A disputa do Mundial de Clubes em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, não se resume apenas a uma preparação dentro de campo para encarar a semifinal e tentar parar o todo-poderoso Real Madrid em uma possível final. Há muitos cuidados fora de campo, desde a viagem até a contratação do chef da Seleção Brasileira para trazer um “sabor de casa” para os atletas. Além da preocupação na cozinha, a estrutura dada aos atletas é das melhores possíveis, com hotel cinco estrelas e voo de classe executiva.

Al Ain, no principado de Abu Dhabi, de onde está 150km distante, é a sede do Grêmio para a semifinal do Mundial. O adversário será conhecido neste sábado, já que Wydad Casablanca, do Marrocos, e Pachuca, do México, se enfrentam. O clube gaúcho se cercou de cuidados para chegar voando ao Mundial. O GloboEsporte.com desvenda pelo menos uma parte da preparação.

Katiuce Borges, nutricionista do Grêmio, com o chef Jaime Maciel, da seleção brasileira (Foto: Eduardo Moura)

Katiuce Borges, nutricionista do Grêmio, com o chef Jaime Maciel, da seleção brasileira (Foto: Eduardo Moura)

Preocupação com a comida

Para um atleta, as refeições são peça-chave no rendimento e na recuperação, a partir do que e quando os jogadores ingerem determinadas substâncias. Soma-se a isso outros dois pontos: a comida mantém um sentimento de pertencimento, de casa, que ajuda na parte psicológica, e também rege os horários no dia das pessoas. Auxilia na adaptação ao fuso horário.

O Tricolor contratou o chef Jaime Maciel, contratado pela CBF desde 1995, para ter um cardápio diferenciado em Al Ain, tudo pensado pela nutricionista Katiuce Borges. Foram levados do Brasil 40 quilos de feijão para os 10 dias e 10 quilos de farinha – tudo listado para a Fifa. O buffet da noite desta segunda-feira, por exemplo, tive dois tipos de feijão, massas e carnes como de costume. Inicialmente, Maciel iria supervisionar o trabalho dos cozinheiros locais. Mas aos poucos, com sua experiência, vai ganhando espaço.

– A presença do chef foi muito importante. E é importante ser alguém com experiência, saber como entrar na cozinha deles, já viajou e fez isso. Trouxemos todos os ingredientes que eram permitidos, mas o principal é o tempero. Fica o sabor de casa. Trouxemos até panela de pressão – conta Katiuce ao GloboEsporte.com.

Os atletas são todos os dias liberados do café da manhã, exceto quando há compromisso por esse turno – o que só deve ocorrer no dia do jogo com o vencedor de Pachuca, do México, ou Wydad Casablanca, do Marrocos. As duas primeiras manhãs em Al AIn foram livres, para que os atletas pudessem dormir no horário local e acelerar a adaptação ao fuso horário. São seis horas à frente do horário de Brasília.

Hidratação

O clima desértico, por óbvio, é seco. Resultado: garganta e nariz podem ficar ressecados durante o dia. Especialmente para quem se exercita nestas condições. Por isso, os jogadores têm garrafas d’água à disposição no espaço reservado para as refeições para levarem para os quartos.

O próprio hotel que serve de concentração ao Grêmio em Al Ain fornece uma garrafa de 500ml por hóspede sem custos todos os dias. Durante o treinamento, houve diversas paradas entre as atividades propostas pelo preparador físico Rogério Dias, no primeiro trabalho gremista nos Emirados Árabes. Aproveitadas, além do descanso físico, para a hidratação. Claro que existe algo semelhante em outros treinos, mas o incentivo era constante da comissão técnica.

Pausa no treino com espaço para hidratação (Foto: Eduardo Moura)

Pausa no treino com espaço para hidratação (Foto: Eduardo Moura)

Bola do Mundial

As atividades em campo reduzidos, com aspectos físicos e técnicos integrados, foram planejadas por Rogerinho também para outro ponto: o Grêmio conhecer a bola do Mundial de Clubes. Foi o primeiro treino com o novo objeto, importante especialmente para os goleiros. Qualquer ranhura diferente pode dar um rumo desconhecido.

– Temos que conhecer a bola e essa semana de treinamento vai nos ajudar bastante para conhecer a bola, será muito importante para os goleiros se ambientarem – comentou o preparador de goleiros, Rogério Godoy, o Rogerião, ao GloboEsporte.com.

Rogério Godoy Marcelo Grohe Grêmio (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

Conforto contra o desgaste

Não que seja novidade. Mas o Grêmio se desdobrou para dar tudo do bom e do melhor para o elenco na disputa do Mundial. Primeiro, nos voos. A delegação precisou se dividir e fazer uma escala por conta do valor do trecho São Paulo-Dubai pela Emirates. O clube tentou fazer uma reserva para toda a delegação antes da final com o Lanús, com grande parte em classe executiva. Mas a empresa disse que seria necessário fazer o pagamento integral antes do jogo. Por conta dos valores envolvidos, o elenco se dividiu, mas voou de classe executiva de Frankfurt, na Alemanha, e Londres, na Inglaterra.

 O hotel gremista também apresenta estrutura de qualidade para os tricolores. A estadia, por sinal, foi apontada pela Fifa e custeada pela entidade para a competição. Cinco estrelas, a rede nacional dos Emirados Árabes conta com piscina, SPA, academia e um amplo hall.

– Não tem do que se queixar. Se a gente enfrentou ou vai enfrentar dificuldade, é procurar aproveitar da melhor maneira, tirar de letra e curtir cada momento. É uma oportunidade única. Ter prazer em fazer tudo. Tivemos voo maravilhoso, temos um hotel maravilhoso, com total condições de descansar. Estrutura de treinamento também. Não tem desculpa para nada – disse Ramiro.

O Tricolor volta a treinar às 20h deste sábado, no horário dos Emirados Árabes, às 14h na hora de Brasília. A primeira atividade foi leve no estádio Tahnoun Bin Mohammed e não contou com a presença de Bressan, Ramiro e Luan.



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