Por Giovani Mattiollo
- Às 12:07
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Foto: Arthur Dallegrave / EC Juventude

O resultado não foi desastroso, não houve vexame, nem mesmo derrota. Mas o Grêmio completou o terceiro jogo seguido sem vencer ao empatar em 0 a 0 com o Juventude, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, enquanto já vive jejum no Campeonato Brasileiro.

Embora a atuação tenha sido melhor que as derrotas para Universidad Católica e Libertad, pela Libertadores, por exemplo, faltou organização para o Grêmio atacar e criar espaços contra um rival dedicado a se defender. Assim, viu a produção ofensiva despencar contra um adversário tecnicamente inferior.

Após a partida, o técnico Renato Gaúcho apressou-se em seguir sua estratégia e mandar logo uma frase de efeito na entrevista coletiva : um recado aos “cornetinhas”. O capitão Maicon, por outro lado, levantou a voz a ser ouvida pelo Tricolor. Pediu para que o time volte a ser o velho Grêmio do início do ano.

A sequência até não é de derrotas profundas. São empates contra Corinthians e Juventude e o tropeço para o Ceará. Mas já é muito para um clube que, como gosta de se apegar Renato Gaúcho, ganhou títulos do quilate de Copa do Brasil e Libertadores recentemente. As taças, aliás, viram um escudo para proteger o elenco e minimizar as críticas.

Sem criação

Em relação a desempenho, mais uma vez, o time ficou aquém. É fato que com Jean Pyerre na vaga de Luan, por exemplo, o setor ofensivo recua muito. O jovem cai muito pela meia esquerda e volta para ajudar Maicon e Matheus Henrique na saída de bola. Louvável, claro. Mas deixar as proximidades da área desguarnecidas.

O espaço entre os volantes e os zagueiros rivais, praticamente o habitat natural de Luan, é pouco explorado por Jean. André tem se esforçado, mas não dá a mesma força física ao ataque se comparado a Jael. Todos estes ajustes ficam para o período de parada, quando o Tricolor terá de se reagrupar para voltar ao nível reconhecido. Com aquelas atuações, fica muito mais fácil postular alguma outra taça na temporada. E, assim, dar mais argumentos a Renato.

Renato contra “cornetinhas”

O treinador recorreu novamente a esse discurso no Jaconi. Isso não quer dizer que Renato não saiba que há muitas coisas a corrigir. Ele sabe. Mas usa da estratégia para criar uma tensão da torcida com um “inimigo” (no caso, os “cornetinhas”) e tirar o foco dos seus jogadores.

– Todo clube dá uma vacilada. O Ajax deu, o Barcelona deu, o Grêmio deu. Mas em dois anos e meio, são seis títulos. Para quem está com amnésia, os cornetinhas querendo colocar crisezinha, não vai ter. Todo mundo está muito tranquilo. É só vencer o Atlético-MG e é favorito a ganhar o Brasileirão. Se isso está incomodando alguém que torce para o clube errado, se torcesse para o Grêmio estava feliz. Não tem mais espaço para taça e faixa lá em casa – zoou Renato.

 
Maicon chama responsabilidade

Enquanto o comandante procura proteger o elenco, e tenta diminuir a pressão sobre eles ao injetar confiança em uma virada, Maicon reconhece o momento ruim. Põe a responsabilidade no grupo.

– Não tem que culpar fulano ou sicrano. A culpa é nossa. Sabemos o que estamos vivendo. Só nós jogadores podemos mudar o cenário. Não precisa a gente sair na mão um com o outro para resolver – destacou o capitão.

Dá, inclusive, nortes para o Grêmio seguir. Uma voz que admite o jogo ruim e afirma que o momento é de falar pouco e trabalhar muito. Maicon não é adepto de subir o tom no vestiário quando as vitórias estão longe.

Recentemente, em um treino após uma partida na qual não atuou, se aproximou dos repórteres no CT e afirmou que era hora de abaixar a cabeça e não falar no vestiário, pois todos estavam de cabeça quente. A receita se mantém.

– A gente se cobra até quando ganhamos. Tem que estar sempre melhorando. Se faz uma partida boa, o próximo tem que ser melhor. Quando vivemos essa fase do Brasileiro, não precisa entrar e bicar o vestiário. Às vezes perde o jogo, está de cabeça quente, você toma uma decisão e parece querer tirar o seu da reta. Não tem que culpar fulano ou sicrano, a culpa é nossa. Sabemos o que estamos vivendo. Só nós jogadores podemos mudar o cenário. Não precisa a gente sair na mão um com o outro para resolver. É trabalhar, ficar quieto e buscar dar a volta por cima – apontou Maicon.

Chega logo, parada

A classificação para as quartas da Copa do Brasil não parece estar ameaçada a partir do resultado no Jaconi – evidente que também não está garantida. Por isso, no sábado, o Grêmio precisa com urgência espantar este ambiente de ansiedade criado a partir do jejum no Brasileiro.

– Tudo influencia. A partir do momento que não ganha no Brasileiro, a coisa não dá certo. Às vezes falta um pouco de confiança. Mas o grupo está trabalhando e não pode baixar a cabeça. O que construiu não foi em vão – defendeu Jean Pyerre.

Renato terá trabalho durante a parada para a Copa América — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Uma vitória no Atlético-MG daria fôlego para o time reagir e chegar na parada para a Copa América sem maiores danos. Dentro das metas de Renato, este deveria ser um objetivo no momento: evitar um aumento na turbulência até o dia 12 de junho, quando o recesso chegará como um tempo precioso aos tricolores.

– Devido a situação, acaba batendo uma ansiedade durante o jogo, vontade de fazer as coisas tudo de uma vez. Estamos jogando três competições e temos totais condições de ser campeão. Acaba que no Brasileiro que se tem expectativas de brigar lá em cima, estamos embaixo na tabela. Mas vamos nos recuperar. Temos jogadores lesionados que vão voltar, vai ser uma parada boa para a gente também treinar e voltar com um grupo completo para que a gente possa arrancar no campeonato – apontou Maicon.

Jean Pyerre deu nova característica ao meio-campo — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

 
 

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