O que o Grêmio pode esperar do Guaraní

Time paraguaio não se caracteriza por marcação forte, mas por gostar de jogar. Em 2015, eliminou o Corinthians das oitavas da Libertadores

Por Giovani Mattiollo
- Às 11:56
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(Foto: Marcos Ribolli)

Adversário do Grêmio nesta quinta-feira, o Guaraní é mais conhecido no Brasil por ser o carrasco do Corinthians de Tite na Libertadores de 2015. A equipe, menos tradicional em relação a rivais como Olimpia e Cerro Porteño, é o terceiro colocado do Apertura deste ano e tem algumas características claras. O Tricolor terá pela frente um time com apreço pela posse de bola, com velocidade para atacar, mas que costuma deixar alguns espaços pelo meio.

Conforme análise do jornalista Edgar Cantero, do Pelota Tatá, que acompanhou o treino do Grêmio no estádio Manuel Ferreira, o Guaraní não mantém o estilo paraguaio corriqueiro, de pegada e marcação forte. Gosta mais de manter jogar com paciência, rodar a bola e procurar o espaço.

– Não é a típica equipe paraguaia que joga para marcar e pressionar. É uma equipe que joga pela posse da bola. É paciente e tem dois volantes centrais que são marcadores, mas também com chegada e sabem jogar – diz Cantero.

Por isso, os volantes Palau e Aguilar avançam para ajudar na construção de jogadas. E, como reação a isso, também deixam espaços que podem ser aproveitados pela equipe gaúcha em contra-ataques rápidos, algo já marcante desde a chegada de Renato, no fim do ano passado. Outra característica são os laterais mais fixos na defesa, sem avançar tanto.

As jogadas de velocidade dos mandantes saem geralmente dos pés de Camacho. O artilheiro do campeonato nacional passado é uma espécie de Bolaños do Guaraní. Joga por dentro, mas não tem as características exatas de um meia clássico. Abusa da qualidade e capacidade de fazer gols – foram 18 em 43 partidas no ano passado. Olho no rapaz, Geromel! Rodolfo Gamarra também é o escape pelo lado esquerdo do campo.

– Eles têm três ou quatro jogadores muito rápidos, que sabem fazer gols. Joguei com eles na seleção também. Temos que ter cuidado na defesa, são caras perigosos. Mas como falei, temos que fazer uma partida certinha, se preocupar com a gente também, porque se a gente faz um grande jogo, é possível conseguir a vitória – afirmou Barrios.

Embora o Defensores del Chaco seja um templo do futebol sul-americano, a expectativa de público não é das melhores. O Guaraní, sem a torcida massiva de Olimpia ou Cerro, não lota a casa da seleção paraguaia. Ou seja, a pressão das arquibancadas não será das maiores.

A equipe tem vários conhecidos do futebol brasileiro. O zagueiro Nery Bareiro, por exemplo, defendeu o Coritiba no ano passado. O próprio Camacho vestiu a camisa do Avaí em 2015, sem grande destaque. O mesmo vale para Wilson Pittoni, ex-Bahia e Figueirense, e Palau, capitão e líder do time, ex-Atlético-PR.

É preciso cautela. Em 2015, esse mesmo Guaraní eliminou o Corinthians, posterior campeão brasileiro, comandado por Tite e que tinha Renato Augusto, hoje um dos destaques da seleção brasileira, no elenco. Naquela ocasião, o time paulista perdeu as duas partidas, por 2 a 0, no mesmo Defensores del Chaco, e 1 a 0, em São Paulo, e acabou eliminado nas oitavas da Libertadores.

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