O dia em que Pelé e Coutinho protagonizaram uma das maiores jogadas do Estádio Olímpico; confira

A história de um dos maiores confrontos entre Grêmio e Santos

Por Guilherme Palmerim
- Às 14:29
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Imagem: Reprodução

No dia 16 de janeiro de 1964, o Grêmio recebeu o Santos, no Estádio Olímpico Monumental, pela primeira partida das semifinais da Taça Brasil de 1963, torneio que indicava o representante brasileiro na Libertadores. A cidade de Porto Alegre vibrava com a partida entre o bicampeão mundial (Santos) e o bicampeão estadual (Grêmio).

Exploração de cambistas e reclamações de vereadores no plenário da Câmara Municipal, por conta dos Cr$600 cobrados por cambistas por um simples ingresso de Geral, marcaram o pré-jogo. Diante da omissão das autoridades, três mil cadeiras numeradas foram colocadas na pista e, assim como todos os outros setores, foram integralmente vendidas. O estádio vibrava com um público de 45 mil pessoas, que renderam Cr$21.337.000,00 aos cofres do Grêmio — tornando-se recorde.

O Grêmio jogava melhor que o Santos, e nos primeiros minutos pressionou em busca do gol. Com dois minutos, no primeiro ataque da partida, Marino quase marcou. Pouco tempo depois, aos seis minutos da primeira etapa, Paulo Lumumba abriu o placar com um golaço. O jogador gremista invadiu a grande área e, em um chute diagonal, encheu o pé, explodindo a bola no travessão antes de entrar no gol santista. Apesar da superioridade gremista, o Santos empatou em um dos seus poucos ataques; Pelé encontrou Coutinho sozinho dentro da área, que marcou o gol aos 24 minutos.

Na segunda etapa, o Santos equilibrou a partida. Chances perdidas para os dois lados, até que aos 26 minutos, Coutinho recebeu e driblou o goleiro Alberto, marcando o gol da virada do time paulista. Logo após, Pelé e Coutinho protagonizaram uma das maiores jogadas feitas no Estádio Olímpico Monumental. 

“Quem viu o gol de falcão na semifinal do brasileiro de 1976, depois da tabela pelo ar com escurinho, multiplique por três ou quatro os toques de cabeça” – Calvet

Coutinho deu um lençol em Aureo, zagueiro gremista, e passou de cabeça para Pelé, esse cobriu Airton Pavilhão e devolveu novamente de cabeça. Na tabela por cima, os dois foram do meio de campo até a área gremista. O gol não saiu, mas os dois craques receberam aplausos da torcida gremista, conta Raul Donazar Calvet, um dos maiores quarto-zagueiros da história do Grêmio.

O Grêmio teve a chance de empatar com João Severiano, o Joãozinho, que desperdiçou um lance próximo à pequena área santista. Foi o último suspiro do tricolor na partida. Aos 32 minutos, Pelé invadiu a grande área pela direita, correu até o meio e chutou no canto esquerdo sem chances para o goleiro. Parte da torcida saiu do estádio, enquanto a outra parte ficou e pediu “olé” para Pelé. O Santos, agora, dominava o Grêmio em seus domínios. Fim de partida! O tricolor precisava reverter o resultado em São Paulo, no Pacaembu.

Mas não foi possível! Apesar de um bom futebol, o Grêmio perdeu por 4 a 3 e foi eliminado nas semifinais do torneio, em uma partida que ficou marcada pela péssima arbitragem — com um pênalti mal marcado para o Santos — e pela vez em que Pelé jogou como goleiro, já que Gilmar, goleiro do Santos, havia sido expulso, aos 41 minutos do segundo tempo, por xingar o árbitro argentino Teodoro Nitti. Na Taça Brasil, o imortal havia passado pelo Metropol (1-1 no Olímpico e 0-2 em Criciúma), nas oitavas, e pelo Atlético-MG (1-1 no Independência e 2-1 no Olímpico), nas quartas de final. Enquanto os paulistas, assim como os cariocas, entravam nas semifinais.

Confira abaixo alguns lances recuperados da primeira partida:

 

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