acho que eles sentiram, aí controlamos o jogo e tornamos mais fácil para a gente a partir do gol do Cebolinha — comentou Tardelli.

Reação lembra outra eliminação

Comemoração do gol de Luciano em vitória sobre o Vasco — Foto: Rudy Trindade/Agência PressDigital

Comemoração do gol de Luciano em vitória sobre o Vasco — Foto: Rudy Trindade/Agência PressDigital

Desde a goleada sofrida para o Flamengo, na semifinal da Libertadores, o Grêmio venceu os dois jogos que disputou no Brasileiro, pulou para a quinta colocação – embora possa cair para sexto – e está a dois pontos do São Paulo, o quarto.

A reação é semelhante à mostrada após a eliminação para o Athletico, também em uma semifinal, mas na Copa do Brasil. Naquele período, o Tricolor emendou quatro vitórias no Campeonato Brasileiro.

— Não é a primeira vez que acontece isso. Sempre que o Grêmio tem essas dificuldades, reage, mostra que tem elenco, que faz diferença, que não se abala do ponto de vista emocional. E vai ser de novo. O Grêmio sabe exatamente do que precisa nesses próximos nove jogos — afirma o presidente Romildo Bolzan Júnior.

O próximo capítulo é o Gre-Nal de domingo, às 18h, na Arena. Em um confronto direto na tabela, além de toda a rivalidade envolvida, Renato Gaúcho deve ter os retornos de Geromel, Kannemann, Matheus Henrique, Maicon e Alisson. A delegação volta do Rio de Janeiro no início da tarde desta quinta e vai direto para o CT Luiz Carvalho, onde realiza o primeiro treinamento antes do clássico.



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