Jogos do Grêmio fora de casa pela Série B praticamente têm seguido um roteiro que tem suas linhas finais em empates. Em 11 compromissos longe de Porto Alegre, o time empatou nove, sendo oito seguidos. No total, sete igualdades sem gols, como na noite de terça-feira contra a Chapecoense. Pelas circunstâncias da partida, é claro, o resultado é atenuado, embora possa ter repercussões na tabela.

O time de Roger Machado passou mais de 60 minutos, aí inclusos os acréscimos, com um jogador a menos em campo. Logo aos 30 minutos de partida, Bitello subiu demais a perna e acertou o rosto de Perotti. Cartão vermelho direto naquela que foi a primeira falta do Grêmio em todo confronto.

É bem verdade que a equipe não tinha criado muitas oportunidades quando ainda havia 11 atletas para cada lado. A mais clara foi com Campaz, que roubou a bola no campo de defesa e avançou em velocidade até finalizar de fora da área para defesa de Saulo. Em outro lance, o meia havia driblado o goleiro e cruzado, mas Biel finalizou em cima da marcação.

Além das poucas oportunidades neste jogo, o ponto é que a amostragem do Grêmio na competição como visitante não é diferente da apresentada na Arena Condá. A rotina é justamente fazer jogos mais conservadores e empatar, a maior parte em 0 a 0.

O colombiano, aliás, foi sacrificado após a expulsão de Bitello para o ingresso de Lucas Leiva para recompor o meio-campo. Na entrevista coletiva pós-jogo, Roger reiterou que a troca foi correta para o momento.

Diego Souza e Geromel em Chapecoense x Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Diego Souza e Geromel em Chapecoense x Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Pouco antes, o comandante gremista já havia sido obrigado a fazer a primeira substituição. Depois da chance criada por Campaz, Ferreira sentiu um problema na coxa esquerda e deixou o time para entrada de Guilherme.

Com 10 homens, a produtividade ofensiva do time, já modesta fora de casa — quatro gols em 10 jogos até então —, ficou ainda mais comprometida. O Grêmio só conseguiu chegar com perigo no primeiro minuto da etapa final, quando Diego Souza invadiu a área, driblou o zagueiro e bateu para fora, com desvio.

A Chape naturalmente teve mais a bola (55% do tempo no total), mas pouco assustou o gol de Gabriel Grando pelo tempo que teve com superioridade numérica. Encontrou uma defesa bem postada, que apenas comprova por que é a melhor da Série B.

O time da casa arriscava chutes de longe ou abusava dos cruzamentos, quase sempre interceptados pela zaga. Em apenas um deles, o último do jogo, Grando garantiu o empate ao defender a cabeçada de Perotti após cobrança de escanteio.

— Não ficamos atrás, o adversário nos empurrou para trás, são coisas distintas. Com a impossibilidade de manter a bola, é inevitável ser empurrado. A ideia era quando pudesse tirar o time de trás conseguir sair. As vezes que conseguimos, levamos perigo. Do contrário, é saber se defender bem e levar um ponto para casa — analisou Roger Machado.

Dadas as condições do jogo, o empate até não foi mau resultado para o Grêmio, ainda que o mantenha distante do líder Cruzeiro e com possibilidade de perder até duas posições na tabela da Série B, a depender do desempenho de Vasco e Bahia na rodada.

No entanto, o baixo rendimento fora de casa, com excesso de empates e escassez de gols, chama atenção. A equipe terá agora mais de uma semana para trabalhar até o próximo compromisso, novamente como visitante, em mais uma chance de mudar o panorama atual.

Como fez a abertura da 21ª rodada, que será concluída apenas no sábado, o Grêmio volta a jogar somente no dia 5 de agosto, uma sexta-feira, quando enfrenta o Guarani, em Campinas.



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