Três jogos seguidos sem vencer. Somente dois pontos em cinco rodadas, na zona de rebaixamento do Brasileirão. Um empate modorrentocom um time da Série C na estreia da Copa do Brasil. O Grêmio passa longe do futebol que o fez ser decantado como um dos principais do Brasil. Longe disso.

Só que o técnico Renato Gaúcho apresenta um estilo peculiar de abordar a má fase atual. Frasista, apela para expressões de efeito. Jamais mira sua metralhadora aos pupilos nominalmente, até como forma de manter o vestiário unido. Tampouco explica uma falha que originou em gol adversário.

O delicado momento pelo qual passa o Tricolor é a prova desta faceta. Portaluppi reitera a confiança no grupo, amparado pelos títulos da Libertadores, Recopa, Copa do Brasil, dois Gauchões e a Recopa Gaúcha.

Até gíria no “carioquês”, como o “deu mole“, já serviu para falar sobre os problemas da equipe. Fiel ao vestiário, já apontou até para a imprensa e desafiou em uma aposta a quem duvida que o Grêmio voltará ao período recente de glória.

A próxima chance de retomada é neste sábado, às 19h, contra o Atlético-MG, na Arena. Atualmente, os gaúchos ocupam o penúltimo lugar do Campeonato Brasileiro, com apenas dois pontos após cinco rodadas. O Galo é o vice-líder, com 12.

“Balde de água quente”

O Grêmio começou o Brasileirão diante do Santos. Contra o time de Jorge Sampaoli, o Tricolor tentou impor seu estilo, mas acabou derrotado por 2 a 1 na Arena. Renato, apesar do revés, gostou da postura da equipe e elogiou os pupilos.

– Não dá um balde de água fria porque a equipe jogou e jogou muito. Poderia ter balde de água fria se jogasse mal e perdesse. Foi acidente de trabalho. Dei parabéns ao grupo, que correu, buscou e criou. Infelizmente a bola não queria entrar. Foi um balde de água quente, por tudo que minha equipe jogou. Principalmente por ser domingo de manhã. Não é desculpa, mas tudo muda – disse Renato.

“Gostinho amargo”
 

A sonhada vitória esteve perto de ocorrer logo na segunda rodada do Brasileirão, é verdade. Diante do Avaí, no dia primeiro de maio, o Grêmio vencia até os 39 minutos do segundo tempo, quando Michel, ao tentar cortar o cruzamento de João Paulo, errou e marcou contra. O empate em 1 a 1 foi lamentado por Renato.

– Deixamos de aproveitar uma ou outra oportunidade. E por uma infelicidade tomamos o gol. Infelizmente, saímos com gostinho amargodaqui. Um pouquinho mais de experiência de segurar a bola na frente, tenho certeza que a gente iria conseguir o resultado – declarou.

“Deu mole”

A derrota de virada por 5 a 4 para o Fluminense em plena Arena, após abrir uma vantagem de 3 a 0 em apenas 21 minutos culminou com a entrevista mais emblemática do técnico neste período delicado. Apesar de gaúcho de Guaporé, Renato nunca escondeu sua paixão pelo Rio de Janeiro.

Para explicar o que ocorreu ao ver o time perder, Renato apelou para uma gíria dos cariocas: “deu mole”. Ao longo da conferência, repetiu exatas 34 vezes a expressão. Admitiu que era inadmissível o ocorrido, ainda mais pelo fato de alguns atletas terem desfocado com o placar elástico construído.

– Às vezes três, quatro, dão mole, acham que não precisa mais fazer o que foi determinado porque está 3 a 0 e sobrecarrega todo mundo. O primeiro (gol) foi um achado, o segundo falhamos e seguimos falhando. Quando você tem tantas (falhas), paga por elas. Hoje foi inadmissível. Perdemos por 5 a 4 e demos mole demais – afirmou.

Às vésperas da vitória por 2 a 0 sobre a Universidad Católica, que assegurou o time nas oitavas de final da Libertadores, Renato voltou aos microfones. O motivo? Explicar o significado do “mole” após a repercussão das declarações.

“Vai decolar”

Depois do empate em 0 a 0 com o Corinthians em Itaquera, Renato tratou de valorizar o ponto conquistado fora de casa. Disse que os problemas do Grêmio na tabela de classificação resultavam das derrotas na Arena, mas afirmou que tinha o “melhor time do Brasil” e era questão de tempo para evoluir.

– Oscilamos em dois jogos no Brasileirão. Empatar com o Avaí em Santa Catarina não é um resultado ruim. Aqui é um excelente resultado, mas precisamos fazer o dever de casa. Não tivemos a concentração necessária. Pisamos na bola em casa, mas fora são resultados normais. O Brasileirão é longo, muito difícil. Daqui a pouco o Grêmio decola e vai embora. Os outros (times), eu não sei – disse.

 
“Nem um pouco preocupado”

Após perder por 2 a 1 para o Ceará, no último domingo, o técnico afirmou mais uma vez que os erros do Grêmio culminaram na queda no Castelão. Renato entendeu que faltou concentração, principalmente no início da partida.

Porém, nem mesmo o fato de não vencer um jogo sequer nesta arrancada de Brasileirão e estar em penúltimo o abalaram. Pelo contrário. Evitou estipular um prazo, mas garantiu que o time voltará a apresentar o futebol que encantou o país.

– Tem alguma dúvida que meu time vai decolar? Não tem prazo. São 38 rodadas, faltam 33. Se alguém acha, pegue suas fichas e aposte. Não estou nem um pouco preocupado. Lógico que não estou satisfeito. Mas infelizmente não entramos focados como deveríamos e tomamos dois gols. Depois, atacamos o tempo todo, o adversário se fechou. Não conseguimos o empate, mas acontece. Bola para frente – destacou.

Cornetinhas, três por um e amnésia
 

Com mais uma partida abaixo das expectativas, Renato foi questionado sobre o desempenho do time no empate em 0 a 0 com o Juventude, na última quarta-feira, pela Copa do Brasil. Na entrevista coletiva, a queda de produção voltou a debate. Renato retrucou a imprensa, chamando alguns jornalistas de “cornetinhas”, ao desafiá-los sobre a recuperação do Grêmio.

– Na Copa do Brasil, são 180 minutos. Faltam 90 minutos em frente à nossa torcida. No Brasileirão, daqui a pouco o Grêmio volta a decolar e vai embora. Alguém tem alguma dúvida, como os cornetinhas têm falado? Dou três por um na aposta. Só pegarem, só darem o valor: três por um – disparou.

O técnico ainda falou sobre o desgaste do grupo, após a viagem a Fortaleza, e já ter que encarar um deslocamento a Caxias do Sul poucos dias depois. Seguiu no embate contra os jornalistas, ao dizer “que torcem para o clube errado”. Reiterou que o Grêmio já mostrou sua força no passado recente, com o acúmulo de títulos em dois anos e meio.

– O problema do cansaço é enfrentar o Ceará em uma viagem de um dia todo e, dois dias depois, enfrentar o juventude. É desgastante, mas não tem que escolher. Todo clube dá uma vacilada. O Ajax deu, o Barcelona deu, o Grêmio deu. Mas em dois anos e meio, (são) seis títulos. Para quem está com amnésia, ou os cornetinhas, querendo colocar crise, não vai ter – assegurou.

 

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