Fazia tempo, mas o torcedor do Grêmio soube de novo como se sentir em uma noite tranquila nesta terça-feira. O 3 a 0 sobre o Vitória, no Barradão, no primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Brasil, teve uma lista longa de ressalvas, mas foi sem dúvidas a melhor atuação do time gaúcho sob o comando de Felipão.

A vantagem no mata-mata diminui a carga de tensão sobre o time, embora isso só vá se dissipar de vez com a saída da zona de rebaixamento do Brasileirão, algo longe do horizonte no momento. Mas há de ser lembrado que o placar elástico foi construído sobre o 15º colocado da Série B.

Todas as considerações feitas ao patamar do Vitória, diferente do Tricolor mesmo em meio a esta crise, o time de Felipão passou uma mensagem mais tranquila para quem estava assistindo. Foi, parafraseando o futebol americano, ganhando jardas aos poucos dentro do jogo.

Dominou desde o início da partida a posse de bola, circulou com facilidade e alternou os lados em busca de espaço. Darlan é um capítulo à parte, pois saiu do arquivamento e se provou muito útil e de qualidade no meio-campo, a ponto de suscitar a pergunta: por que não é mais utilizado?

— Fizemos boa atuação porque conseguimos nos impor ao Vitória de maneira melhor. Não fizemos má atuação contra o América-MG, foi muito boa. Agora, não traduzimos em gols as chances vivas que tivemos. Hoje aproveitamos muito melhor as oportunidades, com mais tranquilidade. Foi uma boa atuação, mas precisamos de boas atuações em no mínimo 25 jogos do Brasileiro. Aí é um pouco mais difícil — tergiversou Felipão.

Comemoração do Grêmio em vitória na Copa do Brasil — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Comemoração do Grêmio em vitória na Copa do Brasil — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Sem ser extremamente agressivo, o Grêmio criou duas chances até conseguir o gol em lance estranho. Um cruzamento da direita, bola dividida entre Alisson e o lateral Cedric. Ricardinho rapidamente se levanta de um escorregão para quebrar o jejum de 13 partidas e abrir o placar. O lance foi revisado por oito minutos no VAR até a confirmação.O Grêmio evoluiu, fez um bom jogo, dominou bem a partida. A atuação melhorou significativamente o desenvolvimento do time, que se sabia que em algum momento ia mostrar.— Romildo Bolzan, presidente

A vitória veio com autoridade na etapa final. O segundo gol é um reflexo da nova postura gremista, já marcando no campo do adversário. Darlan intercepta de cabeça um passe errado na origem do lance, Ricardinho escora para Léo Pereira ampliar o placar.

Evidente que não significa caminho completo ou nada do gênero. Mas foi a partida com menos sofrimento desde a chegada de Felipão. O Grêmio ganhou de LDU e Fluminense, por exemplo, mas sem passar uma tranquilidade e domínio sobre os rivais. Apesar de ser atacado, só cedeu uma chance, já nos acréscimos.

Logo depois, encaixou contra-ataque com um time descaracterizado, mas montado para isso. Em retorno de lesão, Luiz Fernando passou a ser um centroavante em velocidade. E foi ele a puxar o ataque e dar o cruzamento para Diogo Barbosa, que entrou como ponta pela esquerda, finalizar o placar.

— A gente estava precisando de uma vitória assim, jogando bem, tendo o domínio do jogo, que o Grêmio sempre esteve acostumado — disse Diogo Barbosa após a vitória.

O Grêmio permanece longe de Porto Alegre e viaja a Atibaia nesta quarta-feira. Lá, permanece até o jogo de sábado, às 21h, contra o Bragantino, em Bragança Paulista. No Brasileirão, é o penúltimo colocado com sete pontos.

Com a vaga encaminhada na Copa do Brasil, resta ao Tricolor tentar aproveitar esta confiança mais alta para sofrer menos, embora no sábado a expectativa seja de novamente um time postado mais defensivamente.



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