O Grêmio concentra esforços para encerrar de vez as polêmicas da semana e voltar todo o foco à disputa da Série B com o objetivo primordial de estar na elite do futebol brasileiro em 2023. A começar pelo departamento médico e a desconfiança de parte da torcida.

Há três dias, irrompeu nos bastidores o desentendimento entre clube e o atacante Ferreira quanto ao tratamento da lesão na coxa direita do jogador, sofrida em fevereiro. O estafe do atleta foi atrás de um procedimento alternativo com células-tronco não recomendado pelo Grêmio, que divulgou na última terça um diagnóstico de hérnia inguinal.

O jogador passou por cirurgia na quarta e tem nova previsão de voltar a atuar em dois meses. Todo o contexto gerou debates entre os tricolores sobre o trabalho do departamento médico no CT Luiz Carvalho. O presidente Romildo Bolzan Júnior reiterou a confiança nos profissionais do clube.

– Estávamos brincando que os médicos do Grêmio sabem mais da saúde dos jogadores que os próprios têm consciência. São atletas, e estes homens têm responsabilidade e são competentes. Quando se trata um atleta de alto rendimento, cuja situação é o sustento, tem que ter o máximo cuidado. Ninguém inventa nada. Aplica o que o tratamento manda ser aplicado – discursou Bolzan em entrevista coletiva na quinta-feira.

O mandatário reconheceu que os médicos deveriam aparecer para falar com a imprensa e esclarecer pontos de divergência que envolvem a recuperação de jogadores. Mas entendeu a posição dos membros do setor por uma questão ética da profissão.

– Acho que os médicos tinham que vir aqui, mas talvez não queiram fazer por questão ética, tratam com terceiros e não podem publicizar o diagnóstico. Essas coisas têm que ser levadas em conta. Mas (os médicos) não somente têm a confiança dos jogadores, como também da direção de futebol e do clube. Solidariedade ao departamento médico do Grêmio, são competentes e reafirmo com clareza e certeza – reforçou Romildo.

Romildo Bolzan Júnior, presidente do Grêmio — Foto: Rodrigo Fatturi / Grêmio FBPA

Romildo Bolzan Júnior, presidente do Grêmio — Foto: Rodrigo Fatturi / Grêmio FBPA

A entrevista de quinta-feira também serviu para Bolzan assegurar a permanência no clube e refutar a candidatura ao governo do Estado. Ele precisou esclarecer ainda a função do diretor médico Ciro Simoni, hoje presidente do PDT, partido do presidente do Grêmio, no Rio Grande do Sul.

– O Ciro é um abnegado, trabalha aqui gratuitamente, médico de mais de 45 anos de profissão, conselheiro há muitos anos. Contribui no departamento médico em harmonia. Não tem nada a ver com isso (relação partidária), vem respaldado de um movimento político que o indicou.O Ciro não tem a rotina do departamento (médico). É um agente político na relação dos médicos com a direção.— Romildo Bolzan Júnior

Com a perspectiva de um ambiente voltado apenas ao futebol e retorno para a Série A, o Grêmio trabalha para enfrentar o Ituano na próxima segunda-feira. A partida está marcada para as 20h, no Novelli Júnior, em Itu. O Tricolor é o quarto colocado na Série B com 10 pontos.



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