Lucas Uebel/Grêmio

A ousadia de Ferreira marcou os últimos jogos do Grêmio no Campeonato Brasileiro. O jovem atacante brilhou contra Cruzeiro e Goiás e terminou 2019 em alta. Mas a situação poderia ser diferente. O Tricolor esteve próximo de emprestar sua joia antes de chamar atenção a nível nacional.

Ferreira começou o ano cedido ao Aimoré para a disputa do Gauchão. Mas o jovem não cavou seu espaço e justifica a dificuldade de jogar no Estadual por conta de uma lesão. A fascite plantar no pé direito impedia o atacante de levar para o campo sua marca registrada.

— Foi um ano maravilhoso. Comecei um pouco desacreditado, não seria aproveitado no Gauchão e fui emprestado ao Aimoré, e terminei o ano em alta — diz Ferreira

Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, terra natal, Ferreira começa o período de descanso. Revisitou sua temporada e lembrou do primeiro semestre. Voltou do Aimoré para fazer o tratamento no Grêmio e aproveitar a estrutura gremista. Mas apostou com seu empresário Pablo Bueno em uma recuperação da fascite a partir da aplicação de células-tronco na lesão. E deu resultado.

— No começo não sabia o que era, aí fiz alguns exames e descobrimos que era mais grave. Eu e o Pablo decidimos fazer o tratamento e deu certo — disse o jovem.

“As coisas acontecem por um propósito, se foi para retornar, foi por um propósito. Foi o melhor que aconteceu”

Sem as dores classificadas como insuportáveis no pé direito, Ferreira precisava tomar uma decisão. Voltou do empréstimo e teve uma conversa com o técnico do time de transição, Thiago Gomes, para definir o que faria do seu futuro. Já havia sido emprestado para Cianorte e Toledo, ambos do Paraná, antes do Aimoré. Na reunião, rechaçou possibilidades de jogar as séries B, C e D para tentar sua sorte com a camisa do Grêmio.

— Até quando voltei do Aimoré, o Grêmio ofereceu alguns empréstimos, mas meu pensamento era de ficar. Eu queria ficar, e acabei ficando e dei a volta por cima. Meu contrato acabava no fim deste ano. Mas depois do Brasileiro de Aspirantes, melhor jogador, ali chamou para fazer a renovação — completou Ferreira.

Ferreira vai para cima da marcação — Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

Drible e improviso

Ferreira ficou marcado nas oportunidades recebidas contra Cruzeiro e Goiás pela impetuosidade. Além do gol, contra os mineiros, também cavou a expulsão de Egídio com um balãozinho de costas no lateral-esquerdo. No Serra Dourada, deu assistências para os dois gols gremistas no jogo, um deles com direito a caneta em Marcelo Hermes.

— O Renato fala isso, ali a pressão é do marcador, do zagueiro, é para a gente fazer nosso jogo. Diz para driblar que não tem problema se perder a bola, se errar. Ali não é planejado, é no improviso. Meu ponto forte é o drible, mas sempre no improviso. Vai na hora, sai no improviso — revelou Ferreira.

A rapidez de raciocínio contra os adversários foi forjada no futebol de salão em Dourados. Ferreira chegou a uma escola conveniada do Grêmio na sua cidade. Passou em uma peneira e foi convidado a fazer mais testes em Porto Alegre. Repetiu a aprovação e ficou por um período de testes nas categorias de base, também com êxito, em 2014. Do alto dos seus 16 para 17 anos.

Em 2020, começa já no elenco principal e deve ganhar as primeiras oportunidades no Gauchão. O Grêmio estreia contra o Juventude, dia 22, mas tem dia 19 o primeiro compromisso da temporada, o duelo com o Pelotas, pela Recopa Gaúcha.

“Expectativa é das melhores, pelo ano que fiz, como terminei o ano, fazendo gols, dando assistências. Não gosto de ficar onde se está, quero sempre mais. Quero que ano que vem dobre o número de gols, de assistências”

Ferreira participou de quatro jogos do Brasileirão. Fez a jogada do gol de Patrick na derrota para o Fluminense, um dos gols contra o Cruzeiro e os passes para Patrick e Isaque no Serra Dourada. A partir de 2020, ganha mais espaço e vira uma possibilidade para o setor ofensivo como, em outros momentos, foram Pepê e Everton.



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