Esperava-se um Grêmio com força máxima na noite de quinta-feira, mas Renato Portaluppi surpreendeu, trocou sete jogadores na escalação e mesmo assim bateu novamente o Guaraní para carimbar a passagem às quartas de final da Libertadores. Um luxo que premiou a ousadia do treinador.

Sem desmerecer a competição, o foco também foi descansar boa parte dos titulares para a sequência de jogos, com Brasileirão e as semifinais da Copa do Brasil. Nomes como Geromel, Victor Ferraz e Matheus Henrique sequer pisaram no campo da Arena.

Inicialmente, seriam “só” seis mudanças. Mas Luiz Fernando sentiu um desconforto no aquecimento e Ferreira foi promovido a titular. Aos três minutos, já havia dado toda a tranquilidade do mundo ao completar para as redes cruzamento de Cortez.

— Minha maior dor de cabeça é escalar a equipe, porque temos pelo menos dois bons jogadores em cada posição. Passo confiança e eles desempenham o que têm de melhor. Tem sido assim nas três competições. Há espaço para todos. O importante é que cada um dá o máximo para conquistarmos as vitórias — destacou Renato Portaluppi.

Renato abraça Ferreira após primeiro gol do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Renato abraça Ferreira após primeiro gol do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

A valorização de todo o elenco vai ao encontro da braçadeira de capitão a Churín. O centroavante chegou há pouco no clube e já ganhou papel importante no duelo. Pode ser interpretado como um sinal para o argentino, contratado por cerca de R$ 9 milhões e com poucos jogos ainda como titular, não deixar o ânimo cair.

A invencibilidade do Grêmio chega a 15 partidas, a uma da melhor série atingida no ano. Neste período, Renato usou apenas duas vezes equipes prioritariamente reservas, contra Athletico e Fluminense, duas vitórias pelo Brasileirão.

Ainda assim, nestas escalações havia nomes titulares, como Pepê, Darlan, Jean Pyerre e Luiz Fernando. O treinador gremista tem acertado a mão nas trocas feitas no grupo, menos radicais que em outros anos, e conduz com maestria o Tricolor à 14ª quartas de final da história na Libertadores.

Diego Churín com a braçadeira de capitão do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/DVG/Grêmio

Diego Churín com a braçadeira de capitão do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/DVG/Grêmio

— O mais importante é o trabalho que temos feito. Rodando o grupo, dando oportunidade a todos os jogadores, que procuram fazer o que o treinador pede. Dedicação, entrega de todos. Estamos em três competições, é importante ter um grupo forte, querendo. A cada três dias temos uma decisão. É impossível manter a mesma equipe, mas o grupo entendeu nossa filosofia — opinou o comandante.

Jogo de poucas preocupações

Depois do gol de Ferreira logo no começo, o Grêmio continuou dominante por cerca de 20 minutos, mas diminuiu o ritmo. Encontrou em alguns momentos dificuldade para fazer a saída de bola e, muitas vezes, fez Rodrigues apelar para lançamentos longos.

A saída de Jean Pyerre, em susto no fim do primeiro tempo, contribuiu para isso. A função de Darlan também. Sem Matheus Henrique, ele era o responsável por buscar a bola na defesa e distribuir o jogo.

Apesar da mesma essência, o volante tinha dificuldade para conduzir a bola e romper a primeira linha de marcação. Algo que Matheus faz muito.

Mas os riscos foram poucos, apesar de duas defesas de Vanderlei. Não houve um domínio ou pressão do Guaraní, que abusou de erros técnicos No segundo tempo, Maicon e Diego Souza entraram e participaram do segundo gol, de Rodrigues, no último lance.

O Grêmio agora enfrenta o Santos nas quartas de final da Libertadores, com datas ainda não confirmadas pela Conmebol. No próximo domingo, o compromisso é contra o Vasco, pela 24ª rodada do Brasileirão. A partida está marcada para as 16h, na Arena.



Veja também