Por Giovani Mattiollo
- Às 16:41
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Foto: Facebook / Reprodução / CP

O torcedor do Grêmio Vinícius Mendes Lima, de 31 anos, relatou nesta quarta-feira que foi espancado e torturado por agentes da Brigada Militar (BM) no último domingo, dentro da Arena do Grêmio, em Porto Alegre. Segundo Lima, as primeiras agressões ocorreram na porta de um dos banheiros, mas a maior parte teria ocorrido em uma área de acesso restrito aos torcedores, onde não havia possibilidade do caso ser testemunhado.

Lima, que é professor universitário e empresário, conta que, na área restrita, os policiais colocaram papelões sobre seu corpo e passaram a desferir uma série de chutes e socos. Depois, segundo o torcedor, os agentes da polícia militar abriram a boca dele e aplicaram gás de pimenta, que também teria sido projetado nos olhos e nos ouvidos.

“Abriram uma porta e, quando eu entrei nessas escadas que eu não conhecia, começaram a me chutar, colocaram gás de pimenta na minha boca, abriram a minha boca, não foi nos lábios, colocaram dentro dos meus olhos, dos meus ouvidos, e daí eu não enxerguei mais nada. Eles apoiaram em mim os papelões e começaram a me chutar. Eu tava gritando e babando. Quando eu fui arrastado, eram quatro brigadianos. Eu me senti torturado, lembrei da ditadura”, diz Lima.

O torcedor disse ainda que, durante a prática de tortura, os servidores públicos da BM exigiam que ele informasse a senha de acesso ao celular dele. Lima diz que, após conceder acesso ao aparelho, os vídeos que havia feito da atuação da BM foram apagados.

“Eles começaram a gritar ‘me dá a senha do teu celular’ e me chutavam. Aí, obviamente, eu achando que poderia morrer, com ninguém próximo, eu dei a senha e obviamente eles apagaram os vídeos que eu havia feito”, relata. Lima conta ainda que, após os brigadianos apagarem os vídeos, pediram que ele se limpasse, lavasse os olhos, e o encaminharam ao Juizado Especial Criminal (JECRIM) para registro de ocorrência.

O torcedor diz que foi retirado da torcida pouco antes do início das agressões por conta de uma divergência sobre a retirada de uma faixa que ele e os amigos mantinham estendida na Arena. A segurança privada da Arena teria inicialmente solicitado a retirada da faixa. Como os torcedores não atenderam a demanda, a BM foi chamada. Segundo Lima, após os torcedores aceitarem a retirada da faixa, os brigadianos o algemaram pelo fato dele filmar a ação policial. Lima admite ter se debatido e questionado a prisão, ainda na arquibancada, mas nega que tenha agredido os policiais.

O caso foi relatado pelo torcedor, acompanhado de três testemunhas, a deputados da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa gaúcha, nesta quarta. Os deputados Jéferson Fernandes (PT) e Manuela D’Ávila (PC do B) desejam levar o caso à Defensoria Pública Estadual.

Procurada pela reportagem, a Brigada Militar (BM) comprometeu se manifestar sobre o caso na tarde desta quarta-feira.

O Grêmio divulgou uma nota oficial sobre o caso, confira:

“O Grêmio FBPA vem a público se manifestar sobre incidente envolvendo um sócio do Clube, em área localizada nas cadeiras superiores, durante a partida entre Grêmio x Novo Hamburgo, ocorrida no último domingo, na Arena.

O Clube esclarece que está participando da apuração dos fatos, em busca da responsabilização necessária para que problemas futuros sejam evitados.

O Grêmio reitera o compromisso com o bem-estar e a segurança de seus torcedores, bem como o cumprimento de todas as normas de convivência vigentes no estádio”.

Em uma rede social, uma das testemunhas publicou um vídeo com toda a ação da segurança privada na retirada das faixas. As imagens não mostram a agressão relatada por Lima, mas tudo o que aconteceu antes da BM entrar em ação.

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