Por Giovani Mattiollo
- Às 08:10
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Ao pisar na grama do Gigante de Arroyito nesta quarta-feira, os jogadores do Grêmio, alguns em especial, viverão uma espécie de reencontro com a própria história. Pouco menos de três anos depois, o Tricolor reencontra o Rosario Centralresponsável pela mais dura derrota recente do clube gaúcho na Libertadores. De lá para cá, porém, muita coisa mudou. Com títulos conquistados, o time gaúcho tenta manter o ciclo virtuoso iniciado no mesmo ano de 2016.

Naquele ano, Grêmio e Rosario se enfrentaram nas oitavas de final do torneio sul-americano. No jogo de ida, na Arena, os argentinos venceram por 1 a 0, com gol de Marco Rubén. No jogo de volta, em Rosário, o Tricolor foi atropelado por 3 a 0, com dois gols de Rubén e um de Donatti, e deu adeus ao sonho do tri, que viria no ano seguinte.

Nas últimas cinco participações do Grêmio em Libertadores (2018, 2017, 2016, 2014 e 2013), aquele 3 a 0 é a pior derrota em termos de gols sofridos. Na história do Grêmio na competição, há derrotas com o mesmo placar para o Oriente Petrolero, na Bolívia, em 2011; para o Boca Juniors, na final de 2007, na Bombonera; e para o Vasco, em 1998. A pior derrota gremista em jogos pelo torneio continental foi o 5 a 1 para o Palmeiras, em 1995, mas que trouxe a classificação.

Grupo do Grêmio após eliminação em 2016 — Foto: Eduardo Moura/GloboEsporte.com

Grupo do Grêmio após eliminação em 2016 — Foto: Eduardo Moura/GloboEsporte.com

Se agregarmos então o 1 a 0 na Arena, a superioridade do Rosario Central no mata-mata ficou clara. Mas o clube gaúcho deu a volta por cima. Após aquela eliminação, o Tricolor abocanhou as taças da Copa do Brasil, da Libertadores, da Recopa e do Gauchão, além da Recopa Gaúcha. Também teve doloridas eliminações, mas desde a chegada de Renato Gaúcho, que substituiu Roger Machado, nunca foi tão dominado por outro adversário como naquela noite.

– Foi um dos piores (momentos). Quando saiu para o San Lorenzo também, na anterior, foi complicado. Acredito que seja sim um dos piores momentos. O Grêmio é campeão. A maioria dos jogadores aqui conquistou títulos importantes, é um Grêmio totalmente diferente, tirou esse peso de tanto tempo sem título. A gente entra com um pouco mais de experiência. Não com aquela ansiedade que tinha – opinou Luan, em entrevista ao GloboEsporte.com.

Mudanças desde a eliminação para o Rosario em 2016

  • Reestruturação financeira
  • Cinco títulos
  • Jogadores convocados para seleções
  • Manutenção do grupo
  • Afirmação de Renato como treinador

Daquele jogo, seguem no time titular o zagueiro Pedro Geromel, o volante Maicon e o atacante Luan. A escalação da época tinha Marcelo Grohe; Ramiro, Geromel, Fred e Marcelo Hermes; Maicon, Walace, Giuliano, Douglas e Bolaños; Luan.

Não faltavam exatamente qualidade, especialmente do meio para frente. Mas a equipe ainda não estava madura. Em evento para sócios há uma semana, o presidente Romildo Bolzan lembrou de uma frase quando disse que 2016 não era o ano do Grêmio disputar a Libertadores.

– O Grêmio tinha tradição em Libertadores, mas os jogadores ainda não. Agora o time tem quilometragem. Mudaram jogadores, é verdade. Mas temos feito as últimas Libertadores muito boas. Acho que isso conta a nosso favor. É uma coisa geral, o clube melhorou sua estrutura, a instituição é mais saudável hoje, e isso se reflete no time. Às vezes o pessoal acha que não fizemos grandes contratações, mas manter um time de primeira linha não é barato. E conseguimos porque a estrutura está cada vez mais saudável – explicou o vice-presidente Marcos Hermann ao GloboEsporte.com

Geromel é um dos remanescentes do time de 2016 — Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

Geromel é um dos remanescentes do time de 2016 — Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

“Aquele jogo foi um diagnóstico de que estávamos retornando ao protagonismo do futebol para as perspectivas de títulos. Depois fomos campeões da Copa do Brasil” (Romildo Bolzan ao GloboEsporte.com)

Os dois lados passaram por claras mudanças. O Rosario Central tinha atletas mais valorizados à época, um deles atualmente no próprio Grêmio, o meio-campista Montoya. Hoje tem investimento mais baixo e uma crise para administrar. O Grêmio tinha um grupo com menos qualidade que o atual, e uma mentalidade de buscar todos os títulos.

Depois daquela derrota, o Grêmio trocou sua diretoria de futebol com a demissão do executivo Rui Costa. Mais adiante, após uma série de insucessos e derrotas também pesadas no Brasileirão, Roger foi demitido. À época, o volante Maicon defendeu o rumo tomado pelo clube gaúcho, convicto que o Central havia superado o Tricolor na qualidade. A razão de fato estava do lado do capitão.

A crise com a eliminação na Libertadores, somada à queda no Gauchão, estendeu-se por mais alguns meses, até setembro, quando Renato foi contratado após a saída do ex-lateral gremista. E uma era de glórias guiou o Tricolor novamente a Rosário, novamente ao Gigante de Arroyito. O final, claro, ainda por ser escrito.

Grêmio e Rosario Central se enfrentam às 21h30 de quarta-feira, em jogo com transmissão da RBS TV e Sportv. Nesta terça, a programação gremista prevê um treinamento em solo argentino durante a tarde, no centro de treinamento do rival do Central, Newell’s Old Boys. Também está previsto o reconhecimento do gramado Gigante de Arroyito, palco da partida, embora ainda não confirmado.


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