Foto: Lucas Uebel/DVG/Grêmio

O Grêmio parece afundando numa areia movediça e não consegue sair da zona do rebaixamento do Brasileirão. Ao perder nos acréscimos para o Santos por 1 a 0 no domingo, na Vila Belmiro, falhou pela quinta vez na competição para deixar o Z-4, deu sinais claros de abalo emocional e anunciou a saída de Felipão no início da madrugada.

O treinador não resistiu à sequência de quatro jogos sem vencer e, principalmente, às fracas atuações do time. Faltando 15 jogos para o fim do campeonato, o Tricolor vai em busca de um novo técnico, o quarto na temporada. E parece cumprir uma cartilha que sentencia o rebaixamento, com a torcida cada vez mais descrente na reação.

Se a noite da última quarta-feira acabou tensa para o Grêmio após empatar com o Cuiabá, a tarde de domingo começou da mesma maneira. Felipão apresentou uma novidade: um time com três zagueiros e apenas três atacantes. Uma estratégia pouco eficiente.

Era notório que o Tricolor abriria mão de propor o jogo e reagiria às ações do Santos. E como esperado, teve poucas chances no jogo. Aos 12, Alisson teve uma das mais perigosas, mas cara a cara com João Paulo conseguiu chutar no pé do goleiro.

Só não estava no cardápio que uma escalação com tantos defensores deixaria espaços para que Brenno fosse testado. Os zagueiros e volantes não se encaixaram, e o jovem goleiro reagiu bem no primeiro tempo, evitando no mínimo três chances perigosas.

O Grêmio voltou do intervalo sem grandes mudanças, nem de jogadores, nem de atitudes. Na verdade nua e crua, esperava uma brecha para escapar. Quando conseguia, faltava qualidade e organização para levar perigo ao gol do rival.

Com cerca de uma hora de jogo, Felipão deu suas cartadas. Desfez o esquema defensivo, com Ferreira no lugar de Rodrigues, além de trocar Diego Souza por Churín. Na prática, nada aconteceu. Assim como nas trocas posteriores: Jean Pyerre e Sarará nas vagas de Douglas Costa e Lucas Silva.

A válvula de escape se tornou Ferreira, que deu dois chutes: um fraco, nas mãos de João Paulo, e outro para fora. Abdicado de propor e levar perigo ao Santos, o Grêmio até parecia contente com o empate sem gols. Isso até os 46 minutos.

Douglas Costa em derrota do Grêmio para o Santos na Vila Belmiro — Foto: Lucas Uebel/DVG/Grêmio

Douglas Costa em derrota do Grêmio para o Santos na Vila Belmiro — Foto: Lucas Uebel/DVG/Grêmio

Foi quando Pirani bateu escanteio tão forte que a bola parecia sair. Mas Sánchez foi buscá-la, livre da marcação distante de Jean Pyerre. Thiago Santos afastou nos pés de Marinho, que se antecipou à Ferreira e chutou sem grande direcionamento.

A bola viajou até Wagner, que desviou para o gol sem chances para Brenno. No caminho, nem Ruan nem Alisson, que davam condição ao santista na jogada, reagiram. Diferente do VAR, que confirmou o o gol mal anulado pela arbitragem em campo.

O roteiro de terror para os gremistas ganhou dois capítulos finais desta noite, quando Rafinha partiu para uma briga com o gandula e foi expulso. Ao mesmo tempo, Brenno atravessou o gramado aos prantos, escoltado pelo colega Chapecó.

Retratos de um time emocionalmente abalado pelo momento ruim no Campeonato Brasileiro e que não passa confiança ao torcedor que pode reagir. A situação culminou com a saída de Felipão, anunciada no início da madrugada. Talvez seja a última cartada da direção para tentar evitar o que para muitos parece inevitável: o rebaixamento para a Série B.

O Grêmio parece preso à zona de rebaixamento, onde entrou na 2ª rodada para não sair mais. Teve a quinta chance, a quarta seguida, dependendo apenas de si. Mas falhou. Agora, ficará no mínimo mais uma rodada no Z-4, e terá de recomeçar com um novo treinador.



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