Envolvido em uma disputa judicial com o Grêmio, o atacante Ferreira deu pela primeira vez sua versão dos fatos no polêmico impasse em sua renovação contratual.

Em entrevista ao Canal do Nicola, do jornalista Jorge Nicola, o jogador diz ter sido coagido pelo Tricolor, explicou a decisão de buscar a liberação na Justiça por conta de atitudes de alguns dirigentes e detalhou a intenção de ter parte do seu percentual para uma negociação futura.

Ferreira, atacante do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Ferreira, atacante do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Segundo Ferreira, ele negociava a renovação contratual desde janeiro, mas as propostas do Grêmio não envolviam aumento salarial. No entanto, o que mais o incomodou foi não receber parte dos seus direitos econômicos para lucrar em uma negociação futura.

O Tricolor possui 80% dos direitos do atacante, enquanto a escola conveniada que revelou o atleta em Dourados, no Mato Grosso do Sul, tem os outros 20%.

— A gente brigou para ter uma porcentagem e o Grêmio não queria ceder. Se eu fosse vendido, a escolinha ganhava 20%, o Grêmio 80% e eu chupava dedo. Quando a gente fazia contraproposta, eles só falavam que não e ficava tudo parado. Quando vê, o Grêmio chegou em mim e falou: “ou renova ou está fora da Libertadores”. De um dia para o outro. Não tem como decidir sua vida em 24 horas. Me deixaram contra a parede — destacou Ferreira ao jornalista Jorge Nicola.

Gol do Grêmio! Felipe cruza na cabeça de Ferreira que marca o go de empate aos 37' do 2ºT

O Grêmio confirmou oficialmente a lista da Libertadores no dia 29 de fevereiro, um sábado, após vencer o Juventude por 3 a 0 na Arena. O nome de Ferreira, inclusive, esteve inicialmente em documento divulgado, mas depois corrigido.

Sem bonificação pela assinatura

A primeira renovação de contrato de Ferreira ocorreu em julho do ano passado. De acordo com ele, não houve aumento salarial e nenhuma bonificação ao assinar o novo vínculo até a metade de 2021.

“A gente tinha aceitado R$ 50 mil de salário e falaram que pedi R$ 100 mil. A questão eram as luvas e percentual. Eu acredito no meu futebol, tinha certeza que ia ganhar meu espaço” (Ferreira)

— Na primeira vez, ofereceram R$ 30 mil. Passaram umas quatro reuniões e o valor não subia. Eles acham que nós, jogadores, não conversamos. Eu ali, na minha situação acontecendo, outro jogador vem e fala: “li que você não vai ganhar luva. Eu renovei e ganhei tanto de luva. E ganho isso, na base, mais que você”. O que eu e meu agente entendemos? Que as pessoas ali não confiavam no meu futebol, mesmo eu provando — argumentou.

O estafe do jogador entrou com um processo na Justiça do Trabalho com pedido de rompimento do vínculo em caráter liminar, o que foi negado. Agora, resta aguardar a tramitação normal da ação.

Ferreira era cotado para ser sucessor de Everton — Foto: Eduardo Moura

Ferreira era cotado para ser sucessor de Everton — Foto: Eduardo Moura

— Não vi outra saída. Depois que fui na Justiça, o clube decidiu me colocar para jogar (na transição), mas aí houve essa parada. Não era meu desejo, nunca foi minha vontade. Botei na Justiça porque não tem como colocar os diretores, uns que conversavam uma coisa comigo e no contrato colocavam outra. O clube não tem culpa. Não culpo o clube nem o professor Renato, que sempre foi a favor da minha renovação — destacou o atleta.

Durante a entrevista, Ferreira reiterou que não tinha o desejo de sair do Grêmio e só tomou esta atitude pelas dificuldades na negociação. Também disse que Renato Gaúcho ligou para seu pai, mostrou-se a favor da renovação e procurou entender o lado do atleta.

Artilheiro do Brasileirão de Aspirantes de 2019, Ferreira começou a ganhar chances no profissional no segundo semestre e tem dois gols e duas assistências em nove jogos no time principal gremista.



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