CBF / Divulgação

O Grêmio iniciou o ano de 1990 de olho no bicampeonato da Libertadores. Classificado para a disputa da competição mais importante do continente, após garantir o título da primeira edição da Copa do Brasil no anterior, o pentacampeão gaúcho se reforçou para o torneio.

No banco de reservas a aposta era Paulo Sérgio Poletto, treinador gaúcho de 48 anos, que havia ganho destaque ao levar o Ypiranga de Erechim ao título da segunda divisão estadual. 

A manutenção da base do ano anterior foi a grande aposta da direção gremista capitaneada pelo então presidente Paulo Odone, que trouxe como principal reforço o centroavante Nílson, destaque do Inter no famoso Gre-Nal do Século e que voltava ao futebol brasileiro após uma curta e frustrante passagem pelo Celta de Vigo, da Espanha.

O começo de ano foi positivo. Nos dez primeiros jogos, oito pelo Gauchão e dois amistosos, o time se manteve invicto — venceu oito e empatou dois. E então chegou a data de estreia na Libertadores, contra o Vasco, atual campeão brasileiro e que contava com um elenco recheado de jogadores com passagem pela Seleção Brasileira: Bebeto, Mazinho, Bismarck, Acácio, Luís Carlos Winck, Andrade, Roberto Dinamite, Zé do Carmo e Tita, velho conhecido dos gremistas desde 1983, quando vestiu a camisa 10 tricolor na conquista da América.

Mas além de marcar a caminhada das duas equipes na luta pelo título sul-americano, o jogo que foi disputado no Olímpico, em 14 de março de 1990, também era válido pela Supercopa do Brasil, competição criada pela CBF. A ideia inicial era que a partida marcasse a abertura da temporada. Sem previsão de conseguir encaixar o torneio em meio às disputas dos estaduais, da Libertadores e da Copa do Brasil, Grêmio, Vasco e CBF acordaram que os confrontos entre ambos pela fase de grupos do torneio continental valeriam pela Supercopa.

E num jogo de imposição, diante de quase 35 mil torcedores, o Grêmio bateu a SeleVasco, apelido dado pela imprensa carioca ao time dirigido por Alcir Portela, por 2 a 0, gols marcados por Nílson, de cabeça, e Darci, ambos na etapa final. Com a vitória na noite que antecedeu o dia da posse do recém-eleito Presidente da República Fernando Collor de Mello, um empate no Rio de Janeiro garantiria o troféu da Supercopa aos gremistas.

Valdir Friolin / Agencia RBS
Nílson, Darci e Paulo Egídio festejam gol sobre o VascoValdir Friolin / Agencia RBS

Até o jogo da volta, Grêmio e Vasco enfrentaram os paraguaios Olimpia e Cerro Porteño, os outros dois integrantes do grupo na Libertadores, e não tiveram bons resultados. Os gremistas perderam as duas partidas em Assunção, o que gerou a demissão de Poletto e a contratação de Evaristo de Macedo. Já os cariocas conquistaram um ponto contra o Cerro.

O início do returno do Grupo 5 aconteceu em 18 de abril, um dia depois de o técnico da Seleção Brasileira, Sebastião Lazaroni, convocar os 22 jogadores que disputariam a Copa do Mundo da Itália. O palco não foi o Maracanã, como se esperava, e sim o velho estádio de São Januário. Numa noite chuvosa e com pouco menos de 3 mil pessoas nas arquibancadas, um jogo de poucas oportunidades terminou empatado em 0 a 0. O resultado garantia aos gremistas o troféu de Supercampeão do Brasil. E é aí que começou a polêmica. 

Por não ter feito a disputa em jogo único, a CBF, que havia vendido a transmissão da Supercopa para a Rede Globo, acabou não oferecendo o troféu, já que os direitos da Libertadores pertenciam à extinta Tv Manchete, do Rio de Janeiro. Após a partida, o então presidente gremista Paulo Odone protestou por não receber o troféu, como registrou o carioca Jornal dos Sports.

— Nós vencemos. E esse título é muito importante para o clube e para o futebol gaúcho — declarou o dirigente.

Passados 30 anos, a Supercopa do Brasil teve apenas mais dois campeões. O Corinthians, que bateu o Flamengo, em 1991, em jogo único no Morumbi, e o próprio time carioca, que este ano em Brasília derrotou o Athletico-PR.

E foi a volta do torneio que reacendeu nos gremistas a busca pelo troféu ainda não entregue. Atual presidente do Grêmio, Romildo Bolzan diz que o clube enviou requerimento à entidade, e que ambos estão de acordo acerca da pendência e trabalhando juntos para resolvê-la.

— Não vai alterar absolutamente nada (sobre a conquista), mas a memória do clube precisa ser preservada. O que importa é que (o troféu) é valor do clube — disse Romildo em fevereiro.

Procurado nesta semana, pela reportagem de Gaúcha ZH, o mandatário gremista afirmou que “ainda não recebeu o retorno (da CBF) sobre o pedido de entrega da taça”.

Confira as fichas técnicas dos jogos:

14/03 — Estádio Olímpico — Grêmio 2 x 0 Vasco

  • Árbitro: Ulisses Tavares da Silva Filho (SP)
  • Renda: NCz$ 7.025.790,00        
  • Público: 34.461 
  • Gols: Nílson 22 do 2º tempo e Darci 31 do 2º tempo
  • Grêmio: Mazaropi; Alfinete, Vílson, Luís Eduardo e Hélcio; Jandir, Cuca e Adílson Heleno; Darci, Nílson e Paulo Egídio. Técnico: Paulo Sérgio Poletto
  • Vasco: Acácio; Luís Carlos Winck, Marco Aurélio, Holger Quinónez e Mazinho; Andrade, Tita, Bismarck e William (Zé do Carmo); Bebeto e Roberto Dinamite (Sorato). Técnico: Alcir Portela

18/04 — Estádio São Januário — Vasco 0 x 0 Grêmio

  • Árbitro: Ílton José da Costa (SP)
  • Renda: Cr$ 400.050,00               
  • Público: 2.932
  • Vasco: Acácio; Luís Carlos Winck, Célio Silva, Zé do Carmo e Mazinho; Andrade (William), Boiadeiro, Tita e Bismarck (Tato); Bebeto e Sorato. Técnico: Alcir Portela
  • Grêmio: Mazaropi; Alfinete, Vílson, Luís Eduardo e Hélcio; Jandir, Lino e Cuca; Darci (Nando Lambada), Nílson e Paulo Egídio. Técnico: Evaristo de Macedo.


Veja também