O Grêmio volta dos vestiários com a vantagem no placar e sem Maicon. O time gaúcho leva dois gols em cinco minutos na primeira parte da etapa final e não consegue manter o nível de atuação na ausência do volante em campo. Assim se resume a derrota por 2 a 1 na Arena, que praticamente inviabilizou a busca pela quarta colocação.

Maicon foi um esteio ao time enquanto esteve em campo, embora não tenha participado do gol gremista. Foi poço de indignação em uma sequência de erros defensivos, orientava os companheiros e fez melhorar Matheus Henrique e Jean Pyerre, especialmente, emborar o meia não tenha tido boa noite.

A mera presença de Maicon parece dar mais tranquilidade a quem está ao seu lado. O grande senão é a parte física. O volante não aguenta mais o jogo todo e ao sair no intervalo estava no banco já com gelo nas coxas. A percepção não é só externa, mas também de Renato.Quando perdemos o Maicon, parece que dá um apagão na equipe, e a gente sabe que o Maicon não vai poder jogar 90 minutos, jogar todos jogos. Temos que procurar treinar com um jogador no lugar do Maicon, pra a gente não sentir tanto a falta dele.— Renato Portaluppi

Maicon deixou o time e o Grêmio piorou — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Maicon deixou o time e o Grêmio piorou — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

G-4 fica distante

O resultado deixou o Grêmio com 56 pontos enquanto o São Paulo pulou pra 62 na quarta colocação. A briga pelo G-4 fica praticamente inviabilizada, já que o time paulista tem ainda um jogo a menos em relação ao gaúcho.

O Grêmio também precisa abrir a corrida pela quinta colocação, hoje do Fluminense, com 57 pontos e que joga hoje contra o Ceará. Caso o Tricolor perca a Copa do Brasil para o Palmeiras, a vaga direta da competição de mata-mata vai para o Brasileirão e ficaria com o quinto colocado.

A situação na classificação para a fase eliminatória da Libertadores é um pouco mais confortável, com vantagem de seis pontos e duelos diretos com Athletico e Bragantino. Ainda assim, fazer “passar raiva”, como diz o meme da internet, é especialidade do Grêmio 2020.

Mais uma vez, segundo tempo ruim

Em 45 minutos, o Grêmio fez um jogo parelho, sem dominar o São Paulo, mas capaz ao menos de reter a bola, circular e, assim, respirar em campo. Criou oportunidades em cabeceio de Alisson e em dois cruzamentos com finalizações de Diego Souza, um deles a cobrança de escanteio curto do gol.

Renato Portaluppi, técnico do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Renato Portaluppi, técnico do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

É bom também colocar: houve uma sequência de erros até a bola chegar no pé do centroavante. Daniel Alves, depois Arboleda e Gonzalo Carneiro contribuíram para o gol gremista sair. Houve dificuldade para criar, apesar de um desempenho regular.

Na parte restante do jogo, pareceu se irritar por assistir ao São Paulo fazer o que queria em campo sem trazer empecilhos. Como os encaixes individuais da marcação são mantidos, a movimentação do ataque e do meio do adversário desarrumavam a defesa gremista.

— Fizemos um bom primeiro tempo, praticamente não deixamos o São Paulo jogar, chegamos ao gol, tivemos duas ou três oportunidades, não soubemos aproveitar. E de repente deu um apagão no segundo tempo, São Paulo se aproveitou disso, conseguiu vitória importante aqui na Arena. Mais por falhas nossas. Essas coisas não podem acontecer — cobrou Renato.

Os dois gols ocorreram em espaço de cinco minutos. Primeiro, após jogada pela esquerda de defesa, a bola afastada por Victor Fezz e Tchê Tchê pega o rebote em frente à área sem ser incomodado. Vanderlei ainda recolheu os braços.

Pouco depois, Volpi fez um lançameto pra Gonzalo Carneiro — que, aliás, ganhou a maioria dos lances da defesa gremista. Os volantes não acompanharam e deixaram espaço. Algo constante no jogo: o São Paulo ficou com a chamada “segunda bola”. Luciano dominou, arrancou com facilidade pelo meio e criou a jogada do gol.

As trocas de Renato, aliás, deixaram o time mais vulnerável e sem qualquer cara de equipe. Lucas Silva foi para a zaga, por exemplo, Alisson virou lateral-direito e Matheus Henrique corria louco como volante único.

O meio-campo, tido como coração e pulmão dos times, tem apresentado problemas aos gremistas durante toda a temporada. O posicionamento da dupla de volantes passa a ideia de que um “camisa 5” clássico resolve o problema.

Mas não é só o estilo de jogador, é também como o sistema todo funciona. E Renato corre contra o tempo para resolver esse ajuste para as finais da Copa do Brasil.

O elenco agora retoma as atividades na terça-feira, no CT Luiz Carvalho, e se preparará para o jogo do próximo domingo, no dia 21, contra o Athletico, na Arena.



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