Renato Gaúcho faz uma pausa para medir o peso da palavra, mas logo a solta, em uma bronca ao seu melhor estilo: faltou “tesão” ao Grêmio para converter chances em gols no 0 a 0 com o São Luiz, no 19 de Outubro, pela ida da semifinal do Gauchão. O aborrecimento soa até excessivo para quem comanda a equipe mais efetiva entre os 20 times da Série A em 2019. Mas faz sentido, pelo momento vivido pelo Tricolor.

O empate deste domingo foi o segundo consecutivo do Grêmio sem gols pelo Gauchão. Antes, a equipe havia ficado no 0 a 0 com o Juventude, na Arena, reconfortado pela vantagem irreversível da vitória por 6 a 0 no jogo de ida.

O ataque responsável por quatro goleadas em 16 jogos vive a maior seca no ano. E se cobra por retomar a efetividade justamente em meio a jogos decisivos, em que se obriga mais do que nunca a balançar as redes.

Na próxima quinta-feira, às 19h, o Grêmio busca a primeira vitória na Libertadores contra a Universidad Católica, fora de casa, no San Carlos de Apoquindo, para deixar a lanterna do Grupo H. Depois, às 16h do domingo, precisa vencer o São Luiz na Arena para garantir com tranquilidade a vaga na final do Gauchão.

Pepê perdeu a "bola do jogo" contra o São Luiz — Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

Pepê perdeu a “bola do jogo” contra o São Luiz — Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

A bronca de Renato teve a ver com dois lances específicos dentro da pequena área. Ele cobrou simplicidade de Thaciano quando o meia optou por dominar a bola em vez de finalizar após cruzamento e de Pepê. O atacante perdeu chance na cara do goleiro já aos 46 do segundo tempo e reconheceu que aquela era a bola do jogo.

– Meu aborrecimento foi que a gente não teve tesão pra fazer o gol. Na semifinal, não pode querer inventar. Tem que fazer o simples. O gol bonito não vale dois. Por isso que me aborreci. O gol fora de casa faz diferença muito grande. Na Arena, a história é bem diferente. No empate com gols, passa o São Luiz. Agora, temos a volta em Porto Alegre. A partir de amanhã, é pensar na Libertadores. E a partir de sexta, pensar no São Luiz – afirma o treinador.

O jejum recente causa preocupação expressa pelo treinador, mas o retrospecto em 2019 ainda é amplamente positivo. O Grêmio é dono do ataque mais efetivo entre os times da Série A, com média de 2,25 gols por jogo (36 gols marcados em 16 jogos). E é a segunda equipe que mais marcou gols no ano. O Bahia fez 42, mas em 23 jogos.

Ataques mais efetivos do Brasil:

  1. Grêmio – 2,25 gols/jogo (36 gols em 16 jogos)
  2. Cruzeiro – 2,2 gols/jogo (33 gols em 15 jogos)
  3. Athletico – 2,07 gols/jogo (27 gols em 13 jogos)
  4. Flamengo – 2 gols/jogo (32 gols em 16 jogos)
  5. Fluminense – 1,94 gols/jogo (35 gols em 18 jogos)

Além dos números, o desempenho nas das partidas dá tranquilidade aos gremistas para buscar os gols e as vitórias nas duas decisões que se avizinham. De acordo com Matheus Henrique, a equipe manteve o ritmo e o estilo de jogo habituais. Resta aplicá-los contra Universidad e São Luiz.

– Nestes dois jogos sem marcar, mantivemos nosso ritmo de jogo. Acho que continuamos o melhor ataque do Brasil, a melhor defesa. É ter paciência. A gente não se desespera não fazendo gol. Nosso estilo não muda nunca. Vamos manter para quinta-feira, e o gol vai sair ao natural. A gente sabe que precisa pontuar, ganhando ou empatando. Vamos fazer nosso jogo, que o gol vai sair ao natural, sem desespero – ressalta o volante Matheus Henrique.

Com o resultado, o Grêmio precisa vencer o duelo da volta na Arena para avançar à final. O São Luiz joga por um empate com gols e, claro, por uma vitória pela vaga. Um novo 0 a 0 leva a decisão aos pênaltis. A partida está marcada para o próximo domingo, às 16h, na Arena. Antes disso, o Tricolor respira Libertadores. Na quinta-feira, às 19h, a equipe de Renato Portaluppi enfrenta a Universidad Católica no San Carlos de Apoquindo, em Santiago, pela 3ª rodada do Grupo A.



Veja também