Tiago Nunes estreou na vitória do Grêmio por 3 a 2 sobre o Ypiranga, neste sábado, no Colosso da Lagoa. Estava à frente do time e, portanto, era o responsável. Mas comandou apenas um treinamento, o que praticamente zera sua responsabilidade.

O Tricolor, em fase de transição, venceu com três gols em cinco minutos, mas deixou uma impressão de pontos por arrumar na bola parada, embora não tenha vazado no fundamento, e sofreu dois gols em três minutos.

Na semifinal do Gauchão, a equipe terá o Caxias pela frente nos próximos fins de semana. Com o resultado, encerrou a primeira fase como líder com 24 pontos.

A vitória veio com uma efetividade grande — e um pênalti mal marcado pela arbitragem. Não houve tempo para a equipe poder mostrar, efetivamente, algo diferente em campo. Quem jogou, nem treinou sob o comando do técnico.

Comemoração do Grêmio em vitória sobre o Ypiranga — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Comemoração do Grêmio em vitória sobre o Ypiranga — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Mas o terceiro gol, um contra-ataque muito bem armado, talvez resuma a ideia de aproveitar sempre as transições rápidas para fazer dano ao adversário. Chegar com mais velocidade na área e sem tanta posse de bola improdutiva.

Ou o segundo, quando Léo Pereira pressionou o goleiro Paulo e forçou um erro na saída que se transformou em bola na rede do atacante. Essa agressividade também é uma marca do treinador. Antes, Diego Souza havia aberto o placar no pênalti cavado por Matheus Henrique. Isso tudo em cinco minutos.Temos que buscar esse jogo um pouquinho mais vertical para também aproveitar esses jogadores que têm qualidade para vir de frente, infiltrar e finalizar.— Tiago Nunes

O pouco intervalo entre os jogos prejudicou o rendimento físico do Grêmio no jogo, algo nítido. O time também teve dificuldade para construir com a bola no pé e por vezes até de sair jogando. Problemas antigos, diga-se.

A falta de concentração no retorno do vestiário também. Isso que Diego Souza deixou o campo para o intervalo falando que o time não poderia “tirar o pé” para administrar o resultado porque precisava trabalhar as ideias de Tiago Nunes. Mas, em três minutos, dois gols sofridos e o placar apertado novamente.

— Temos jogadores experientes. Logicamente, quando toma dois gols muito rápidos chama atenção. Após esses dois lances, a equipe poderia ter sucumbido, mas conseguiu manter uma consistência, voltar para o jogo e entender que ficou muito físico. Aí resolvemos fazer um jogo de maior consistência defensiva — comentou o técnico.

O que ajustar

Nova mesmo foi a quantidade de cruzamentos na área do Grêmio com vantagem para o adversário. Com Renato, a marcação era individual, apenas com dois jogadores na primeira trave. Pois bem, agora a marcação é mais zonal — o técnico chamou de mista.

Como não houve como treinar, os jogadores apresentaram dificuldades. O Ypiranga gerou lances de perigo no início do jogo e continuou levando vantagem com o decorrer da partida, embora não tenha balançado as redes. No fim, por exemplo, Mikael escorou cobrança de escanteio, a bola ficou viva na área e o próprio volante finalizou no travessão.

— A maioria dos ajustes foi no vídeo, no quadro. Então, temos ajustes a fazer e, dentro dessa construção, entender a melhor característica de marcação para os jogadores que temos. O futebol hoje se decide muito nas bolas paradas. Temos que rapidamente evoluir nesse quesito para dar mais tranquilidade para a equipe — reconheceu Tiago Nunes.

Do meio para o fim do segundo tempo, o Grêmio se adaptou ao jogo e passou a correr menos riscos. Recuou mais e ganhou campo para correr em velocidade. Não ampliou no fim por detalhe.

A estreia não teve bom desempenho ou revoluções, mas Tiago Nunes, a partir da próxima segunda-feira poderá, enfim, colocar mais seu trabalho em ação. Três treinos e uma viagem pela frente.

Pelo Gauchão, o próximo compromisso é no fim de semana contra o Caxias. Mas na quinta o Tricolor encara o Lanús, pela Copa Sul-Americana, na Argentina.



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