Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

A briga continua – e árdua, diga-se. Mas a vitória do Grêmio por 3 a 0 sobre o Bragantino deu pelo menos minutos de mais alegria para os torcedores, sem esquecer de todas as dificuldades do momento. Fato é que o desempenho e o resultado podem se transformar em um trampolim para o Tricolor na sequência decisiva para ficar na Série A.

Com 32 pontos, o Grêmio aguarda o resultado de Sport e Bahia, na quinta, para saber como a situação fica definitivamente ao fim da 33ª rodada. Por enquanto, pulou para a 18ª colocação, mas ainda depende do resultado do Leão.

O Bragantino entrou com um time completamente modificado, desentrosado e focado na final da Copa Sul-Americana, no sábado. Isso, por óbvio, acaba por ser determinante do outro lado. A torcida gremista, no entanto, também merece um olhar benevolente em meio a tanto sofrimento.

O resultado também dá um sinal que o Grêmio pode aproveitar os duelos com rivais desmobilizados ou com foco dividido, como Chapecoense, já rebaixada, e Flamengo, quatro dias antes da final da Libertadores.

É possível crer naquela até agora inexistente sequência de vitórias. Uma injeção de ânimo. Ou uma nesga de sol que supera uma janela antes cerrada, para ficar na metáfora do técnico:

O jogo de hoje (terça) nos abre a janela novamente. Vemos o sol entrar.
— Vagner Mancini

A atuação mostra um caminho para Vagner Mancini, enfim, repetir a escalação, apesar do desgaste da série de partidas. O técnico chegou a dizer que o desempenho “beirou a perfeição”. Não foi para tanto, mas a postura em campo precisa ser repetida nas próximas partidas.

Diante da situação que estamos, todos já entenderam que, independentemente do adversário, a postura tem que ser essa. O Grêmio tem que buscar esse termo Imortal que é do próprio Grêmio. Os atletas têm que entender onde estão, incorporar. É importante nesse momento que o clube não teve duas vitórias em sequência. Vai começar a ter. Porque só isso nos interessa, só isso nos dá a chance de sonhar – reforçou o treinador.

Surpresas dominam partida

A melhora tem relação com as mudanças na escalação. Jhonata Robert, Campaz e até Thiago Santos entraram bem na equipe. Rafinha retomou a vaga na lateral e fez jogo seguro, sem se expor no ataque.

A postura também foi de um time impositivo sobre o rival. O Grêmio marcou no campo ofensivo em boa parte dos 90 minutos.

– Eles (surpresas) deram vida ao time, é o que queremos. Acabaram transformando a equipe. Talvez do outro lado não esperassem por isso. Essa surpresa também foi significativa na partida – destacou Mancini.

Logo aos três minutos, em boa combinação de Ferreira com Campaz, o atacante conseguiu um pênalti. Claro, houve a dose de sofrimento: Diego Souza errou a cobrança, mas fez no rebote de Julio Cesar. O que deu um respiro na arrancada.

Pela direita, Robert flutuou também para o meio e conseguiu ser um híbrido de meia e atacante – assim saiu seu gol, o terceiro, em chute de longe. Foi bem nas jogadas individuais e precisou voltar pouco, já que Rafinha guardou posição e Thiago Santos estava presente na cobertura. Além, claro, do baixo ímpeto ofensivo do Bragantino.

Campaz ocupou a entrelinha e, mesmo sem ser um meia daqueles mais clássicos, esteve envolvido nas principais chances criadas. Foi o melhor jogo do camisa 7 pelo Grêmio, aí sim firmando a necessidade de dar sequência ao colombiano. Na velocidade, criou a jogada do gol de Lucas Silva – a bola ainda passaria por Ferreira antes de chegar ao volante.

Jhonata Robert e Campaz foram as principais notícias depois dos três pontos somados na conta. A situação segue complicada para o Grêmio. Mas o resultado pode ser um trampolim a impulsionar um pulo hoje meio improvável que pode servir para manter o clube na elite do futebol brasileiro.



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