A Série B tem se transformado em um calvário cheio de espinhos para o Grêmio. Por estar longe da elite, já imaginava-se um sofrer quase eterno na caminhada até uma eventual confirmação do acesso. Mas a realidade grita, ou melhor, vaia ainda mais alto após um empate em 0 a 0 na Arena com o Criciuma, o que acarreta a pior sequência de resultados da temporada. 

A nova formação, com Elkeson e Diego Souza no ataque, foi insuficiente para balançar as redes do Tigre dentro de casa. Gerou sonoras reclamações para o time que não vence há três jogos. 

A série com empates diante de Criciúma e Ituano e a derrota para o Cruzeiro é a pior de 2022. Se iguala ao período de revés para Mirassol e Inter e igualdade com o Novo Hamburgo em jogos da Copa do Brasil e da primeira fase do Gauchão. 

O momento ruim do Grêmio é admitido por comissão técnica, na figura de Roger, e diretoria, a partir da manifestação do vice se futebol Denis Abrahão. Ecoa nos xingamentos e vaias na Arena. 

Elkeson e Diego Souza tiveram atuação apagada no comando do ataque — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Elkeson e Diego Souza tiveram atuação apagada no comando do ataque — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

– Nós estamos passando por um momento muito ruim. Quando estamos mal no jogo, achamos um gol como achamos em Itu e tomamos aos 94 minutos. Aí hoje tivemos no mínimo quatro chances claras no primeiro tempo e não fizemos o gol. No segundo, mais três e também não fizemos – lamentou Abrahão.

Time travado

O empate com o Criciúma é a ponta de um iceberg que tem toda a campanha do rebaixamento por baixo d’água. O Grêmio parecia fazer força para jogar e criar. Foram 20 finalizações no total, quatro de Diego Souza e uma de Elkeson. Sete pararam no goleiro Gustavo e mais sete saíram pela linha de fundo. As outras seis foram bloqueadas.

– Criamos pelo menos seis oportunidades com esses jogadores. Pode ter faltado a competência para tornar as oportunidades em gol. Mas o Criciúma teve uma bola chutada a gol. Nós tivemos o jogo inteiro martelando o adversário – defendeu Roger.

Aos trancos e barrancos, o Grêmio até conseguia chegar na área do adversário, algo saudado por Roger depois do jogo. Poderia ter feito pelo menos dois gols no primeiro tempo, outros dois no segundo, de fato.

Mas os avanços ocorriam de forma atabalhoada. Por exemplo, um passe errado na saída, que era desviado. A bola sobrava para outro gremista, que acionava um companheiro antes fora do lance. Tudo muito truncado e até aleatório por vezes.

A impressão era que faltava fluidez ao jogo. Poucos desmarques e espaços criados a partir de movimentações. Bitello, pela ponta esquerda, apesar do deslocamento para o meio a partir do avanço de Nicolas, ficou muito “fora” do time – Lucas Silva foi quem mais conduziu o Tricolor no primeiro tempo. Quando passou a ser volante, ao lado de Villasanti, participou mais e trouxe evolução na saída.

Antes das mudanças, o Criciúma avançava, cortava linhas de passe e em várias vezes forçou ligações diretas. O Grêmio conseguiu com mais frequência deixar o campo defensivo pelo lado esquerdo, com Nicolas.

Até porque a formação, segundo Roger, era justamente para soltar o lateral e atacar em uma espécie de 3-5-2 a partir do recuo de Rodrigues, mais uma vez improvisado na direita.

Evoluir sob pressão

O novo formato de time ainda precisa ser melhor trabalhado – uma máxima natural do futebol, mas com certa urgência no Grêmio. Especialmente no ajuste dos volantes, que ficaram expostos já que Elkeson e Diego Souza combateram pouco pelo centro e se distanciaram da linha de meio.

Grêmio com dificuldades para sair da pressão do Criciúma — Foto: Eduardo Moura

Grêmio com dificuldades para sair da pressão do Criciúma — Foto: Eduardo Moura

O fato é que a turbulência chacoalha muito mais do lado de fora do que internamente. Os resultados deixam o Grêmio fora do G-4 da Série B até o dia 29, pelo menos. E cada minuto fora da zona de classificação se torna uma eternidade para a torcida. A confiança, no entanto, se mantém.

O Grêmio poderia, sim, ter vencido o Criciúma, como disse Roger. Correu menos riscos em uma relação direta com as chances criadas para fazer gols. Mas também pode – e deve – jogar mais do que tem apresentado. Terá (mais) tempo para trabalhar.

O time gaúcho chegou aos 12 pontos em oito rodadas e fica na sexta colocação. O próximo compromisso será na terça, contra o Glória, pela Recopa Gaúcha, com uma equipe reserva. Pela Série B, enfrenta o Vila Nova somente no dia 29, no Serra Dourada.



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