O camisa 10 do Grêmio é o 7. Pelo menos nas conquistas da Libertadores o número esteve associado a um dos protagonistas. Renato, em 1983. Paulo Nunes, em 1995. Luan, em 2017. Este ainda é o dono da camisa cabalística. Recuperado da lesão que o tirou da parte final da temporada passada, Luan projeta um ano melhor do que o anterior nos aspectos coletivos e individuais. Afinal, quer marcar uma geração não apenas com o número, mas também com o seu nome.

E o primeiro passo começa nesta quarta-feira. A partir das 21h30, o Grêmio estreia na Libertadores contra o Rosario Central, no Gigante de Arroyito, na Argentina, em jogo com transmissão da RBS TV e SporTV. Para o clube, é o início da caminhada em busca do tetra. Para o camisa 7, a chance de mostrar que 2017 não é só uma lembrança do passado e que ele pode recuperar o posto de melhor jogador do continente.

Associar o jogador ao Grêmio vencedor das últimas três temporadas é fácil. No entanto, quando chegou aos profissionais do clube, em 2014, o momento era muito diferente. O Tricolor vivia um jejum de mais de uma década sem títulos expressivos. Naquele ano, ainda com a 26, ele passou por uma eliminação na Libertadores para o San Lorenzo.

Dois anos depois, nova queda, desta vez para o Rosario Central, adversário da estreia em 2019. Naquela ocasião, Luan teve pipocas atiradas contra seu carro em frente ao CT Luiz Carvalho durante um treinamento. Ambas as eliminações foram, para o meia-atacante, seus piores momentos no clube. Porém, acredita que muita coisa mudou de lá para cá.

– O Grêmio é campeão. A maioria dos jogadores aqui conquistou títulos importantes. É um Grêmio totalmente diferente. Tirou esse peso de tanto tempo sem título. A gente entra com um pouco mais de experiência, não com aquela ansiedade que tinha – analisa.

“Agora deu tempo, deu para recuperar totalmente. É complicado, mas sabia que teria que ficar parado para me recuperar. Porque esse ano tenho certeza que será um grande ano para a gente” (Luan, sobre a lesão no planta do pé)

Depois daquilo, Luan foi de contestado a Rei da América – eleição feita pelo jornal uruguaio El Pais. Em 12 jogos, na Libertadores de 2017, fez oito gols, inclusive na final, contra o Lanús. Figura central no título, ele pensa em ser novamente a referência do time em 2019. Algo que o levou a ser escolhido como o “Melhor Rei da América” em enquete de GloboEsporte que comparava seu desempenho naquele ano com Andrés D’Alessandro em 2010.

– Eu penso (em ser eleito Rei da América). Tem que pensar todo dia. Não só conquistar esse prêmio de novo como também ser campeão. Foi um ano muito especial para mim. É um prêmio e uma competição que tenho desejo de vencer novamente – garante.

Luan com a taça da Libertadores conquistada em 2017 — Foto: Reprodução

Luan com a taça da Libertadores conquistada em 2017 — Foto: Reprodução

Em 2018, Luan não pôde ajudar o Grêmio a chegar à segunda final seguida. Ele desfalcou o time nos dois jogos com o River Plate devido à fascite plantar, uma inflamação na sola do pé que o tirou dos gramados por três meses. Para curar, seria preciso permanecer em repouso total, sem nenhuma atividade de alto, médio ou baixo impacto. Foi o que fez nas férias.

– Eu fiquei com minha família, descansando – conta. – Só fiquei em casa. Isso era a única forma de cura, porque, como no começo não tratei, foi ficando crônica. Só parando para poder sarar. Como queria jogar todo jogo, fui levando. Agora deu tempo, deu para recuperar totalmente. É complicado, mas sabia que teria que ficar parado para me recuperar. Porque esse ano tenho certeza que será um grande ano para a gente.

O primeiro título, ainda que simbólico, já veio: a Recopa Gaúcha. Em disputa, mais quatro: Gauchão, Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores. Apesar de já ter conquistado a maioria, exceto o Campeonato Brasileiro, Luan diz não ter predileção pelo próximo troféu.

– Eu quero ganhar todos que a gente disputar. Temos condições para isso, grupo para isso. O Renato já vem colocando isso na nossa cabeça, de ser um grupo vencedor. Quer sempre ganhar. Temos que ter essa mentalidade.

Luan projeta mais títulos para o Grêmio em 2019 — Foto: Reprodução/RBS TV

Luan projeta mais títulos para o Grêmio em 2019 — Foto: Reprodução/RBS TV

Luan já está na história do Grêmio por participação em títulos e por conquistas individuais. Com 71 gols, está a três de igualar Renato e a quatro de se tornar o 14º maior artilheiro do Grêmio. Trinta e nove deles foram na Arena, o que o torna o maior goleador do estádio.

Também tem 12 gols na Libertadores. Caso marque mais três, se torna o artilheiro do clube na competição ao lado de Jardel. Mais quatro e se isola na artilharia. São tantas as razões que o vinculam à história tricolor que não soa exagerada a noção de Luan ser jogador de um clube só. Ele mesmo alimenta o sonho de protagonizar uma fase vencedora do clube.

– Quanto mais puder entrar na história do Grêmio com um feito, quero estar sempre fazendo. É um clube que tenho carinho enorme. O Grêmio é o clube que aprendi amar, gostar, torcer. Pelo fato de estar tanto tempo aqui, por ser o clube que abriu as portas para mim, sou muito grato ao Grêmio – finaliza o camisa 7.


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