Por Giovani Mattiollo
- Às 12:15
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(Foto: Eduardo Deconto)

Distante 6 mil quilômetros de Porto Alegre, o Grêmio encontrará o azul familiar com predominância no Monumental de Maturín para o duelo com o Monagas, nesta terça-feira, a partir das 21h30 de Brasília, pela Libertadores. Palco da partida, o estádio é o maior da Venezuela, com capacidade para 52 mil pessoas acomodadas confortavelmente em cadeiras celestes. Mas receberá público estimado de 15 mil pessoas para ver o atual campeão da América, mesmo com ingressos a partir de R$ 1,5.

A casa do Monagas, aliás, desperta boas lembranças aos brasileiros. Sede da Copa América de 2007, o estádio recebeu o duelo entre Brasil e Chile, pela fase de grupos da competição. Ali, 51 mil pessoas viram de perto o show de Robinho, autor dos três gols da vitória por 3 a 0 da Seleção de Dunga, campeã da competição com triunfo sobre a Argentina também por 3 a 0.

O estádio, aliás, foi erguido em menos de dois anos, justamente para sediar a competição, na região Oeste, uma zona industrial de Maturín. Entre as fábricas, as obras de terraplanagem iniciaram em novembro de 2005, com a fixação da primeira estaca em março de 2006. Projetado pelos arquitetos Fernando de La Carrera, Alejandro Cavanzo e Diego Zorio, o Monumental foi inaugurado em 17 de junho de 2007, com shows culturais e vitória do Monagas sobre o Zamora.

Os “resquícios” do chavismo, aliás, estão presentes até hoje. No portão de acesso das delegações, uma foto do ex-presidente Hugo Chávez, morto em 2013, orna a fachada do estádio, ao lado do retrato do atual presidente, Nicolás Maduro. Em frente à construção, há uma placa de registro da data da inauguração, com uma faixa afixada com os dizeres “Aqui não se fala mal de Chávez”.

Estádio Monumental de Maturín apresenta resquícios do chavismo (Foto: Eduardo Deconto)

Da pompa de seus primeiros até hoje, porém, o Monumental definha aos poucos devido à falta de manutenção – algo compreensível, dadas as dificuldades de uma Venezuela em crise. Os assentos azuis estão desbotados, sujos de poeira, com algumas cadeiras arrancadas deixando espaços em branco, sem reposição. Do lado de fora, o amarelo também se desgasta com o tempo, e a vegetação cresce até tomar conta do entorno.

O estado precário de conservação tem efeito direto nas condições do gramado, reprovado com veemência por Renato Portaluppi. O campo apresenta falhas em todos os setores, em especial, nas duas áreas, além de diversos tipos de grama.

Nesta terça-feira, a diretoria do Monagas espera público reduzido, na casa dos 15 mil torcedores. A crise financeira e política na Venezuela, com escassez de dinheiro e produtos básicos, e o mau momento do clube no Campeonato Venezuelano afastam o interesse dos torcedores. O clube ocupa a 13ª colocação com 16 pontos após 16 rodadas. São, ao todo, 18 times.

Os espaços em branco devem predominar mesmo com o preço dos ingressos. A entrada mais barata custa 30 mil bolívares, ao passo que a mais cara sai por 60 mil – como base, o salário mínimo é de 2,2 milhões. Na conversão para o real, os valores são irrisórios: cerca de R$ 1,5 e R$ 3, devido ao câmbio de uma moeda desvalorizada a cada dia pela crise.

Cadeiras do Estádio Monumental de Maturón estão desgastadas pelo tempo (Foto: Eduardo Deconto)

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