O Grêmio foi condenado e punido com uma multa de R$ 30 mil por injúria racial de um torcedor praticada na Arena. Em decisão dividida, a 5ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) puniu o clube pelas ofensas proferidas por uma torcedora ao colombiano Yony González, na partida contra o Fluminense. A Procuradoria irá recorrer ao Pleno. O clube também deve recorrer da decisão.

O caso veio à tona no dia seguinte à vitória do Fluminense sobre o Tricolor, no dia 5 de maio, pela 3ª rodada do Brasileirão. Em vídeo divulgado pela FluTV, o termo “macaco” teria sido usado por uma torcedora não identificada para ofender o atleta. Por quatro votos a um, os auditores decidiram por responsabilizar o clube pelo fato.

Como se trata de um caso isolado, em que não se identifica uma uniformidade nas ofensas por mais torcedores (a exemplo do que aconteceu no caso Aranha, então goleiro do Santos, em 2014), o clube não corria riscos de perder pontos ou mando de campo.

Mesmo assim, o Grêmio não ficou satisfeito com o resultado do julgamento. O diretor jurídico do clube, Nestor Hein, afirmou ao GloboEsporte.com que vai irá recorrer por entender que o clube foi condenado sem provas, como consta no voto divergente do presidente da comissão. O pedido será feito tão logo seja publicada oficialmente a decisão.

 

– A gente vê com tristeza que o tribunal se paute por notícias de sites, que saem na TV. Faltam elementos de convicção para dizer que aquilo realmente ocorreu da forma como foi dito – disse o advogado do Grêmio Jorge Petersen, presente no julgamento no Rio de Janeiro.

A defesa do Grêmio alegou que não havia prova cabal para a condenação e pediu o mesmo entendimento que no caso do Juventude, em que o clube de Caxias do Sul foi multado em R$ 10 mil por ofensas a um jogador do Botafogo no Estádio Alfredo Jaconi.

O advogado do clube, Marcelo Mendes, usou como prova documental um vídeo institucional feito à época do caso Aranha, em que jogadores como Zé Roberto e Alex Telles falam sobre o repúdio ao racismo. Além disso, explanou acerca da diversidade dos torcedores gremistas e convocou um perito em áudio e um gandula para testemunharem.

O gandula diz não ter ouvido nenhuma ofensa desta natureza. Já o perito mostrou o áudio com um redutor de ruído e afirmou que “não tem condição nenhuma de afirmar categoricamente que a palavra ‘macaco’ foi dita”. A subprocuradora-geral Júlia Gelli Costa discordou e afirma ter a mesma interpretação da denúncia, de que a palavra foi proferida mais de uma vez.

 

O relator do caso, Flávio Boson Gambogi, desabonou as testemunhas, disse estranhar o fato de nenhuma câmera identificar a torcedora. Por fim, votou pela multa de R$ 30 mil ao Grêmio. Os auditores Otacílio Neto, Eduardo Affonso Mello e Maurício Neves acompanharam a relatoria. Porém, o presidente da comissão, Rodrigo Raposo, absolveu o clube de responsabilidade, por considerar não haver provas suficientes para comprovar a injúria racial.

O Fluminense se isentou de entrar no processo como parte interessada porque considera não ter sido um ato da instituição, mas um ato individual da torcedora. Como tanto a Procuradoria quanto o Grêmio devem recorrer da decisão, o caso deve ser julgado novamente no Pleno, mas ainda não há data definida para a sessão.


Comentários