A estreia do Grêmio entregou tudo que uma Série B promete. Foi o primeiro contato do Tricolor com as características tão citadas da competição e expôs as agruras que serão enfrentadas ao longo do ano. O empate em 0 a 0 com a Ponte Preta deixou gosto amargo nos gremistas, especialmente por ter um pênalti desperdiçado ainda no primeiro tempo com Lucas Silva.

O placar zerado ocorreu sob o comando de Roger Machado pela terceira vez. Para cumprir as expectativas na Série B, o Grêmio precisa ser mais efetivo no ataque. Contra a Macaca, foram pelo menos cinco chances de gol perdidas, entre elas um pênalti.

O discurso do treinador não teve tons de preocupação. Mas o contexto é muito semelhante à vitória na primeira partida da final do Gauchão, contra o Ypiranga. O Grêmio fez um bom primeiro tempo e empilhou oportunidades, mas não marcou. O gol só veio em uma cobrança de pênalti de Lucas Silva, veja só. Em Campinas, o volante errou.

Ou seja, não foi exatamente uma novidade. A percepção após o 0 a 0 é que o Grêmio deixou dois pontos em Campinas. Justamente por conta deste desperdício contra um rival em reestruturação após o rebaixamento no Paulistão e portanto frágil.

Ganhamos um ponto, gosto é amargo, poderia ter sido melhor. Jogamos para construir os três pontos, não conseguimos, mas se fizer o tema de casa, empatar fora e ganhar em casa fica de bom tamanho. Agora aumenta a obrigação de vencer em casa – admitiu o vice de futebol Denis Abrahão, por exemplo.

A falta de efetividade foi o principal ponto responsável pelo empate. O Grêmio manteve o padrão dos últimos jogos. O meio-campo com três volantes ditou um ritmo intenso, especialmente no primeiro tempo, e vertical.

O Grêmio parecia saber que teria dificuldades para criar com a bola dominada, em posse, pelas características já propagadas da competição. O time criou em cima dos erros do adversário com velocidade para tentar o gol, o que tem se tornado a identidade desta equipe de Roger.

Preocupa na medida que a gente não cria. E criamos muito. Eu trabalho insistentemente domínio, passe e finalizações para que os jogadores tenham tranquilidade. Hoje, foi um dia que a bola não entrou. Paciência. Bitello, Lucas, Campaz finalizam muito bem. A preocupação não é pela capacidade de finalização – minimizou o técnico.

Na primeira delas, Artur afastou mal cruzamento de Ferreira, mas Lucas Silva finalizou de frente para o gol e a bola foi para fora com desvio do goleiro Caíque França. Na cobrança, Bruno Alves cabeceou sem marcação para fora.

Roger Machado, técnico do Grêmio, com auxiliar Roberto Ribas — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Poucos minutos depois, o Grêmio construiu lance pela esquerda de ataque com Ferreira e Campaz. O colombiano cruzou rasteiro e Elias foi derrubado ao se antecipar na área. Lucas Silva chutou para fora a chance de ouro para abrir o placar e colocar em prática o controle do jogo.

Outros dois lances saíram dos pés dos próprios jogadores adversários. Elias, nos acréscimos da etapa inicial, e Ferreira, no segundo tempo, aproveitaram passes errados da defesa e conseguiram levar perigo.

Na etapa final, o mesmo ocorreu quando Fabrício afastou errado, após toque na área de Ferreira, e Campaz arrematou de primeira. No rebote, Bitello perdeu de frente para o gol. Essa série de relatos serve para mostrar que o Grêmio tem essa característica: fica na espreita até o erro. Mas precisa, quando surgir, converter as oportunidades.

O Grêmio manteve-se sólido na ideia montada durante o Gauchão. Sofreu pouco na defesa e controlou o ritmo do jogo. Podia ter arriscado antes no segundo tempo, mas entende-se o resguardo pela estreia longe da Arena.

A eficiência nos arremates fez falta ao final dos 90 minutos e foi o ponto mais determinante para o sentimento de frustração. A delegação volta a Porto Alegre neste domingo e volta aos treinos na segunda para o duelo com a Chapecoense, na sexta, às 19h, na Arena.



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