Jean Pyerre corre até a linha lateral, quase na bandeirinha de escanteio, para salvar uma bola quase perdida. Isso há mais de 2,8 mil metros de altitude. A continuidade do lance é o cruzamento para o gol de Léo Pereira que garantiu a vitória do Grêmio por 1 a 0 sobre a LDU, em Quito, no primeiro jogo das oitavas de final da Copa Sul-Americana.

Aos 34 minutos do segundo tempo, o jovem Mateus Sarará acompanha lance do equatorianos na área tricolor e, mesmo após Gabriel Chapecó batido, tira uma bola na direção do gol.

Os dois momentos citados acima são pequenas demonstrações de suor e dedicação fundamentais no duelo que deu fim aos jejuns de vitórias e de gols do Grêmio na temporada. Removem das costas do grupo parte do peso carregado nos últimos tempos. Alivia os ares para a briga verdadeira, no Brasileirão.Temos uma vantagem para o segundo jogo, mas (a vitória) vai nos ajudar psicologicamente para o jogo de sábado. Temos que fazer a diferença no sábado também.— Felipão

Foram nove partidas sem vencer. Mais de um mês entre o 3 a 0 sobre o Santa Cruz, da terceira divisão estadual, até a noite desta terça. O desvio de cabeça de Léo Pereira encerrou a seca de cinco jogos sem balançar as redes. Tudo isso foi pinçado dos atletas.

Léo Pereira abraça Jean Pyerre após jogada do gol contra a LDU — Foto: Staff Images / Conmebol

Léo Pereira abraça Jean Pyerre após jogada do gol contra a LDU — Foto: Staff Images / Conmebol

A vitória dá um combustível psicológico para o Tricolor. Vira o ponto de partida para uma pretensa arrancada no Brasileirão, sob novos ares, mais leves e um tanto menos de pressão. A busca é por sair da lanterna e vencer a primeira na Série A.

— O maior problema do Grêmio são os três pontos que temos no Brasileiro. E temos equipes muito boas, com qualificação. Vamos ter que superá-las para sair da dificuldade. Não é a Copa do Brasil, a Sul-Americana, e sim o Brasileiro,. Vamos começar no sábado. Tivemos um excelente empate com o Inter. Começar a caminhada para sair da dificuldade – destacou Scolari.

Prioridade da vez: defender

O Grêmio trabalhou desde o início da partida em Quito para retirar o peso à base de muito sofrimento. A estratégia montada por Felipão foi justamente de diminuir o campo e marcar quase dentro da área de Gabriel Chapecó.

Por vezes, pelo avanço dos laterais da LDU, Alisson e Léo Pereira se alinhavam aos defensores em um cinturão de seis marcadores. Vanderson e Cortez atuaram quase como zagueiros.

A ideia de manter a posse de bola e jogar com passes curtos ficou no passado. Felipão apostou em ligações diretas e menos toques na bola.

No total, a LDU teve 72% de posse de bola e 511 passes completos no jogo, e o Tricolor, só 101. Mas fez 16 desarmes, cinco vezes mais que os equatorianos. A equipe da casa finalizou 17 vezes, cinco deles na meta, enquanto o Grêmio só seis, sendo quatro no gol.

Mateus Sarará salva o Grêmio contra a LDU — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Mateus Sarará salva o Grêmio contra a LDU — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

A LDU até conseguiu chegar, mas o time gaúcho esteve bem fechado e marcou em uma faixa mais atrasada de campo para complicar o estilo ofensivo do técnico estreante Pablo Marini.

— Os aspectos psicológicos foram trabalhados, as possibilidades da nossa defesa ter mais proteção, porque achávamos que estávamos um pouquinho expostos e tivemos a felicidade de não tomar gol em dois jogos. Temos que trabalhar muito para melhorar em um nível de não correr tantos riscos como hoje (terça). Só bons resultados dão tranquilidade para conseguir alguma coisa mais e influencia nos jogadores — apontou Felipão.

Como disse o treinador, o perigo esteve a todo momento a rondar o Grêmio. Gabriel Chapecó, especialmente no primeiro tempo, fez defesas decisivas para garantir o placar zerado. No segundo, contou também com Mateus Sarará, que fez a cobertura em lance cara a cara e conseguiu bloquear o chute de Arce.

Mas o Tricolor conseguiu também contra-atacar. Menos do que deveria, é verdade. No fim, Ricardinho perdeu a chance de ampliar o marcador com o gol aberto a sua frente.

A estratégia estabelecida deu certo para o contexto e diminuiu a carga sobre o time. E esse era o primeiro passo necessário para uma melhora na tabela do Brasileirão.

Jogar atrás foi a iniciativa buscada para ganhar. Felipão conseguiu e agora pensa no Fluminense, que encara no sábado, às 21h, para mais uma vez tentar tirar a equipe da lanterna.



Veja também