O Grêmio segue na lanterna do Campeonato Brasileiro. Mas o 0 a 0 no Gre-Nal da tarde de sábado, na Arena, não pareceu incomodar os tricolores. Estreante do dia, Felipão montou uma formação mais emergencial que definitiva para evitar derrota no clássico. Em sua conta no Instagram, o auxiliar Paulo Turra citou que foram apenas 54 horas no clube desde o acerto com a nova comissão técnica.

Luiz Felipe Scolari teve apenas um treinamento, na sexta. Testou algumas possibilidades rapidamente e não determinou ali a equipe a começar o clássico. As escolhas por Fernando Henrique, Cortez e Alisson foram tomadas justamente para garantir mais segurança ao time. Aliás, todas as medidas foram nesse caminho.

E saiu satisfeito. É pouco para o Tricolor, mas atende ao que o contexto pedia. Sem pensar no futuro ou atropelar etapas.

Perder o Gre-Nal poderia amplificar ainda mais a crise gremista — com o empate, são 17 clássicos sem perder dentro da Arena, por exemplo. Mas o passo inicial da caminhada de Felipão foi dado para tentar desatolar o clube gaúcho.

Felipão e Fernando Henrique em Gre-Nal — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Felipão e Fernando Henrique em Gre-Nal — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

— Não foi o que nós sonhamos, mas está bom. Vamos dar o primeiro passo, nem que seja menor do que imaginávamos. Mas vamos concluindo, tirando um ou outro para mais uma situação futura. Vamos ter jogadores em condições, como o departamento vai dar daqui sete ou oito dias. Aí as coisas vão melhorar — assegurou Luiz Felipe Scolari.

As mudanças

O Tricolor voltou a ter Douglas Costa como meia central e Alisson na ponta direita. Fernando Henrique tomou conta do meio-campo e se tornou uma grata surpresa para permanecer por ali.

O garoto de 20 anos foi o volante marcador necessário, deu intensidade e fez sete desarmes, o maior número no jogo ao lado de Kannemann. Também liderou em passes completos, com 42, ao lado de Geromel.

Houve um Grêmio para trás e outro diferente para frente. Até os volantes, mostrou compactação, conectado e conseguiu se segurar, apesar de precisar contar com uma grande atuação do jovem goleiro Gabriel Chapecó.

Mas a transição ofensiva e a criação estiveram pobres. Bobsin saiu pouco no primeiro tempo, confuso pela marcação em Edenílson. E Douglas Costa ainda está abaixo de sua capacidade física.

Portanto, o Grêmio praticamente não assustou o maior rival dentro de casa. Houve uma melhora na construção no segundo tempo, com Jean Pyerre mais próximo a Bobsin, mas ineficiente. Foram nove finalizações, nenhuma com perigo

— Eu tenho três dias de Grêmio. Não posso sonhar diferente do que é a realidade atual. Calma. Tenho que ter mais tempo, um trabalho de campo e de muita conversa com jogadores, ter resultados. Porque é muito bonito jogar isso e aquilo, mas tem que ter resultados. Vamos fazendo trabalhos de correções, que faremos já amanhã (domingo) de manhã — apontou o treinador.

Felipão, técnico do Grêmio, projeta mudanças aos poucos — Foto: Eduardo Moura

Felipão, técnico do Grêmio, projeta mudanças aos poucos — Foto: Eduardo Moura

O momento é delicado e pede medidas de Felipão. Sem tempo, claro, técnico nenhum consegue mudanças significativas. O primeiro passo precisa ser de segurança. Mas também é necessário admitir a gravidade da crise pela qual o Tricolor passa, o que o treinador fez após a partida.

A (re)estreia de Felipão foi um jogo sem brilho, com o goleiro Gabriel Chapecó como destaque. Dentro do contexto, o suficiente para o Grêmio. Mas o que foi apresentado nos 90 minutos é preocupante para a equipe, afundada na lanterna com só três pontos conquistados no Brasileirão.

Na terça, o Grêmio encara a LDU no primeiro jogo das oitavas de final da Sul-Americana, em Quito. Inclusive, já viaja na manhã deste domingo. No Brasileirão, o próximo jogo é no sábado, contra o Fluminense, no Maracanã.



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