Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Faltou pouco para a liderança. O Grêmio venceu o Ypiranga, líder do Gauchão, por 2 a 0 na Arena, na tarde de sábado, e se recuperou depois de três partidas sem vitória. A atuação ruim no Gre-Nal de quarta-feira fica para trás depois das mudanças no Roger Machado na escalação. Villasanti, Bitello e Campaz ditaram o ritmo do jogo no meio de campo.

O resultado colocou mais dois clássicos pela frente nas semifinais do Gauchão. As partidas ocorrem nos dias 19 e 23 de março, em Beira-Rio e Arena, respectivamente.

A presença de Villasanti mais recuado, como primeiro jogador do meio-campo, deu mais velocidade e recuperação ao setor. O paraguaio também se associa bem às características de Bitello, um volante de saída e controle de bola. No dialeto popular do futebol, “deu liga”.

Em entrevistas, Roger tem se mostrado reticente em apostar nos jovens e no meio mais leve em “jogos grandes”, como o Gre-Nal que virá pela frente.

Esse processo de colocar jogadores jovens na frente de mais experientes é um processo de equilíbrio grande. É nosso papel manter os mais experientes motivados. Os jovens vão nos dar coisas boas, mas até os 22 ou 23 anos vão oscilar muito. Não estão prontos, mas o que fez eles estarem em campo foi o que fizeram. Às vezes, em jogos mais pesados, vou precisar de jogadores mais experientes – indicou o treinador após o jogo com o Ypiranga.

Mas os números gritam o contrário. Quando o técnico teve Villasanti e Bitello juntos, venceu São Luiz e Ypiranga, este o líder do Gauchão.

Depois, apostou na volta de Thiago Santos, que atuou ao lado de Bitello na eliminação para o Mirassol e depois com Villasanti no empate contra o Novo Hamburgo e na derrota para o Inter.

O desempenho do Grêmio melhorou a partir do meio-campo. Campaz atuou como um meia na maior parte do tempo, mais próximo de Elias, mas também chegou a ser ponta direita, com Janderson por dentro. E tinha liberdade para se aproximar da dupla. Gabriel Silva fechava o lado esquerdo e também circulava por dentro.

Todos também participaram das ações defensivas. A pressão após a perda da bola melhorou e gerou 24 desarmes do Grêmio, mesmo número do Ypiranga. É evidente que ainda há muito por corrigir e que o time não está pronto. Mas também é clara a diferença quando a aposta é por uma escalação que privilegia a qualidade técnica.

O segundo gol é exemplo disso. Bitello, Diogo Barbosa e Campaz triangularam na meia esquerda. O colombiano acelerou o jogo com um passe de primeira para o volante, mais à frente. Bitello arriscou chute e venceu o goleiro do Canarinho.

Campaz foi o maior finalizador do jogo, com sete arremates. Além do gol olímpico retirado “da cartola”, acertou o travessão e levou perigo em pelo menos outros dois lances. Tornou-se o jogador com mais finalizações do Grêmio no ano a partir deste jogo: 13.

Ao mesmo tempo, o Grêmio acabou o jogo com menos posse de bola em relação ao Ypiranga, mas quatro vezes mais finalizações que o adversário – foram 17 no total. Recuou para buscar contra-ataques no segundo tempo, quando o Ypiranga tinha um jogador a menos.

Um ou outro ajuste será feito. E de fato é necessário. Ferreira deve voltar ao time no Gre-Nal na vaga de Gabriel Silva. Restará a Roger dar sequência para a escalação, já que o clássico da semana passada deixou a pior das impressões.

O Grêmio volta a treinar na tarde de segunda-feira. O primeiro clássico da semifinal do Gauchão será no sábado, às 16h30, no Beira-Rio.



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