O descontrole emocional do Grêmio parece ter transbordado do campo para as arquibancadas, com a invasão da torcida ao gramado da Arena após a derrota por 3 a 1 para o Palmeiras. Cenas lamentáveis que acrescentam mais um capítulo na cartilha do rebaixamento seguida pelo clube e que tornam a missão de permanecer na Série A cada vez mais difícil.

O resultado manteve o Grêmio na 19ª colocação do Brasileirão, com 26 pontos, e cada vez mais pressionado na reta final do campeonato. O primeiro time fora da zona de rebaixamento é o Bahia, com 33 pontos e com duas partidas a mais. Mas é difícil acreditar que o Grêmio conseguirá reverter o atual cenário, independente da quantidade de jogos.

O descontrole do Grêmio já foi assunto depois da derrota para o Atlético-GO. O cenário repetiu-se contra o Verdão. Logo no fim do primeiro tempo, desta vez com vantagem no placar, Thiago Santos cometeu um pênalti evitável em Marcos Rocha. Raphael Veiga converteu aos 42. Aos 47, o mesmo Veiga aproveitou o baque do time gaúcho, fez o segundo dele e virou a partida.

A pilha, especialmente com a arbitragem após o pênalti assinalado no VAR, parece ter tirado o foco gremista. Tão logo acabou o primeiro tempo, todos os reservas e o técnico Vagner Mancini foram protestar com o árbitro Sávio Pereira Sampaio. Na volta do vestiário, os titulares novamente cercaram o árbitro. E, após o apito final, os torcedores invadiram o campo e quebraram o monitor do VAR.

– Quando o atleta percebe que o árbitro tem um desequilíbrio, aí que ele entra, quer protestar. Se Geromel e Kannemann jogam atrás, começam a falar, outros também começam. É uma briga emocional dentro da partida. Se falar que a contratação do Freud ajudaria? Eu diria que não. Todos estão acostumados a isso, já viveram situações semelhantes – afirmou Mancini na entrevista depois do jogo.

Antes do gol sofrido, o time repetia uma atuação de certa qualidade, com posse de bola e troca de passes. Ao mesmo tempo, o 4-1-4-1 escalado por Mancini não protegia bem a defesa contra um adversário que tinha três atacantes mais leves.

Dudu e Scarpa, especialmente, recuavam para receber a bola nas costas dos volantes. Os zagueiros do Grêmio ficavam na dúvida entre sair de posição e abrir espaços ou tentar antecipar. Ali os palmeirenses criavam perigo ao gol gremista.

Mas o fato é que, mais uma vez, o time do Grêmio desabou em campo após sofrer o gol. Demorou boa parte do segundo tempo para se reestabelecer na partida e melhorou ofensivamente após as trocas feitas por Mancini, especialmente a entrada de Campaz no meio-campo. Chegou até ao gol anulado de Elias, mas pouco perigo levou.

Thiago Santos cometeu o pênalti e chegou atrasado no gol de Raphael Veiga — Foto: César Greco/Agência Palmeiras

Quando o Palmeiras marcou o terceiro gol, já nos acréscimos, a paciência do estádio todo se desfez. Com o fim do jogo, alguns torcedores invadiram o gramado e fizeram profissionais do Palmeiras correr de volta para o vestiário. Agrediram pessoas, quebraram equipamentos e correram na direção dos vestiários. Um dos mais próximos da área da invasão era o centroavante Luiz Adriano.

A Procuradoria do STJD já afirmou que vai denunciar o Grêmio pela invasão da torcida, e o clube pode perder mandos de campo. Com 11 jogos por disputar, o Tricolor vai precisar praticamente de um milagre para se manter na Série A. O elenco gremista se apresenta nesta segunda e já viaja na terça-feira para o confronto contra o líder Atlético-MG. E com um horizonte com problemas pela frente.

– Tem 33 pontos em disputa. Está ficando cada vez mais difícil, não sou nenhum idiota. Tenho pretensão de entender de matemática. Mas temos que vencer ou vencer. Mudar alguns comportamentos e está sendo mudado – disse o vice de futebol Denis Abrahão.



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