Foto: Ricardo Giusti / CP Memória

A situação gremista é delicada na tabela do Brasileirão 2021. Atualmente, são 16 pontos – em 17 jogos – e a 18ª colocação, dentro da zona de rebaixamento, local onde está desde a segunda rodada. Quem já viveu situação semelhente, ou até pior, no entanto, acredita na possibilidade de reversão deste momento. Para isso, o que o Grêmio precisa é “tranquilidade e equilíbrio”. A avaliação é do ídolo gremista, Adilson Batista, que trabalhou como técnico na campanha salvadora de 2003, quando o Tricolor escapou somente na última rodada, com uma vitória em casa, por 3 a 0, contra o Corinthians, no estádio Olímpico. 

“Tem que jogar bola, ter calma, tranquilidade. Todos precisam abraçar a ideia do Felipão. Tem time, tem condição, tem boa administração. Sem loucura, sem desespero. É por etapas, ganhando, empatando, ganhando, empatando. Jogo a jogo. Alguns confrontos em que é preciso vencer e outros é possível negociar pontos. Tem muita gente ali perto que está na briga. O Felipão, pela experiência que tem, vai conseguir acredito eu”, resume o ex-comandante gremista. “Tem que estar equilibrado, bem treinado e estar consciente das dificuldades que serão encontradas. É jogo a jogo. Felipão é experiente, multicampeão, tem tudo para conseguir. Trabalhar e ter paciência que irá sair. Continuar jogando com seriedade, com afinco, um grau maior de concentração. É ter paciência”, acrescenta. 

Adilson admite que, comparar o que foi vivido há 18 atrás, com a campanha atual, esbarra em diversos fatores. Na época, o momento gremista era muito mais delicado e “desandou” a partir da segunda metade do campeonato. Em comparação, na 17ª rodada, o Grêmio ocupava a 20ª colocação, com 18 pontos, sete de vantagem de ambos os clubes no Z-2: Paysandu (PA) e Goiás (GO). Disputado por 24 times, o torneio tinha somente duas equipes como rebaixadas. “Os tempos eram outros e cabiam outras análises. Foram quatro ou cinco treinadores na temporada, um outro elenco, e aspectos financeiros delicados”, pontua.  A equipe gaúcha integrou a zona de rebaixamento a partir da 22ª rodada e na 24ª caiu para a última colocação. A reviravolta gremista aconteceu justamente em um clássico Gre-Nal, no estádio Beira-Rio, na 36ª rodada. Ali, o Grêmio superou o favoritismo colorado, venceu por 1 a 0, com gol de Christian, e “renasceu” no campeonato.

Ainda com altos e baixos, a equipe superou o Juventude, na 38ª, mas só foi voltar a somar três pontos contra o Paysandu, na 42ª. Nas últimas quatro rodadas, o Tricolor venceu Vasco e Criciúma, empatou com o Santos, e escapou com a goleada sobre o Corinthians. Até o último momento, o time estava sendo rebaixado. 

O antigo treinador gremista e ex-jogador também sustenta que a administração do Grêmio vem sendo bem-feita nos últimos anos e é capaz de, com trabalho, reverter este cenário. Ali, o Tricolor vivia o drama de salário atrasados. “O Grêmio vem de um trabalho longo, vencedor, chegaram algumas peças que qualificaram o elenco. Vejo como um outro modelo em 2003. Tivemos muitas dificuldades. Fomos vencer no sétimo jogo e sair na última rodada. Eu penso que o Tricolor não passará por isso esse ano”.

“Hora dos jogadores chamarem a responsabilidade”, afirma Anderson Lima

Um dos personagens daquela campanha que evitou o rebaixamento gremista no Brasileirão, o lateral-direito Anderson Lima sustenta que no momento de dificuldade, os atletas mais experientes e veteranos devem assumir a responsabilidade dentro do campo. “Os jogadores que chegaram são de altíssima qualidade, mas precisam conhecer o clube, a grandeza do clube. Até eles se encaixarem, isso leva tempo. É o trabalho do dia-a-dia. Isso é super importante. O Felipão sabe lidar com esse tipo de momento, mas é como eu disse, a responsabilidade no campo é dos atletas, principalmente nesse momento tão díficil e especialmente os mais experientes. Isso foi que fizemos em 2003”, avalia.

Em 2003, o Tricolor também viveu a saída de uma liderança do vestiário, a do goleiro Danrlei. Nesta segunda-feira, o volante Maicon, campeão pelo clube, assinou sua rescisão contratual, após deixar o gramado expulso contra o Corinthians. “Quando você é líder de uma equipe e o time vê o líder maior em um desespero tão grande, a coisa fica delicada. É como eu falei, os mais experientes têm de passar tranquilidade para os mais jovens. Os mais experientes têm que dar a cara a bater”. “A chegada do Adilson foi importante, só que os atletas se mantiveram. Quem iniciou, foi até o fim. Atletas que tinham história no clube. Roger, Darnlei, Tinga. É o nome, a imagem que vai ficar. Qualquer resultado negativo mancha essa bela história que foi construída”, acrescenta.

Pressão enorme e problema de saúde 

Assim como o técnico Adilson, o lateral confessa que a pressão sentida em 2003 era muito grande, principalmente pela situação na tabela próximo do final da competição. “Jogamos aquele Gre-Nal no Beira-Rio podendo ficar com uma distância imensa do primeiro fora da zona de rebaixamento. Era o ano de centenário gremista. A pressão era muito grande. Tive problema de saúde, quase perdi a vista em um olho. Era tanto estresse, que tive um problema na retina”, revela.

A ideia de superação, conforme Anderson Lima, estava no vestiário junto com a união de todos. “O vestiário nesse momento é super importante. Os jogadores têm que dispensar qualquer tipo de vaidade. Cada um assumir suas responsabilidade e tornar o Grêmio um só. Diretoria, jogadores, torcida. Se unir. União é a palavra”, finaliza.

Grêmio em 2003 

17ª rodada – 20ª colocado – 18 pontos – 35,2% de aproveitamento

Grêmio em 2021

17ª rodada – 18ª colocado – 16 pontos –  33,3% de aproveitamento

Após a derrota para o Corinthians, Felipão terá seu maior período de treinamentos desde que assumiu a equipe. O Grêmio só volta a campo contra o Ceará, no dia 12, na Arena. Ate lá, a equipe gremista observa os adversários diretos, que atuam nesse final de semana no Brasileirão. Em caso de vitórias de Bahia, Cuiabá, Sport e América Mineiro, a situação pode se complicar ainda mais na tabela. 



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