Foto: Jhony Pinho/AGIF

Era para ser “o jogo” do Grêmio nos últimos tempos. Mas não foi tratado assim em campo: o abatimento apareceu no time e se estendeu para fora das quatro linhas depois da derrota por 3 a 1 para o Bahia na noite desta sexta-feira. Mesmo que haja chance matemática de não cair, a confirmação do rebaixamento para a Série B virou uma mera formalidade.

Além de escolhas de Vagner Mancini que não acrescentaram em campo, o time foi um marasmo inexplicável para o momento vivido. Quando Geromel erra, a coisa já claramente não funcionaria. Foi a 19ª derrota gremista no Brasileiro. Um turno inteiro perdido.

O confronto direto tinha ares de decisão, com a Fonte Nova lotada. O Grêmio não entendeu assim. Entrou frio na partida e sem o tão falado espírito da Batalha dos Aflitos.

– Eu falei com o grupo de jogadores mostrando que precisávamos jogar uma Copa do Mundo. Não foi o que se viu. Temos que saber os motivos pelos quais isso não aconteceu – admitiu o vice de futebol Denis Abrahão.

Erros começam pela escalação

Campaz começou no banco porque estava gripado, mas foi chamado aos 21 minutos do primeiro tempo e lançado no jogo. Quando o placar já apontava 2 a 0 para o Bahia. Se tinha condições para jogar 70 minutos, poderia ir para o sacrifício.

Mas a escalação inicial de Mancini foi um dos claros problemas. Até a dissolução de Thiago Santos, Villasanti e Bobsin, o Grêmio não jogou na Fonte Nova. Com o colombiano, esteve mais organizado, embora tenha se beneficiado também de uma retração do Bahia com os dois gols de vantagem.

Logo nos primeiros minutos, o lado direito gremista falhou na marcação. Alisson não conseguiu acompanhar Matheus Bahia, que apareceu no espaço deixado por Vanderson, atraído por Raí. Lance semelhante ao gol sofrido para o América-MG, por exemplo. O chute que Gabriel Grando não segurou era defensável.

Cinco minutos depois, pode se dizer que houve um resumo da temporada gremista. Geromel tentou recuo para o goleiro em toque por cima, mas a bola ficou curta. Grando demorou para sair da meta e viu Raí chegar antes, passar por ele e tocar para o gol vazio.

A primeira metade da segunda etapa foi o melhor momento do Grêmio no jogo. Douglas Costa e Rafinha melhoraram o time. Na base da insistência, a equipe conseguiu chegar ao gol em chute do lateral desviado por Thiago Santos após sobra de cobrança de escanteio.

Trocas no desespero

As trocas seguintes de Mancini ocorreram aos 28 minutos. Kannemann e Villasanti saíram em uma iniciativa suicida do time em busca do empate. O técnico abriu completamente o meio-campo, mas não gerou tanto perigo assim no ataque.

– Não posso fazer substituições para não tomar mais gols, tenho que fazer para tentar empatar a partida. Imagine se eu estivesse perdendo de 2 a 1 para recompor o sistema defensivo, isso não existe no futebol. Eu jamais fiz isso e jamais farei. Quero ganhar os jogos – justificou Mancini.

Douglas Costa entrou em derrota do Grêmio para o Bahia — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Aí está outra responsabilidade do técnico. A explicação foi que o Grêmio precisava vencer o jogo e por isso as trocas foram feitas. Mas era possível martelar ainda mais sem se expor. Mancini também se defendeu e disse que em todos os gols a defesa estava em superioridade numérica.

A situação imediata foi tornar a equipe muito mais vulnerável. O terceiro gol do Bahia, de Daniel, é um claro exemplo disso. Rafinha deixou o seu espaço na lateral, onde o adversário receberia para fazer o gol, para cobrir a entrada da área. Ali só havia Jean Pyerre, que nem é marcador, e ninguém mais.

Rafinha poderia ter mantido a linha, claro. Mas Rodallega ficaria livre na entrada da área, de frente para os zagueiros. Um movimento errado individual novamente dentro do coletivo.

A derrota deixou o Grêmio com 36 pontos, quatro atrás do próprio Bahia, no momento na 16ª colocação. Só que o time baiano tem um jogo a menos. Além disso, o Juventude, o 17º, joga na próxima terça e pode abrir sete do Tricolor.

O próximo jogo do Grêmio será contra o São Paulo, na quinta-feira, na Arena, e pode selar o rebaixamento. Mas a queda é irreversível e questão de tempo. E há inúmeros culpados.



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